17 de Janeiro, 2012 - 09:43 ( Brasília )

Aviação

KC-390 terá preço em 2013


Carolina Marcondes e Brad Haynes

De acordo com Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, em 2012 haverá a definição das características do KC-390, cargueiro militar que está sendo desenvolvido em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB).

"Todos os parceiros foram escolhidos... A idéia é até o início do ano que vem congelar a configuração e ter condições de precificá-lo para poder começar a fazer a venda no primeiro trimestre do ano que vem."

A Embraer tem cartas de intenções de 60 unidades do cargueiro, sendo 28 para a FAB. Os 32 restantes estão divididos entre República Tcheca, Portugal e Argentina -que também participam do projeto do avião-, além de Chile e Colômbia, que têm cartas de intenção de aquisição.

O sistema de defesa do Brasil prevê dois importantes investimentos para os próximos anos: o Sisfron, que fornecerá sistemas de monitoramento das fronteiras pelo Exército; e o Sisgás, que atuará no monitoramento da região do pré-sal.

As aquisições e parcerias feitas no ano passado tinham como foco, justamente, preparar a Embraer Defesa e Segurança para um melhor posicionamento, oferecendo uma solução integrada, com radares, satélites e Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vant).
"Tem no orçamento desse ano a primeira alocação de recursos do Sisfron, para iniciar o trabalho e nós, durante 2011, nos preparamos para isso."

A definição da empresa que atuará no Sisfron deve sair ainda no primeiro semestre de 2012, acredita Aguiar.

Já o Sisgás, que é um projeto da Marinha brasileira, é um projeto mais de longo prazo. "É concomitante com os investimentos do pré-sal, que devem ocorrer nos próximos anos", completou.

Embraer confia que contrato com EUA será retomado

A suspensão do contrato de venda de 20 aviões Super-Tucanos para o governo dos Estados Unidos será resolvida rapidamente, prevê o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, acrescentando que a venda à força aérea mais poderosa do mundo poderá abrir espaço para negócios com outros países, como os da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Quando você vende para o principal mercado do mundo, o cliente mais exigente do planeta, que produz tecnologia e vende para o mundo inteiro, é sempre uma vitrine", disse Aguiar em entrevista à Reuters no final da tarde de sexta-feira.

De acordo com o executivo, a vitória da Embraer nesta concorrência é "inequívoca" e não existem dúvidas de que o contrato será retomado.

"O sistema jurídico americano é absolutamente inquestionável e notoriamente eficiente e rápido nas suas decisões. Nós acreditamos piamente que isso vai ocorrer... a nossa aeronave foi desenhada... para a missão que eles estão necessitando agora. E eles estão necessitando com uma certa urgência."

No início do mês, os EUA suspenderam temporariamente a compra de 20 aviões militares Super Tucano, após uma rival contestar o resultado da licitação.

A Força Aérea norte-americana havia concedido o contrato de 355 milhões de dólares em 22 de dezembro, mas a Hawker Beechcraft contestou a licitação na Justiça, após sua aeronave AT-6 ser excluída da competição.

"Tem uma ordem de parada do processo, mas nossas equipes estão de prontidão, elas não foram desativadas, elas estão prontas pra que assim que for retomado (o contrato) a gente faça isso com a maior eficiência, a maior rapidez possível para que a gente cumpra o que foi prometido no contrato", afirmou Aguiar.

O volume de vendas pode chegar a 55 unidades do Super Tucano, levando o valor do contrato a até 950 milhões de dólares.

O executivo disse ainda que existe expectativa de que a empresa abra novos mercados dentro mesmo dos EUA para aviões da mesma categoria.

"Nossa expectativa é de longo prazo e servir esse contrato e conseguir outros contratos até mesmo nos próprios Estados Unidos", disse Aguiar, afirmando que existem "pelo menos uns três projetos nessa categoria".

Para Aguiar, uma eventual venda dos Super-Tucanos para os países da Otan é um "caminho natural". "A comunalidade é cada vez mais importante nas forças de defesa e operações combinadas, porque você reduz o custo da operação absurdamente", explicou.