19 de Maio, 2015 - 10:25 ( Brasília )

Aviação

Aviação de Patrulha da FAB

Há 73 anos, a patrulha protege as riquezas marítimas do Brasil e também salva vidas

Uma aviação multitarefas capaz de vigiar o litoral brasileiro, proteger as riquezas marítimas do Brasil e cumprir uma das mais nobres missões: salvar vidas. Essa é a Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira (FAB), responsável por monitorar uma área equivalente a aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados sobre o mar territorial do País.

Dotada de aeronaves com modernos sensores e radares, a patrulha atua 24 horas por dia em prol da população brasileira. Durante essa semana, a FAB apresenta um especial sobre essa aviação, que celebra 73 anos do seu batismo de fogo no dia 22 de maio.

Três esquadrões da FAB, estrategicamente posicionados em Belém (PA), Salvador (BA) e Florianópolis (SC), realizam esse trabalho sobre o Oceano Atlântico. Os patrulheiros, como são conhecidos os militares dessa aviação, têm papel importante para o País. “Hoje, nós somos responsáveis por manter a segurança do mar territorial, incluindo as nossas jazidas de petróleo do pré-sal.

Realizamos o trabalho necessário para que essa atividade econômica seja garantida para o povo brasileiro”, explica o Comandante da Segunda Força Aérea (II FAE), Brigadeiro do Ar Roberto Ferreira Pitrez. A unidade é responsável pelo preparo e emprego operacional
da Aviação de Patrulha.

Os patrulheiros também atuam contra crimes ambientais e atividades ilícitas nas águas jurisdicionais brasileiras. Em conjunto com a Marinha, os militares da Força Aérea vigiam todo o litoral. “Percorrendo grandes distâncias com velocidade, a FAB consegue cobrir uma área maior e de forma mais rápida. As informações obtidas pelas aeronaves são repassadas aos navios da Marinha que podem, então, concentrar seus esforços nos locais indicados”, conta o Brigadeiro Pitrez.

Aeronaves

Preparadas para guerra, as aeronaves de patrulha são capazes de detectar, identificar e neutralizar ou destruir ameaças marítimas como navios inimigos e até submarinos. Dois tipos de aviões fazem o patrulhamento do mar brasileiro: o P-95 Bandeirulha, operado pelos Esquadrões Netuno (3°/7°GAV) e Phoenix (2°/7°GAV), e o P-3 Orion, do Esquadrão Orungan (1°/7°GAV).

O nariz mais alongado, onde está localizado o radar, é uma das principais características do Bandeirulha. Além de patrulha marítima e busca e salvamento, a aeronave realiza reconhecimento aéreo, inteligência operacional, posto de comunicações no ar e o controle aéreo avançado. Atualmente, o P-95 passa por um processo de modernização que permitirá maior alcance de comunicação e aumentará a capacidade de encontrar e identificar objetos sobre a superfície.

Já o P-3 tem a frota totalmente modernizada e possui uma das mais avançadas tecnologias embarcadas. Esse é o único avião da FAB capaz de realizar missão antissubmarino. Os equipamentos e armamentos podem detectar, localizar, monitorar e destruir os alvos submersos. Com uma autonomia de 16 horas de voo, é possível ir à África e retornar ao Brasil em uma única decolagem.

Busca e Salvamento

A Aviação de Patrulha também faz parte de uma rede de busca e salvamento conhecida como SAR, do inglês Search and Rescue. Os esquadrões realizam esse tipo de missão na busca de náufragos, embarcações e aeronaves perdidas ou acidentadas em alto-mar. As tecnologias de radares e sensores a bordo dos aviões auxiliam na busca e localização. Além disso, militares especializados, chamados de observadores SAR, fazem uma busca visual para encontrar a pessoa ou o objeto que está a deriva.

O Sargento Wesley Lemos do Nascimento, do Esquadrão Orungan, atua nesta função e revela o sentimento por trabalhar na atividade de busca e salvamento. “Fazer parte desse tipo de missão, podendo ajudar uma pessoa que está necessitada, é uma satisfação difícil de descrever, é algo imensurável”, finaliza.

Os esquadrões são preparados para realizar missões de busca no oceano

“Quando vimos uma aeronave branca, de nariz avantajado e preto, soubemos que era a Força Aérea Brasileira que nos sobrevoava. Percebemos, então, que era uma questão de tempo para que o resgate chegasse. E assim foi...”.

