23 de Agosto, 2016 - 10:30 ( Brasília )

Aviação

Planador quase espacial leva ciência climática às alturas


Melhor que balão

Começam neste mês de Agosto, na Argentina, os primeiros testes de voo de um planador que deverá voar mais alto do que qualquer outra aeronave já pilotada.

E a equipe sonha ainda mais alto, esperando que futuras versões do planador possam chegar até a fronteira do espaço.

O objetivo é criar uma nova plataforma de pesquisas científicas que feche o hiato entre os aviões e os balões de grande altitude.

Na verdade, embora não atinja as mesmas altitudes, um planador pode ser superior a um balão porque este é um veículo passivo de coleta de dados, seguindo o rumo que os ventos sopram, enquanto o planador pode ser controlado para estudar pontos e altitudes específicas.

Planador quase espacial

O Perlan 2 foi projetado depois dos primeiros experimentos com seu antecessor, que era um planador comercial modificado e que bateu o recorde de altitude de voo para um planador pilotado, chegando a 15.445 metros.

Esta nova versão foi projetada para atingir 27.000 metros de altitude, onde a densidade do ar é cerca de 2% daquela ao nível do mar. Nos testes deste mês na Argentina, contudo, a equipe limitará os voos à casa dos 15.000-18.000 metros.

Os 27.000 metros deverão ser atingidos em 2017, o que ajudará a projetar o Perlan 3, que deverá superar os 30.000 metros, sem limitações para as tentativas.


Planador científico

O planador científico leva a bordo instrumentos para medir a concentração de aerossóis e de gases de efeito estufa, incluindo ozônio, metano e vapor d'água. Ele também coletará informações sobre a troca de gases e energia entre as duas camadas mais baixas da atmosfera terrestre, a troposfera e a estratosfera.

Esses dados deverão ajudar a melhorar os modelos climáticos, que hoje ainda não levam esses efeitos em conta, contendo incertezas cientificamente inaceitáveis sobre a concentração e o comportamento do vapor d'água acima da superfície.

O projeto Perlan foi fundado pelo piloto de testes da NASA Einar Enevoldson, que sonhava em surfar ondas formadas pelas nuvens estratosféricas polares, um tipo único de nuvem de gelo que ajuda a eliminar o excesso de ozônio. O nome do planador significa pérola em islandês - as nuvens que ele vai surfar são conhecidas como pérola por causa do seu brilho iridescente.

Com a morte de Enevoldson, o grupo Airbus encampou o projeto e passou a financiar a construção das aeronaves.


Fonte: inovacaotecnologica.com.br