10 de Julho, 2012 - 11:57 ( Brasília )

Aviação

Russia - Farnborough 2012: nem todos marcaram presença


Svetlana Andreeva

O salão aeronátucio internacional Farnborough-2012, nos arredores de Londres, foi inaugurado sem a presença dos Russkie Vitiazi. Pela primeira vez em muitos anos, os visitantes do festival não assistirão às demonstrações da famosa esquadrilha acrobática russa. Devido a problemas com a emissão de vistos na embaixada britânica, a participação de toda a delegação russa esteve ameaçada.

O Farnborough-2012 irá ficar por muito tempo na memória da delegação russa, especialmente aos altos funcionários e aos que deviam apresentar as máquinas de guerra. Na embaixada britânica, devido a atrasos burocráticos, atrasou-se a emissão dos seus vistos. Houve peritos que consideraram que o caso teve contornos políticos e que o Reino Unido tentou dessa forma castigar Moscou pelas suas posições relativamente à Síria e que são incómodas para o Ocidente.

Outros viram no comportamento do serviço de vistos uma pressão comercial: haveria a intenção de afastar a Rússia do Farnborough por ser um concorrente indesejável. Se não fosse o ruído levantado na imprensa e a intervenção do MRE da Rússia, este Farnborough podia ter perdido a oportunidade de ver as últimas realizações da construção aeronáutica militar russa.

Se trata, em primeiro lugar, dos caças universais da geração 4++, o Su-35 e o MiG-35, e do caça-bombardeiro Su-32. Igualmente vai ser apresentado o avião de treino de combate Yak-130 que os espetadores e potenciais compradores poderão observar em ação. As demonstrações de voo do Yak-130 serão uma estreia internacional, declarou Serguei Sokut, vice-diretor de departamento da corporação Irkut .

“Há um atraso da concorrência em relação à Rússia na fabricação deste tipo de aviões. O Yak-130 permite ao piloto criar na cabine do seu avião de treino de combate tudo o que ele iria experimentar num caça da última geração. Estamos a falar da velocidade, manobrabilidade e da informação visualisada no aparelho.

No entanto, o custo da preparação de um piloto num Yak-130 é várias vezes inferior do que seria num verdadeiro avião de combate. Outras particularidades importantes do Yak-130 é a panóplia reforçada do seu armamento que permitirá, em determinados tipos de conflito, utilizar este aparelho para combater pequenos alvos aéreos e atingir alvos terrestres pontuais.”

Mas não é só com material militar que os fabricantes russos tencionam suscitar o interesse dos visitantes do Farnborough. Os peritos afirmam que os aviões civis também serão alvo das atenções. São, sobretudo, o avião de passageiros MS-21 da Irkut, o hidroavião Be-200 e, sem dúvida, o avião comercial Sukhoi Superjet 100. O acidente que teve lugar no dia 9 de maio com um Superjet-100 não deve reduzir o interesse por esse avião, considera o chefe do serviço de análise da agência Aviaport Oleg Panteleev.

“Depois do acidente com o avião na Indonésia já passou algum tempo e durante estes meses nenhum dos clientes que tinham contratos com o fabricante desistiu da compra do avião. Além disso, na exposição será exibido não um modelo experimental, mas sim uma aeronave de série que efetua voos regulares com o emblema da companhia aérea Aeroflot – Russian Airlines.