O depoimento descreve o momento de alívio de três mergulhadores ao avistarem uma aeronave P-95 Bandeirulha da FAB. Eles estavam à deriva a cerca de 37 quilômetros de Fernando de Noronha. Foram quase 24 horas em meio ao oceano, lutando por sobrevivência depois de se perderem do barco. O caso só não terminou em tragédia, graças à ajuda da Aviação de Patrulha, especializada em missões sobre o mar.

Era junho de 1998. Empolgados com as belezas naturais de Fernando de Noronha, Maurício de Oliveira Vilella, Marcelo Claudio Martins Rodrigues e Ronaldo Bastos Fraucine Filho decidiram estender o tempo de mergulho na região. Ao voltarem à superfície, perderam o contato com o barco em que estavam. “Começou, então, o desespero, visto que a corrente predominante não permitiria que nadássemos até a praia.

Resolvemos amarrar-nos uns aos outros, para que as ondas não nos separassem e passamos a conversar, uma vez que só restava esperar”, explicaram os mergulhadores quando chegaram ao porto do arquipélago, após o resgate.

A Marinha do Brasil calculou a posição estimada dos mergulhadores por meio de informações da correnteza marítima na área em que mergulhavam. O Esquadrão Orungan, que à época operava o P-95 Bandeirulha, foi acionado. “Encontrar uma pessoa boiando no mar, apenas por meios visuais, a olho nu, era a maior dificuldade, e só poderia ser realizada à luz do dia”, explica o então comandante da aeronave acionada para a missão, Coronel Alcides Barbosa Junior, na época no posto de Capitão.

Detalhe verde e amarelo

Ao avistarem o P-95, os mergulhadores começaram a acenar na tentativa de serem encontrados pelos militares da FAB. E um detalhe, de cor verde e amarela, fez a diferença. “Pelo menos dois dos mergulhadores usavam nadadeiras coloridas e isso foi decisivo para encontrá-los”, revela o Coronel Barbosa Jr. Assim que foram localizados, um marcador foi lançado para facilitar a visualização e a posição dos mergulhadores foi transmitida à Marinha, que partiu imediatamente para o resgate.

Na época, o pai de um dos mergulhadores escreveu uma carta de agradecimento à FAB. “A eficiência, a dedicação e a solidariedade humana dos envolvidos na operação, bem como a organização da Força Aérea Brasileira fazem com que me ufane de ser brasileiro e tornam-me, como progenitor de Mauricio de Oliveira Vilella, um dos resgatados, eternamente grato”, dizia um trecho do documento.

De acordo com o Comandante do P-95, a missão foi inesquecível. “Naquele dia, dois momentos me marcaram para sempre. O primeiro foi exatamente o de visualizar os três juntos boiando com vida. Quando os tripulantes viram os mergulhadores, uma felicidade muito grande tomou conta da aeronave. O segundo foi quando os encontramos no porto de Fernando de Noronha. Conversar com os resgatados foi emocionante. Creio que foi o momento mais gratificante de minha carreira operacional. Devolver aqueles jovens vivos às suas famílias tem um valor inestimável”, ressalta.

Após serem resgatados, os mergulhadores agradeceram aos militares da FAB. “Entendemos, por meio dessa experiência, que a atuação da Força Aérea Brasileira vai muito além da defesa e da manutenção da soberania da Pátria; ela também integra nosso vasto País e assiste a sua população. Busca e resgata”, afirmaram.

Busca e Salvamento sobre o mar

Em coordenação com a Marinha do Brasil, a Aviação de Patrulha da FAB realiza missões de busca e salvamento sobre o mar. Por força de acordos internacionais, o Brasil tem responsabilidade desse tipo de atividade em uma gigantesca faixa de Oceano até o meridiano 10° Oeste. Para se ter uma ideia, o território continental brasileiro tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados, aproximadamente. Já sobre o mar, são mais 13,5 milhões de quilômetros quadrados.

Para cobrir essa área, os três esquadrões da Aviação de Patrulha contam com aeronaves P-95 Bandeirulha baseadas em Belém (PA) e Florianópolis (SC), e P-3AM Orion, com sede em Salvador (BA). O P-95 pode realizar voos de sete horas e 30 minutos de duração, enquanto o P-3AM pode permanecer em voo por até 16 horas.

Em 2015, já foram realizadas missões reais, como a localização do barco de um aventureiro holandês que estava a mais de 800 km da costa. Outras unidades da FAB equipadas com aviões, como o SC-105 Amazonas e o C-130 Hércules, além de helicópteros H-1H, H-36 Caracal, H-34 Super Puma e H-60 Black Hawk também participam dessas missões.