16 de Maio, 2012 - 10:46 ( Brasília )

Aviação

Indústria aeronáutica militar russa deverá reorientar-se para mercado interno


Numa mesa redonda dedicada ao estado, ao rearmamento e às perspetivas da Força Aérea da Rússia foi apresentado um informe de Konstantin Makienko, diretor-adjunto do Centro de análise das estratégias e tecnologias, sobre as perspetivas da produção do material aeronáutico militar para exportação e no interesse da Força Aérea da Rússia.

A re-orientação da indústria aeronáutica do mercado externo para o mercado interno, será a tendência básica da próxima década. Na opinião de Makienko, este fenômeno dever-se-á a um incremento radical do volume das compras do material aeronáutico para a Força Aérea da Rússia e, simultaneamente, a uma queda esperada da procura externa desse material.

A queda nas exportações dever-se-á, antes de mais nada, ao fim das compras, pela China, e à saturação do mercado indiano, onde o programa Su-30MKI já passou seu “equador”. Fora da Índia, a procura estará localizada, principalmente, nos países do Sudeste Asiático, mas o volume destas compras estará bem longe tanto das compras para a Força Aérea e a aeronáutica naval russas como dos grandiosos contratos chineses e indianos, celebrados na segunda metade dos anos 90 e no início da década de 2000.

Ao mesmo tempo, caso se tomem as respetivas decisões políticas e se acelere a implementação do projeto Il-476, será possível um segundo aparecimento da Rússia no mercado chinês. Para que isto ocorra, convém oferecer à Força Aérea e Marinha de Guerra chinesas aviões de choque de grande potencial anti-navio tais como, por exemplo, os Tu-22M3 e Su-32/34 modernizados. Além disto, se o projeto Il-476 fôr suficientemente dinâmico, nos 2-3 próximos anos, poder-se-á esperar uma reanimação do contrato de 2005 para a compra de 38 aparelhos Il-76/78, que não chegou a ser cumprido por razões financeiras e técnicas.

A queda da procura externa será compensada pelas compras no interesse da Força Aérea e Marinha de Guerra da Rússia. Só nos últimos meses foram celebrados os contratos de compra de 92 bombardeiros Su-34, de 24 aviões embarcados MIG-29K e de 30 caças de uso versátil Su-30SM. No total, prevê-se comprar até 2020 cerca de 600 aparelhos para a aviação tática.

Nestas condições, afigura-se como sumamente importante, a materialização duma estratégia de desenvolvimento a longo prazo (depois de 2020, quando terminar o atual programa de compra de armamentos) da indústria aeronáutica. Isto, porque em seu estado atual, a Rússia terá em 2020 somente dois produtos competitivos com boas perspetivas comerciais: o caça pesado T-50 e um leque de aparelhos de instrução e treino, de instrução e combate e de combate ligeiros à base do Yak-130. Afigura-se que o desenvolvimento da indústria aeronáutica russa, com este nível de planejamento, dependerá da capacidade de resolver, nos próximos anos, duas tarefas-chave: criar um produto competitivo (para o período posterior a 2020), no segmento da aviação comercial, e produzir um aparelho de combate relativamente simples e barato ou, por outras palavras, um caça ligeiro capaz de competir eficazmente com o F-35.