30 de Dezembro, 2016 - 15:00 ( Brasília )

Aviação

Aéreas - Comida grátis no avião pode virar coisa do passado



 

Robert Wall

The Wall Street Journal


As companhias aéreas de baixo custo estão ameaçando eliminar mais um vestígio de glamour a bordo dos voos transatlânticos: a taça de vinho gratuita.
Em meio a décadas de cortes de custos efetuados pelas grandes empresas aéreas mundiais, as refeições quentes e bebidas alcóolicas de cortesia na maioria dos voos internacionais conseguiram sobreviver. Claro que a comida e as bebidas não são realmente gratuitas; o custo do serviço da cabine está incluído no preço das passagens.

Agora, um grupo de novas operadoras aéreas de baixo custo de longa distância está rompendo a tradição para reduzir o preço das passagens e atrair viajantes com orçamento reduzido. Elas também começam a reavaliar o que sempre foi considerado um direito inalienável do viajante internacional.

A Norwegian Air Suttle ASA, que informou no início de dezembro que incluiria mais dois destinos nos Estados Unidos à sua série de voos superbaratos a partir da Europa, cobra US$ 31,50 por duas refeições quentes incluindo uma cerveja ou copo de vinho nos voos com duração de sete horas entre Londres e Nova York. A refeição tem que ser encomendada on-line, antecipadamente, assim como a permissão para levar excesso de bagagem.

Winnie Agbonlahor voou com a Norwegian recentemente de Bangcoc para Oslo. Quando a tripulação serviu o café da manhã, logo após a decolagem do voo de 12 horas, saltou Winnie e o namorado. Como ela não havia feito a reserva antecipada, eles não tiveram opção a não ser comprar um kit de lanche a bordo por quase US$ 30. “Sempre pensei que havia uma regra de que era obrigatório fornecer alimentação em um voo de longa distância”, diz ela.

Não há, e as operadoras tradicionais agora também estão considerando se os passageiros em seus voos de longa distância estariam dispostos a pagar pelas refeições a bordo. Elas querem manter suas próprias passagens mais baratas para de defender das novatas de baixo custo.

“Está claro pelo que vemos na Norwegian que o consumidor está preparado para fazer isso”, diz Willie Walsh, diretor-presidente da International Consolidated Airlines Group SA, controladora da British Airways.

A British Airways já está planejando cobrar pela alimentação em alguns voos de menor distância no próximo ano. Ela também está cortando o serviço de refeições da classe econômica de algumas rotas intercontinentais.

A Deutsche Lufthansa AG, que opera uma série de voos de longa distância superbaratos em sua operadora Eurowings, exige que os passageiros que compram suas passagens mais baratas, as chamadas básicas, também paguem pela comida e bebida a bordo. Ela ainda inclui refeições e bebidas alcóolicas no preço das passagens dos voos regulares da Lufthansa.

A Air France-KLM está criando sua própria empresa aérea de desconto de longa distância chamada Boost. A empresa não comentou se está estudando a cobrança de refeições e bebidas alcóolicas, mas informou que a nova operadora funcionará como um “laboratório” para os voos de serviço completo da companhia, incluindo a alimentação, que é levada muito a sério, segundo uma porta-voz da empresa. “Gastronomia é parte de nosso DNA”, disse ela.

Por ora, as empresas americanas, que já cobram por refeições em voos de curta distância, afirmam que não estão planejando qualquer mudança em seus voos mais longos.

A Delta Air Lines Inc. e a American Airlines Group Inc. oferecem alimentação e vinho gratuito mesmo nos voos intercontinentais mais baratos. A United Continental Holdings Inc., que já inclui serviço de refeição em suas passagens básicas, também reintroduziu o vinho e a cerveja como cortesia no ano passado em voos mais longos.

A gerente de serviços de bordo da Norwegian Air, Live Marie Aasheim, diz que a maioria dos passageiros da classe econômica faz reserva antecipada de refeições. O preço varia de acordo com a duração do voo, a hora da decolagem e o destino. A Norwegian oferece um pacote de US$ 90 para voos de longa duração que inclui uma refeição reservada com antecedência, a reserva de assento e uma mala despachada.

A AirAsia X, a empresa aérea de desconto da Malásia, cobra o equivalente a cerca de US$ 3,40 por uma refeição em seu voo de sete horas entre Kuala Lampur e Sydney. A empresa cobra mais US$ 4,75 por uma taça de vinho ou uma cerveja para acompanhar a refeição.

A empresa aérea WOW, da Islândia, que oferece conexões transatlânticas com uma parada em Reykjavik, também cobra pelas refeições a bordo. Uma salada Caesar com frango ou um sanduíche de peru custa entre US$ 10 e US$ 12,70, enquanto a cerveja custa US$ 9.

A partir do primeiro semestre de 2017, voos domésticos da Latam em seis países, incluindo Brasil, irão adotar um novo sistema de tarifas. Segundo a empresa, a partir de uma tarifa básica mais econômica, o cliente poderá adicionar opções que hoje estão incluídas no preço da passagem, como refeição a bordo, assentos preferenciais, capacidade de mudar o voo e outros serviços adicionais que desejarem. O novo modelo “será mais transparente em relação às tarifas existentes e sobre o que vem incluído em cada uma delas”, informou a LATAM, companhia aérea responsável pelos voos da LAN e da TAM no Chile, Colômbia, Peru, Equador, Argentina e Brasil.