08 de Junho, 2012 - 10:05 ( Brasília )

Aviação

MAPLE FLAG - Exercício promove intercâmbio entre países participantes


Na segunda semana do exercício Maple Flag, a principal mudança sentida é o aumento da interação entre os países participantes. Após certa inibição inicial, as tripulações estrangeiras passam a conversar mais entre si, discutindo métodos e práticas das aviações de seus países.

Um exemplo foi o voo de acompanhamento realizado por um militar da Força Aérea Brasileira (FAB) a bordo de uma aeronave CC-130T Hércules da Real Força Aérea Canadense (RFAC), durante uma missão de reabastecimento aéreo de caças.

Segundo o Major Aviador Cláudio Faria, participante da missão, o voo foi uma oportunidade para observar os procedimentos adotados pela tripulação canadense. "O voo partiu da coordenação das equipes dos dois países, que queriam trocar experiências entre o padrão de reabastecimento em voo, por parte deles, e a missão aeroterrestre, por nossa parte", disse.

Outro exemplo de interação foi o convite que a Força Aérea Francesa fez aos brasileiros para conhecer a aeronave de transporte C-160 Transall e também participar de um voo. Durante a visita, o Major Christophe Piubeni explicou o funcionamento da aeronave, mostrando suas qualidades e limitações.

"A amizade entre o Brasil e a França vem de muito tempo. Nós já realizamos missões na CRUZEX, mas essa é a primeira vez que participamos juntos de exercício tático para a aviação de transporte. Para nós, é um prazer voar e aprender um pouco com vocês, principalmente com relação à busca e salvamento", disse o francês. Em retribuição, os brasileiros convidaram o Major Christophe para participar de um voo a bordo do C-130 da FAB.

"A minha conclusão é que o intercâmbio de experiências é de fato real. As tripulações passam a agir como um time, debatendo e compartilhando táticas de combate. Dois exemplos aprendidos são a navegação à baixa altura, aproveitando-se das curvas do terreno, e o uso da sombra das nuvens, para escapar da interceptação visual inimiga", conta o Major Cláudio Faria.

Segundo a tripulação brasileira, com o decorrer das missões, em um ambiente com sofisticados recursos, todos os países sentem dificuldades frente às diversas ameaças. Mesmo aqueles que possuem recursos de defesa antimíssil, como chaff, flare e receptores MAWS e RWR, percebem que suas táticas podem não ser tão eficazes.

Para a aviação de transporte, a inserção de um avião como o Hércules em um cenário de guerra moderna representa um ganho tático e gera informações muito importantes para a doutrina da FAB. O intercâmbio com países estrangeiros revela práticas que podem ser adaptadas e aproveitadas pelas tripulações brasileiras.

Maple Flag
A Maple Flag um exercício de simulação guerra realizado anualmente pela Real Força Aérea Canadense em Cold Lake, Canadá. O exércicio é um dos maiores desse tipo no mundo e pode ser considerado o mais completo, já que as missões envolvem todos os tipos de aviação: caça, transporte, asas rotativas, reconhecimento e reabastecimento. Durante as missões, aeronaves de diferentes países têm que agir em conjunto, unindo forças contra um agressor dotado de radares e aeronaves de interceptação de alta performance.