20 de Junho, 2015 - 11:40 ( Brasília )

Aviação

FAB - O piloto de transporte deve aprender a liderar uma equipe de militares

A partir da saída da Academia da Força Aérea, o piloto que escolher a aviação de transporte aprende a voar no C-95 Bandeirante

O Aspirante David Kennedy de Sousa dos Santos deixou há pouco tempo a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), e já aprendeu uma lição importante: o piloto de transporte deve ser o líder de uma equipe em voo. Esse e outros ensinamentos são passados a aproximadamente 65 aspirantes que passam anualmente pelo Esquadrão Rumba (1°/5° GAV), sediado em Natal (RN). A unidade é responsável pela formação operacional dos pilotos de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB).

Paulista, de 24 anos, o Aspirante David explica que além da adaptação à nova aeronave - o C-95 Bandeirante - e à nova doutrina, o primeiro passo do piloto de transporte é aprender o CRM (do inglês, Crew Resource Management), que é basicamente a divisão de tarefas em uma tripulação.

Por exemplo, na aeronave C-95 Bandeirante, o primeiro piloto chefia a equipe, faz ajustes de rotas e assume outras responsabilidades. Já o segundo piloto, executa o recolhimento do flap e do trem de pouso e é responsável pela comunicação com a torre de controle. O mecânico, em casos de emergência, consulta o manual da aeronave e revela quais os procedimentos a serem tomados.

“Na aviação de transporte não se faz nada sozinho. É todo um trabalho de grupo. Esse foi um dos fatores que me fez escolher essa aviação”, diz o piloto que também foi motivado pelos novos projetos de reaparelhamento do transporte, como o cargueiro KC-390, que deve chegar à FAB em 2016.

O papel da FAB na Amazônia foi o fator determinante na escolha do Aspirante David pela aviação de transporte. “A missão da FAB na Amazônia é uma missão diferenciada. Nós temos a oportunidade de ajudar concretamente a população brasileira, por exemplo, os indígenas e os militares do Exército que ficam nos pelotões de fronteira”, complementou.

Formação

A formação de oito meses no Esquadrão Rumba também envolve uma fase de instrumento, outra de formatura (voo com outras aeronaves) e uma etapa de navegação (onde os pilotos são testados em novas cidades, novos cenários). Por último, os aviadores aprendem os procedimentos do lançamento de paraquedistas e de carga.

Após o primeiro período de formação, os pilotos vão para os Esquadrões de Transporte Aéreo, sediados Manaus (AM), Belém (PA), Recife (PE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Canoas (RS) e Brasília (DF). Nessas unidades, eles voam, além do C-95 Bandeirante, o C-97 Brasília e o C-98 Caravan, e têm a oportunidade de cumprir missões reais como transporte de órgãos, apoio a Pelotões Especiais de Fronteira na Amazônia e a populações indígenas, e completam a formação deles.

Após a passagem por essas unidades aéreas, os pilotos podem ir para os outros esquadrões de transporte da FAB que operam também as aeronaves C-130 Hércules, C-105 Amazonas, C-99 (ERJ-145) e U-35 Learjet. Eles cumprem missões que vão do lançamento de paraquedistas em território inimigo até o transporte de ajuda humanitária.

“A aviação de Transporte é importante para a nação brasileira por realizar missões em diversos cenários: da selva à Antártida, transportando tropas e cargas aos locais mais distantes”, disse o instrutor do esquadrão Rumba, Capitão Aviador Fernando Sousa Honorato.