04 de Junho, 2016 - 13:30 ( Brasília )

Aviação

AIRBUS - As consequências do próprio sucesso


 

Os baixos preços do petróleo estão injetando uma dose de cautela nos planos de produção da Airbus Group SE, num momento em que a fabricante europeia de aeronaves enfrenta dificuldades para entregar mais aviões.

A Airbus planeja chegar a 2019 fabricando 60 aviões A320 de um corredor por mês, comparado com cerca de 45 que produz atualmente, depois de registrar um número recorde de encomendas do avião por vários anos e ver a lista de pedidos não entregues (“backlog”) se avolumar. A Airbus já cogitou aumentar ainda mais a produção, mas Tom Williams, diretor de operações da divisão de jatos da gigante europeia, disse que, “com o preço de combustível do jeito que está, essa é uma opção mais desafiadora”.

Há alguns anos, o alto custo do combustível aumentou as encomendas do mais novo avião de corredor único da Airbus, batizado de A320neo, que oferece uma economia de combustível 15% maior. Mas à medida que os preços do petróleo caíram e a Airbus ficou com sua produção de A320 para os próximos anos totalmente vendida, as companhias aéreas estão hesitando em pagar um prêmio pelo neo, um modelo mais econômico, mas também mais caro.

O impacto dos atuais preços do combustível na demanda precisa ser avaliado antes que a empresa tome uma decisão sobre um aumento na produção, disse Williams, sobretudo em vista dos investimentos de capital que a empresa teria de fazer e o esforço que a iniciativa exigiria dos fornecedores.

A Airbus já está penando para atingir seu objetivo de fabricar mais aviões. Depois de um início lento, em termos de entregas de jatos, de um ano que a Airbus define como crucial para seus planos de aumentar a produção, os executivos da empresa disseram, ontem, que ainda vão atingir as metas e chegar a um novo recorde de produção até o fim do ano.

Cumprir a meta para o ano inteiro é “um desafio muito grande”, disse Williams.

A prometida entrega de 650 aviões este ano provavelmente será definida no último momento, disseram executivos da Airbus. Apenas 177 aviões foram entregues nos primeiros quatro meses do ano. A Airbus e os fornecedores continuam tendo dificuldades com a produção tanto do novo A350, um avião de longo alcance, quanto do A320neo, devido a atrasos na fabricação do motor.

A Airbus tem muitos A320neo aviões já prontos, esperando ociosos pelos motores da divisão Pratt & Whitney, da United Technologies Corp. “Ultimamente estamos fabricando planadores”, brincou Williams.

As entregas da Pratt & Whitney foram prejudicadas, em parte, pela necessidade de introduzir melhorias no motor para resolver problemas técnicos iniciais. A Pratt & Whitney afirmou anteriormente que estava fazendo progressos na fabricação dos motores para o A320neo.

Williams disse que a Pratt & Whitney teve diversos problemas, o que deixou os clientes insatisfeitos. A variedade dos problemas tem sido uma preocupação, disse Williams, acrescentando que a Airbus vai manter o foco na fabricante de motores para garantir o cumprimento das metas.

Williams disse que os motores necessários estão começando a aparecer e que, logo que chegarem, o ritmo das entregas pode se acelerar rapidamente. Williams expressou “confiança” na recuperação das entregas, embora a Airbus planeje aumentar as vendas dos modelos A320 mais antigos para evitar lacunas nas entregas.

O A320neo também tem um modelo equipado com motor de um segundo fornecedor, uma joint venture entre a General Electric Co. e a francesa Safran SA . As autoridades de segurança estão prestes a aprovar o avião, afirmou a Airbus.

Outra dor de cabeça para a empresa é atingir seu objetivo de entregar pelo menos 50 jatos A350 de longo alcance, que teve apenas nove unidades entregues até agora no ano. “O início do ano foi realmente prejudicado pela falta de equipamentos de cabine”, disse Didier Evrard, vice-presidente executivo de programas. A Airbus precisou acrescentar recursos para recolocar o programa no cronograma planejado, disse.

Os fornecedores não são o único problema. A Airbus também teve dificuldades com alguns componentes que chegaram à divisão de montagem final, em Toulouse, não totalmente concluídos, disse Williams. Embora tenha havido progressos, ele reconhece que há mais trabalho a ser feito.

“A meta continua totalmente ao nosso alcance, mas virá com um nível altíssimo de esforço”, disse Evrard, embora executivos da empresa reconheçam que a corrida pode se definir apenas na linha de chegada.

A Airbus vem considerando aumentar a produção futura do A350, cuja meta atual é de dez unidades por mês em 2018. Por enquanto, porém, a empresa está mantendo as metas e se concentrando nos desafios de curto prazo da produção.

Williams disse que a produção do primeiro A350-1000, um modelo maior que o atualmente em serviço, também está avançando bem. O avião deve levantar voo pela primeira vez por volta de setembro, disse, com as primeiras entregas programadas para 2017.