07 de Outubro, 2012 - 20:30 ( Brasília )

Aviação

EMBRAER - Com tecnologia de ponta, é o orgulho da indústria brasileira

Análise feita pela publicação alemã Deutsche Welle, um raro elogio dos alemães a empresas de outro país

Jan D. Walter


A recente abertura de duas fábricas da Embraer na cidade de Évora, no sul de Portugal, deverá resultar na criação de 600 empregos diretos e 1.200 indiretos. O investimento total da empresa brasileira é de 177 milhões de euros.

Com as novas fábricas, Évora deverá se tornar uma referência internacional em tecnologia aeronáutica de ponta, avalia o jornalista especializado Jens Flottau. Ele lembra que a Embraer é uma referência mundial no setor. O novo modelo militar KC-390 deverá ser, ao menos em parte, construído nas novas instalações em Évora.

Origens

A Empresa Brasileira de Aeronáutica foi fundada por decreto em 1969, com o objetivo de implementar a produção em série de aviões no Brasil, um sonho do governo brasileiro desde a década de 40.

Os benefícios seriam a criação de um setor industrial de alta tecnologia e a possibilidade de conectar as distantes regiões do país sem a necessidade de apelar para fornecedores estrangeiros.

Em 1972, os primeiros aviões turbo-hélice para 12 passageiros do modelo Bandeirante começaram a sair da linha de montagem. O Bandeirante teve largo uso militar e civil desde o início e passou a ser exportado a partir de 1977.

Privatização e crescimento

Nos anos 80, as aeronaves regionais, como o modelo Brasília, passaram a ganharam importância. No final dos anos 80 e início dos 90, a empresa estatal passou por enormes dificuldades financeiras e quase fechou. Acabou sendo privatizada em dezembro de 1994.

Naquela época já estava em desenvolvimento o ERJ 145, que fez seu voo inaugural seis meses mais tarde. "Esse foi o primeiro grande passo para que a Embraer viesse a ser a empresa que é hoje", afirma Flottau. "Naquele tempo não havia concorrência para o mercado de aeronaves desse porte."

Dependendo da distribuição dos assentos, o ERJ 145 pode acomodar até 50 passageiros e é utilizado em rotas regionais. "Um grande salto foi dado em 1999, com a construção dos e-jets", diz Flottau. Essas aeronaves podem transportar de 70 a 120 passageiros em distâncias de até 2.400 km.

O especialista em aviação Cord Schellenberg acompanha a evolução da Embraer com grande interesse. "Quem sabe um dia a Embraer poderá quebrar o duopólio da Airbus e Boeing", opina. A Boeing anunciou uma parceria com os brasileiros em abril passado.

 Melhor que a concorrência

A única concorrentre direta da Embraer é a canadense Bombardier, que compete em dois segmentos com a empresa brasileira: aeronaves comerciais regionais, onde a empresa brasileira está na dianteira, e executivas, onde os norte-americanos estão em vantagem.

Entretanto, Flottau diz que "os aviões da Embraer são simplesmente melhores: eles oferecem mais espaço, são mais econômicos e o E-195 é a primeira aeronave de seu porte com a qual é possível fazer pousos íngremes, no meio de uma cidade, como no caso do aeroporto London City".

O chefe de gerenciamento de frota da Lufthansa, Nico Buchholz, afirma que os modelos da Embraer utilizados pela empresa aérea alemã, o E-190 e o E-195, se destacam principalmente em eficiência econômica e ambiental. "Os clientes elogiam sobretudo o conforto", completa. A Lufthansa utiliza 38 aeronaves da Embraer. Até o fim de 2013 serão mais seis.

Símbolo da indústria brasileira

A construtora de aviões é um dos orgulhos da indústria brasileira. "A Embraer mostrou ao mundo que o Brasil tem condições de produzir tecnologia de ponta", afirma Oliver Döhne, representante para o país da agência de comércio exterior German Trade and Invest. "Também por isso a empresa costuma ganhar apoio estatal do BNDES."

Döhne ressalta que a opção pelo setor aeroviário não é puro acaso. "A aviação brasileira tem uma tradição centenária, iniciada com o pioneirismo de Alberto Santos-Dumont." Além disso, os custos de produção tem aumentado no Brasil nos últimos anos. "Diante desse cenário, é uma atitude inteligente investir em alta tecnologia, porque nesses mercados não é assim tão fácil de entrar. Na Europa, essa é uma prática usual há décadas."