11 de Junho, 2015 - 10:00 ( Brasília )

Aviação

SAFRAN Turbomeca espera que Brasil reveja regras de nacionalização



Júlio Ottoboni
Especial DefesaNet


Lider de mercado de turbinas de helicopteros e presente no Brasil desde 1977, a francesa SAFRAN Turbomeca espera retomar que as novas ações do governo federal, não debilitando tanto quanto se esperava o Ministério da Defesa, crie condições para um recuperação do setor. Mas junto a isso um nova visão sobre processos burocráticos e de entendimento que travam a ampliação de negócios. Isso torna praticamente impossível que se veja a fabricar turbinas no país.

“Existe no Brasil uma política de conteúdo nacional que só se justifica se for sustentável para a fabricação, o custo da mão de obra não é competitivo. A do México, por exemplo, é 30% mais barata que a daqui “, explica o presidente da empresa Turbomeca Brasil e representante da SAFRAN no Brasil, François Haas, em entrevista exclusiva ao DefesaNet. 

A Turbomeca mantém  um oficina especializada em reparos e revisões de turbinas para o segmento de helicópteros, petróleo e industrial em Xerém (RJ) desde 1980. Com contratos com a HELIBRAS, com as Forças Armadas brasileiras, além de diversos outros países latino americanos, a empresa entende que o momento local é delicado. O mesmo cenário deverá se repetir em 2016. Esse ano está sendo considerado um dos piores que a companhia já atravessou no país.

“Atendemos do México até a Argentina e também recebemos turbinas dos Estados Unidos, Europa e Ásia para mantermos a fábrica de Xerém, nossa matriz tem nos enviado parte dessas novas encomendas”, comenta Haas.

Esse esforço tem mantido uma equipe com 200 funcionários altamente qualificados, entre técnicos e engenheiros, especialistas em logística e pessoal administrativo na fábrica situada no Estado do Rio de Janeiro. Apenas o mercado interno não sustentaria a Turbomeca no Brasil, mesmo ela tendo sua marca em 55% das turbinas de helicópteros usadas no país.

A unidade de Xerém tem capacidade para atender a 250 turbinas por ano em revisões gerais e atualmente tem uma demanda de 150 unidades. A divisão da carga produtiva consiste em 50% de turbinas nacionais, 30% da América Latina e 20% do restante do mundo. As peças de reposição são importadas da França, sede da empresa.

A política de nacionalização existente no Brasil, em regime de off set, não entende que reparos e revisões de turbinas provenientes do exterior executados no Brasil, mesmo que altamente especializadas, sejam contabilizados como conteúdo  nacional. A manutenção completa de uma turbina se dá a cada 5 anos de seus 30 anos de vida útil.

O BNDES só considera o conteúdo nacional do motor novo e completamente produzido no país. Mesmo que ainda se produza  reparos e revisões durante toda a vida do produto em solo brasileiro e a mão de obra seja toda nacional.

“Xerém hoje só se sustenta por trazermos motores de fora e isso não é considerado como conteúdo local. Precisamos ter um debate sobre essa visão, sobre esse modelo de negócio que adotamos. Com as  Forças Armadas já evoluímos muito neste sentido, só que o mercado brasileiro não se sustenta, é preciso exportar como na Europa. O BNDES tem regras de cálculos de nacionalização que precisam se adaptar a realidade do mercado, que é fundamental para nosso futuro”, analisa o presidente da companhia.

Novamente o exemplo do México, que tem disputado os investimentos com o Brasil palmo a palmo, é válido. O governo mexicano não exige conteúdo local de produtos fabricados no país, a contrapartida exigida é capacidades industriais e geração de empregos que sustentem a produtividade. Com isso se tornam muito mais atraentes e competitivos.

“As regras de exportação ainda precisam se melhoradas, mas já ganhamos mais agilidade com a Receita Federal. A burocracia que emperra o processo, são regras feitas no passado e precisam se adequar aos processos industriais mais eficientes e globalizados. Outros países avançam nas suas normas de maneira a se tornarem mais flexíveis e atraentes, isso precisa também ocorrer no Brasil”,  reconhece o executivo da Turbomeca.

Em 2012 a Turbomeca inaugurou a expansão de suas instalações em Xerém RJ) para  a montagem das turbinas Makila 2, que equipa o helicóptero H225M (nova designação do EC-725) do Programa H-XBR. Também monta a Unidade Auxiliar de Força (APU) SAPHIR 20, sob licença da também francesa Microturbo.

O investimento de 10 Milhões de Euros tornou a unidade brasileira,  um importante centro mundial para a organização Turbomeca em apoio aos usuários de helicópteros equipados com a turbina MAKILA 2, incluindo operadores civis e militares.

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