15 de Fevereiro, 2015 - 14:56 ( Brasília )

Aviação

BOMBARDIER crise financeira e incertezas

Bombardier troca liderança em meio a crise financeira e incertezas. Alain Bellemare, veterano da United Technologies Corp., foi indicado para presidir a Bombardier em substituição a Pierre Beaudoin, neto do fundador Joseph-Armand Bombardier.


Paul Vieira


A companhia Bombardier  uma das empresas de controle familiar mais tradicionais do Canadá, tomou a importante decisão de transferir o controle do dia a dia de suas operações para um executivo contratado diante das preocupações crescentes com a capacidade da fabricante de aviões e trens de executar sua estratégia no setor aeroespacial e lidar com uma crise financeira.

A Bombardier informou que Pierre Beaudoin, neto do fundador Joseph-Armand Bombardier, irá deixar o cargo de diretor-presidente e diretor-superintendente para se tornar o presidente executivo do conselho de administração.

A empresa nomeou Alain Bellemare, veterano da United Technologies Corp., que até o mês passado comandou a divisão aeroespacial da empresa americana, como diretor-presidente a partir de hoje.

A troca na cúpula — incluindo a aposentadoria do pai de Beaudoin, Laurent Beaudoin, do cargo de presidente do conselho depois de 50 anos — faz parte das amplas mudanças que a empresa anunciou com a divulgação de seu resultado trimestral mais recente, que também inclui a suspensão do pagamento de dividendos e uma nova rodada de financiamento de até US$ 2,1 bilhões.

A mudança ocorre depois de a empresa ter alertado em janeiro que faria uma baixa contábil de US$ 1,4 bilhão para cobrir o cancelamento de um projeto de avião da divisão Learjet e que as margens em suas divisões aeroespaciais e de transporte estavam mais fracas que o esperado.

O alerta provocou uma queda expressiva nas ações em meio a temores de que as margens apertadas da Bombardier e a falta de novos pedidos poderiam reduzir o fluxo de caixa e colocar a empresa em risco de violar os acordos com bancos credores, que exigem mais de US$ 1 bilhão em liquidez no fim de cada trimestre.

Para tentar aliviar as preocupações com o fluxo de caixa, a Bombardier informou ontem que vai reforçar seu balanço financeiro com a emissão de US$ 600 milhões em ações e até US$ 1,5 bilhão em títulos de dívida. Ela também informou que exploraria alternativas como a venda de ativos.

A Bombardier tem uma estrutura de ações de duas classes e a família controladora tem 54% dos votos ao deter 79,2% das ações de classe A e 0,08% das Bellemare é a primeira pessoa de fora da família a comandar a Bombardier desde Paul Tellier, um ex-presidente da Canadian National Railway que dirigiu a Bombardier por cerca de dois anos até ser demitido em 2004. A Bombardier vive um momento de incerteza.

No mês passado, ela informou que suspenderá a produção de um novo modelo da Learjet, resultando na demissão de cerca de 1.000 empregados.

Também há a preocupação sobre a capacidade da empresa de cumprir o cronograma para a entrega do novo avião CSeries até o fim de 2015. O jato deve competir com a Embraer e as titãs aeroespaciais Boeing Co. e Airbus na categoria de mais de 100 assentos, mas ele vem enfrentando atrasos e problemas técnicos. e Airbus na categoria de mais de 100 assentos, mas ele vem enfrentando atrasos e problemas técnicos.

A Bombardier anunciou a suspensão do pagamento de dividendos para as suas duas classes de ações, para economizar até US$ 250 milhões. Ela informou que fechou o quarto trimestre de 2014 com prejuízo de US$ 1,59 bilhão, ante lucro de US$ 97 milhões no mesmo período de 2013. A receita cresceu ligeiramente, para US$ 5,96 bilhões.