27 de Setembro, 2016 - 09:30 ( Brasília )

Aviação

Militar relata impressões sobre exercício de busca e salvamento no Canadá

Como observador, militar do Esquadrão Pelicano acompanhou treinamento encerrado no domingo (24/09)

Ten Jussara Peccini


A Força Aérea Brasileira participou pela segunda vez do exercício anual de busca e salvamento realizado pela Real Força Aérea Canadense (SAREX 2016). O treinamento, que se encerrou no último sábado (24/09), envolveu nove esquadrões canadenses especializados e reuniu cerca de 200 participantes. O país da América do Norte é considerado uma referência mundial na área.

O Major Leonardo Machado Guimarães, Chefe de Operações do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV), foi um dos 12 militares estrangeiros que acompanharam o treinamento realizado em Yellowknife, capital dos Territórios do Noroeste. Além do Brasil, participaram como observadores representantes da Noruega (4), México (5) e Chile (2). Ao longo de uma semana, o exercício incluiu atividades de buscas aéreas e terrestres, respostas médicas, saltos de precisão de paraquedistas, além de resgates na terra e no mar.

“As palavras chaves para descrever a busca e salvamento no Canadá, bem como toda a execução do exercício, são seriedade e profissionalismo”, avalia o Major Machado. “O Brasil, assim como o Canadá, é um país signatário da ICAO [Organização da Aviação Civil Internacional], cumprindo a regulamentação internacional prevista para a busca e salvamento. Assim sendo, temos várias semelhanças. Dos países observadores presentes, com certeza éramos os mais semelhantes ao Canadá”, complementa. Semelhante ao exercício SAREX, o Brasil realiza anualmente o exercício Carranca.

Segundo o oficial, o sistema brasileiro difere do canadense em alguns aspectos. A guarda costeira atua somente com meios navais. Os esquadrões da força aérea exercem exclusivamente o cumprimento de missões SAR. “Eles não recebem treinamento para atuarem em combate, ou fazer outro tipo de missões. Isto permite a eles manter com mais facilidade seu adestramento”, relata.

Outro aspecto que diferencia os sistemas entre os dois países envolve o equipamento usado para cumprir a missão. “O Canadá, com uma área territorial ligeiramente maior que a do Brasil, possui equipamento de ponta para suas missões”, explica sobre o uso de aviões como o C-130 e o Casa 212 e os helicópteros H-101 e BELL 412.

O Brasil substituirá as aeronaves usadas pelo Esquadrão Pelicano, única unidade da FAB especializada na busca e salvamento. Em 2017, deve receber o primeiro S-105 Amazonas com a configuração SAR, o que inclui o FLIR – sistema de imageamento infravermelho. Os helicópteros também deverão ser substituídos. “Nossa capacidade operacional estará no mesmo nível dos canadenses, em alguns pontos, até na frente, como será o caso da operação com FLIR , que o Canadá não faz uso”, compara.

O sistema de resposta de busca e salvamento do Canadá envolve muitos órgãos governamentais nacionais e provinciais, incluindo áreas de defesa nacional, segurança pública, pesca e oceanos, transportes, além de organizações não governamentais. A responsabilidade SAR das Forças Armadas Canadenses é prover resgate aeronáutico e coordenar os sistemas SAR aeronáutico e marítimo.

No extremo norte - A organização do exercício SAREX neste ano ficou sob responsabilidade do Esquadrão SAR 413 – Greenwwood. Foi a primeira vez que a unidade responsável organiza o exercício em uma cidade diferente de sua sede. A cidade de Yellowknife, localizada a cerca de 400 km do círculo polar ártico, foi escolhida por representar um desafio logístico uma das maiores províncias, menos habilitada e com condições extremas de clima.

“Yellowknife foi uma grande experiência profissional. A pequena cidade do interior do Canadá, cheia de belas paisagens, e um dos melhores lugares do mundo para se ver a aurora boreal, mostrou-se hospitaleira e esforçada na tarefa de apoiar os militares. O desafio canadense de operar em região tão distante e inóspita foi concluído com sucesso. O planejamento e a logística demonstraram ser pontos fundamentais”, conclui.