06 de Janeiro, 2015 - 17:45 ( Brasília )

Aviação

F-35 terá canhão inoperante até 2019

“Glitch” em software é o problema mais recente do caça que está custando quase 400 bilhões de dólares aos contribuintes americanos

David Millward – Texto do The Telegraph via Business Insider
Tradução, adaptação e edição – Nicholle Murmel

 

O F-35, avião de caça stealth tão alardeado, já tem um lote fresco de problemas por conta de uma falha de software que impede a aeronave de operar seu canhão embarcado.

Ainda que a máquina, que custa atualmente quase 400 bilhões de dólares aos contribuintes americanos, entre em serviço este ano, relatórios atestam que levará mais quatro anos para que ela consiga disparar o canhão.

Esse é mais um embaraço para o programa, que vem sendo assolado por atrasos, aumentos vertiginosos nos custos e “glitches” desde sua implantação em 2006. O custo por unidade do caça mais avançado já projetado dobrou, tornando-o também o mais caro, e a produção de larga escala das máquinas começará seis anos depois do previsto.

O programa do F-35 vinha sendo o carro-chefe do Pentágono, com 2.443 unidades previstas para serem enviadas a todas as Forças Armadas. Porém, seguno o portal Daily Beast, a aeronave ainda não tem o software necessário para operar o canhão rotativo de quatro câmaras.

Essa falha representa um problema em particular caso o F-35 seja usado para apoio de tropas em terra, pois o canhão seria mais preciso do que lançar uma bomba pequena sobre a área – esta segunda opção teria mais risco de morte e ferimentos por fogo amigo.

No primeiro semestre de 2014, o F-35 deveria ter sido a atração principal do Farnborough Air Show, mas a frota toda teve que permanecer em terra e não compareceu ao evento por conta de um incêndio em uma base aérea na Flórida em junho. Outros problemas do caça fabricado pela Lockheed Martin incluem a descoberta de que o motor pode desligar quando o combustível se aquece demais para funcionar como elemento refrigerador.

No Reino Unido, o Ministério da Defesa encomendou 14 unidades, algumas das quais já estão em teste nos EUA. Um contrato para os primeiros quatro aviões foi assinado há alguns meses, e as primeiras unidades stealth devem entrar em serviço na Real Força Aérea em Norfolk a partir de 2018.

Porém, nos EUA as críticas ao programa de desenvolvimento da aeronave só aumentam, até mesmo dentro do governo. Em janeiro de 2014, o gabinete de testes do Pentágono descreveu a performance do F-35 como “imatura”, e dois meses depois outro gabinete do governo Obama enfatizou os atrasos na entrega de softwares e questionou a eficiência deles.