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DefesaNet - Aviação - Janelas da indecisão: Força Aérea quebra a Barreira do Silêncio
13 de Julho, 2012 - 09:54 ( Brasília )

Aviação

Janelas da indecisão: Força Aérea quebra a Barreira do Silêncio


Texto em inglês - Brasilia's windows: Brazilian Air Force breaks the “silence barrier”


Tradução e adaptação DefesaNet


Foi um incidente aleatório ou uma reação a mais uma postergação da decisão sobre o F-X2? Para o entendimento geral dos fatos e responder a esta pergunta deve-se levar em conta o resultado de confiáveis pesquisas de opinião que apontam o alto grau de confiança e credibilidade das Forças Armadas junto ao povo brasileiro.

No caminho inverso a mesma opinião popular não demonstra compreender a efetiva importância dos assuntos relacionados com a Defesa e o que isso reflete nas relações internacionais do Brasil e sua influência e liderança na América do Sul. A conclusão para esta falta de percepção e entendimento, é que não há, portanto pressão por parte dos eleitores quanto às decisões do governo sobre assuntos da pasta. O que no Brasil significa que, se não há votos envolvidos, não há necessidade prioritária de se resolver o assunto.

Por outro lado, a necessidade de decisões urgentes é bem real. A vida útil da estrutura de um avião não pode ser ignorada. Motores podem ser trocados, radares, sensores e aviônicos atualizados, mas não se pode maquiar ou brincar de “quebrar-galho” com asas constantemente expostas a elevados fatores de carga (G’s). Os pilotos que conduzem os atuais caças de primeira linha no Brasil, mesmo apaixonados pelo que fazem, já não se sentem mais tão confortáveis. Suas vidas, e consequentemente de suas famílias, são diretamente afetadas por estas sempre adiadas decisões.

Isto sem mencionar a obsolescência do F-5 e do Mirage 2000 em desempenhar a função de vetor de dissuasão em uma região que tem se tornado turbulenta. A Venezuela, que atualmente opera aeronaves Sukhoi Su-30MK2, negocia com a Rússia a compra do poderoso caça Su-35. A Argentina, além da instabilidade econômica que já tem rendido disputas comerciais com o Brasil, continua elevando o tom em relação à posse das Malvinas, ou Falklands –  dependendo do lado que se considere (O Brasil já teve a experiência de ter seu espaço aéreo violado durante o primeiro conflito – estaríamos aptos, desta feita, à interceptação de caças Eurofighter?). Bolivia, Colombia e  Paraguai não tem sido vizinhos que não nos provoquem problemas. Grandes fronteiras representam grandes preocupações.

Uma combinação de fatores, como a importância no equilíbrio da América do Sul, a extensão territorial e a grande riqueza de recursos naturais, com destaque as reservas petrolíferas do pré-sal, exigem que o Governo Brasileiro trate os assuntos de Defesa como Política de Estado e não mais como Política de Governo. Isto significa planejamento de longo prazo e comprometimento.

E as janelas quebradas em Brasília? Uma desatenção do piloto? Uma velocidade inapropriada ao tipo e local de apresentação seria a razão dos danos provocados no solo. O piloto está sob investigação e encontra-se afastado de suas funções aéreas. É difícil acreditar que um piloto altamente qualificado, tendo ao seu dispor um Machímetro ajustado, e sendo integrante de um dos mais conceituados e importantes esquadrões, o GDA, possa ter cometido tal engano ou imprudência.

O vídeo dos populares e os rumores indicam uma interpretação diferente. Enquanto possa ter sido um brado isolado (heróico e corajoso), ele reflete um sentimento coletivo, mesmo sendo a disciplinada Força Aérea Brasileira, juntamente com Exército e Marinha, o sustentáculo incondicional de um Estado Democrático de Direito vivido hoje no Brasil. A imprensa brasileira debruçou-se a discutir, se no episódio a barreira do som chegou a ser quebrada, mas a que aparentemente o foi, foi a do silêncio.

Nota DefesaNet -
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