24 de Maio, 2012 - 11:55 ( Brasília )

Aviação

Aviação Comercial - Combustível caro marca uma das maiores crises do setor aéreo do país

Apesar do aumento no número de passageiros, companhias aéreas brasileiras amargam prejuízos financeiros

São Paulo, 24 de maio de 2012– Em 2011, as aeronaves brasileiras indicaram a melhor taxa de ocupação nos voos domésticos dos últimos cinco anos (70,18%), mesmo assim, o prejuízo das maiores empresas de aviação do Brasil só aumenta. TAM e Gol, que detêm 80% do mercado no Brasil, somaram mais de R$ 1 bilhão de prejuízo no ano passado. Para explicar este momento, a edição de maio da Revista AméricaEconomia, da Spring Editora, traz ao público os principais problemas do setor e quais as principais dificuldades enfrentadas nos últimos anos. A publicação chega às bancas no dia 10.

 
Um dos problemas apontados pelos especialistas é o alto custo dos combustíveis. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, o valor do querosene de aviação aumentou 22% em 2011, na comparação com o ano anterior. De 2009 para 2010, a alta já havia sido de 18%. Atualmente, a cada R$ 100 gastos pelas companhias aéreas, R$ 40 são destinados ao insumo. O maior problema, segundo a entidade, é a fórmula de cálculo. “A Petrobras calcula o preço do petróleo no Golfo do México e embute no valor final os custos com transporte, sendo que 80% do combustível é nacional”, afirma o presidente do SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviáras), José Márcio Mollo.
 
Além do custo dos combustíveis, as companhias se queixam também do aumento das tarifas aeroportuárias. “Em março do ano passado, as tarifas aeroportuárias tiveram reajuste de 130%. Não bastasse isso, em janeiro deste ano, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo aumentou o valor de seus serviços em 150%”, diz Mollo. Para abaixar a carga de preços, uma das bandeiras que o setor defende é a de redução do ICMS. As companhias aéreas querem a ajuda do Planalto nas negociações com os estados. O Ministério da Fazenda, por sua vez, já avisou que não será possível atender de imediato ao pedido das aéreas.
 
E o consumidor, que não faz parte das discussões, quer saber se vai pagar mais caro pela passagem. “O que vai acontecer é uma readequação de assentos, ou seja, haverá menos cadeiras com preços baixos, mas as promoções devem continuar”, afirma o pesquisador da UFRJ. Em nota, a Gol informa que deve manter sua política de preços baixos. Já Marco Antonio Bologna, presidente da TAM, afirma que as promoções devem ser mais controladas e planejadas em 2012.