23 de Março, 2015 - 01:00 ( Brasília )

Aviação

BOEING - EXIMBANK - Parceria Publico Privada

Boeing ajuda a definir regras de banco dos EUA que financia exportações. Segundo e-mails examinados pelo The Wall Street Journal, o Ex-Im Bank trabalhou com a Boeing para elaborar regras que satisfizessem as críticas do Congresso e do setor de aviação com

 



Quando o Export-Import Bank, o banco de incentivo a exportação dos Estados Unidos, tentou responder às críticas defendendo regras mais severas para vendas de aeronaves, ele afetou uma empresa com um interesse velado no desenlace: a Boeing Co., a maior beneficiária da assistência oferecida pela instituição.

Ao longo de meses em 2012, de acordo com cerca de 50 páginas de e-mails examinados pelo The Wall Street Journal, o banco trabalhou com a Boeing para elaborar regras que satisfizessem as críticas do Congresso e do setor de aviação comercial dos EUA — embora tenha deixado ilesa a maior parte das exportações dos aviões da Boeing.

O Ex-Im Bank, que ajuda a financiar a compra das exportações americanas através de empréstimos e garantias, é alvo do Partido Republicano, que quer acabar com a instituição, em parte porque acredita que o banco atua principalmente para subsidiar grandes empresas americanas. Os e-mails da Boeing devem aquecer essa discussão.

Os documentos, que não haviam sido divulgados antes e foram obtidos pelo WSJ por meio de solicitação de acesso a registros abertos, mostram como os dois lados trocaram ideias, rascunhos e dados sobre vendas de grandes aviões. Autoridades do Ex-Im Bank pressionavam profissionais da Boeing por informações. A companhia sugeriu mudanças no rascunho da proposta do banco.

Eles revelam um nível extraordinário de coordenação entre autoridades públicas e executivos de empresas. Em uma das mensagens, Bob Morin, então o chefe de financiamento de aeronaves do banco, faz um apelo: “Se a Boeing espera que o Eximbank continue a apoiar os aviões de grande porte, precisamos acertar isso.”

Quando o Congresso renovou a licença do Ex-Im Bank, em 2012, foi exigido que o banco publicasse sua metodologia para determinar quais transações tinham sido significativas o suficiente para desencadear uma “avaliação de impacto econômico” adicional e uma rejeição em potencial.

A exigência não incluiu especificamente compras de aviões, mas a Delta Air Lines Ince alguns legisladores quiseram que o banco também incluísse essas aquisições nas regras. Foi quando a Boeing e o Ex-Im Bank começaram a discutir como a regra deveria ser redigida.

Muitos dos e-mails entre o banco e a Boeing se referem às diretrizes que o Ex-Im Bank estava criando para determinar quais transações de aeronaves desencadeariam uma avaliação adicional.

A colaboração parece ter funcionado. Nos quase dois anos desde que a regra entrou em vigor, nenhuma venda da Boeing foi vetada.

O provável candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Jeb Bush, recentemente se uniu ao coro dos conservadores ao questionou o propósito do banco. A atual autorização do banco expira em 30 de junho e o lobby está ganhando força.

Os executivos da Boeing não quiseram comentar sobre os e-mails. Segundo Tim Myers, diretor-superintendente da Boeing Capital Corp., o braço de financiamento de aeronaves da empresa, seria “natural” ao banco pedir ajuda à Boeing, já que ela é a única fabricante do país de aeronaves comerciais de fuselagem longa.

Matt Bevens, porta-voz do Eximbank, disse que outros países possuem suas próprias agências de exportação, mas o Eximbank é o único que analisa o impacto econômico de suas transações. Bevens, falando em nome dos empregados nomeados nos e-mails, disse que o banco desenvolveu as novas orientações voluntariamente e que teria sido “irresponsável” se não tivesse consultado a única fabricante americana da aeronave comercial.

Matt Bevens, um porta-voz do Ex-Im, disse que outros bancos têm suas próprias agências de financiamento, mas que o Ex-Im é o único que avalia o impacto econômico de suas transações. O Brasil, por exemplo, possui o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que já foi utilizado por clientes da Embraer.

Bevens, falando em nome dos funcionários individuais citados nos e-mails, disse que o banco desenvolveu novas diretrizes voluntariamente e que teria sido “irresponsável” se não tivesse consultado a única fabricante americana de aviões comerciais.

Os defensores do Ex-Im dizem que as companhias aéreas estrangeiras comprariam aviões da concorrente europeia Airbus Group NV sem o financiamento do banco. Os clientes da Boeing estão entre os maiores recebedores das garantias de empréstimo do Ex-Im Bank. No mais recente ano fiscal encerado em 30 de setembro de 2014, o banco ajudou a Boeing a vender 61 aviões de fuselagem larga para empresas estrangeiras garantindo mais de US$ 7 bilhões em financiamentos.

No total, naquele ano fiscal, o banco garantiu US$ 20,5 bilhões em financiamentos para as exportações americanas. O banco cobra uma tarifa sobre os empréstimos e obteve US$ 675 milhões em lucro, encaminhado ao Tesouro dos EUA.

Mesmo assim, enquanto o banco ajuda alguns exportadores americanos, ele irrita outras empresas do país. Uma delas, a companhia aérea Delta, afirma que o financiamento do banco dá a rivais como Emirates Airline, Thai Airways International PLC e Air India uma vantagem em suas compras de aeronaves que não está disponível para as empresas americanas. Para algumas companhias aéreas estrangeiras, o financiamento do Ex-Im Bank pode ser mais barato que os empréstimos comerciais padrões.