24 de Abril, 2012 - 11:15 ( Brasília )

Aviação

O vant (drone) iraniano conseguirá voar?

O Irã está construindo uma cópia do avião não tripulado americano RQ-170 Sentinel, que os iranianos afirmam ter conseguido fazer pousar em um de seus aeródromos, em dezembro passado.

Os dados do avião já foram quase todos decifrados, tendo os engenheiros tido acesso à memória do VANT e ao programa de computador. Isso mesmo foi afirmado em uma intervenção televisiva pelo general Amir Ali Hajizadeh, que integra o comando militar do país.

Como que para dissipar as dúvidas dos curadores da CIA – antigos donos do aparelho – o general apresentou fatos. Antes do raid para capturar Bin Laden, o drone vigiou a casa do terrorista no Paquistão e, antes disso, estivera em manutenção na Califórnia. Não foi fácil retirar os segredos dos discos rígidos, das tecnologias e dos materiais mas nós conseguimos, explicou o general.

Não fale a pena tentar adivinhar o que continha a memória do VANT, mas a cópia de um aparelho destes está acima das possibilidades de Teerão, considera o diretor do Centro de Investigações Político-sociais, Vladimir Evseev:

“O nível tecnológico do Irã não é suficiente para copiar um aparelho destes. Considero que o Irã não conseguirá construir um análogo, embora possa utilizar alguns componentes, caso o avião esteja em boas condições”.

O iranianos são capazes de construir um VANT desenhado por eles próprios, mas não uma cópia do avião americano, diz Vladimir Evseev.

Como exemplo, ele referiu a China, onde a cópia de equipamentos, nomeadamente, militares, é frequente há muito. A dada altura, a China teve acesso a alguns mísseis de cruzeiro russos ?-55 mas levou muito tempo a conseguir copiá-los. Um análogo dos ?-55 só surgiu depois de eles terem juntado a tecnologia americana: desmontaram até ao último parafuso os mísseis Tomahawk, provenientes do Paquistão.

Serguei Drujilovski, professor de Estudos Orientais no Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou, concorda que o Irã não será capaz de copiar o drone. O especialista também não acredita que os iranianos o tivessem feito pousar:

“O avião se enganou na rota. Foi uma falha do programa, ninguém o fez pousar. Ele estava sobrevoando o território iraniano. Este não foi o primeiro avião não- tripulado a fazê-lo, nem o segundo. Os EUA fazem um monitoramento das estruturas iranianas, não confiam na AIEA e consideram que o Irã está mesmo desenvolvendo a bomba nuclear”.

A existência de equipamento eletrónico importado só por si não prova que os iranianos tenham acedido ao controlo do avião, diz Vladimir Evseev.

“O que os iranianos podiam de fato ter feito é utilizar os meios de luta radiolectrônica. A Rússia forneceu-lhes estes equipamentos. Agora não há muitas provas que eles tenham realmente feito pousar o avião. Não se pode dizer que eles acederam ao sistema de comando do aparelho e deram ordem de pouso”.

Agora a Rússia, a China e muitos outros países estão ansiosos por obter acesso ao VANT, sublinha a agência iraniana Fars. Os nossos interlocutores também consideram que tal é provável. Possivelmente, a Rússia está interessada não tanto no avião em si como na sua cobertura stealth.

No que respeita à China, ela poderia até construir uma cópia do avião juntamente com o Irã.

Mas, na realidade, uma tal cooperação suscita muitas dúvidas. A China terá interesse somente em obter as tecnologias e não em “devolvê-las” em forma de exemplar acabado ao Irã, caso contrário seria acusada de violação das obrigações internacionais.

Um influente senador independente dos EUA, Joe Lieberman, classificou a declaração de Teerã sobre a intenção de copiar o drone como “fanfarronice” e um gesto de defesa face à ação visível das sanções internacionais.