21 de Abril, 2011 - 17:30 ( Brasília )

Aviação

EUA - Controle de Tráfego Aéreo em Crise

Incidente com avião de Michelle, cochilos e abusos de controladores de voos nos EUA provocam demissões e levam agência a mudar

O Globo - 20 Abril 2011

WASHINGTON - O incidente envolvendo o
avião da primeira-dama Michelle Obama, obrigado a abortar o pouso por estar muito próximo de um cargueiro militar no momento da aterrissagem, provocou novas turbulências nos recentes questionamentos em torno dos profissionais que operam as torres de controle de tráfego aéreo nos EUA. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) determinou na quarta-feira que os supervisores de controle de tráfego aéreo passem também a monitorar os voos da primeira-dama e do vice-presidente do país - além da atenção já destinada ao presidente - em suas aterrissagens e decolagens na área de Washington e em outras destinações possíveis.


Nas últimas semanas, cinco controladores de tráfego aéreo foram flagrados em pleno sono durante o expediente noturno, o que acendeu o sinal de alerta e exigiu medidas por parte da FAA. Esta semana, um controlador foi suspenso por assistir a um DVD durante seu turno de trabalho. Sua sessão privada foi descoberta pelo acionamento inadvertido de um microfone: por mais de três minutos, a trilha sonora do filme - "Evidências de um crime" (2007), com Samuel Jackson - foi transmitida por rádio para toda a área de tráfego monitorada por ele, que só se deu conta da indiscrição ao ser contatado pelo piloto de um avião militar.
 

No total, a FAA suspendeu no último mês oito controladores por falhas no trabalho e para investigações de responsabilidade. O presidente americano, Barack Obama, procurou tranquilizar a população ao afirmar em entrevista na rede de TV ABC News que "tudo está sob controle".
 

A sucessão de cochilos e trapalhadas provocou a queda de Hank Krakowski, o responsável pela supervisão das operações de voo em mais de 400 aeroportos - os EUA registram o maior volume de tráfego aéreo do mundo -, e obrigou a uma revisão de regras e práticas de conduta por parte da FAA. Os cerca de 15 mil controladores de tráfego aéreo americanos passarão a ter pelo menos nove horas de descanso entre dois turnos de serviço, em vez de oito horas - norma que também será recomendada para os pilotos.
 

Sistema de alerta de ameaça terrorista é modificado

A sesta entre dois turnos não será autorizada, por ser considerada nociva ao trabalho, e estão previstos programas de formação para conscientizar os controladores dos riscos de fadiga. Além disso, não será permitida a troca de horários, a não ser que isso não afete o descanso estabelecido. Os dirigentes da FAA também serão obrigados a reorganizar seus horários, para garantir a presença de um deles em todos os turnos de controle.
 

" Tomamos as medidas necessárias para garantir a segurança de nosso sistema aéreo "

 

- Tomamos as medidas necessárias para garantir a segurança de nosso sistema aéreo. Nada justifica que os controladores de tráfego aéreo durmam durante o exercício de suas funções. Faremos tudo o que pudermos para acabar com isso - garantiu o secretário de Transporte, Ray LaHood.
 

A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, descartou ontem que os reincidentes problemas exponham uma potencial vulnerabilidade do país para ataques terroristas, mas acrescentou que é preciso verificar "o que está ocorrendo na comunidade do tráfego aéreo".
 

A secretária anunciou a alteração do atual sistema de quatro cores (verde, amarelo, laranja e vermelho) usado para alertar o nível de ameaças terroristas, implementado em 2002 pelo presidente George W. Bush. O novo sistema, em vigor a partir da próxima terça-feira, usará apenas dois níveis, "elevado" e "iminente", para advertir sobres os riscos de ataque terrorista, com recomendações detalhadas sobre as atitudes a serem adotas em caso de agressão. O sistema de cores é criticado por provocar sentimento de apreensão permanente na população.
 

- Não queremos as pessoas vivendo com medo, mas num estado de consciência e alerta. E queremos pessoas que saibam como podem se ajudar, como podem assistir sua comunidade. Uma maneira de fazer isso é prover maior informação - argumentou.

Além de usar os meios tradicionais como rádio e TV, o novo sistema recorrerá às redes sociais e à internet para divulgar alertas de ameaça terrorista.