22 de Julho, 2014 - 14:05 ( Brasília )

Aviação

Fotos indicam uso de míssil contra avião, apontam analistas


Análises de fotos da fuselagem do Boeing 777 da Malaysia Airlines que caiu no Leste da Ucrânia na última quinta-feira indicam que o avião pode ter sido derrubado por um míssil SA-11, uma possibilidade que já havia sido levantada por membros do governo americano. De acordo com as análises, a fuselagem apresenta marcas de estilhaços, semelhantes aos causados pelo míssil, que conta com uma ogiva fragmentadora.

- As perfurações na fuselagem são consistentes com a entrada de um objeto externo no interior da aeronave. Muitas dessas perfurações parecem ter sido causadas por projéteis de alta velocidade - afirmou Reed Foster, um analista da consultoria de defesa IHS Jane's que analisou registros fotográficos do jornal "New York Times".

De acordo com Foster, as marcas nos destroços do avião são diferentes do que se esperaria no caso de uma explosão do motor da aeronave, e se assemelham aos perfis dos mísseis antiaéreos usados para destruir aeronaves militares que se movam em alta velocidade. Esses mísseis não atingem os aviões diretamente, mas explodem ao seu lado, criando uma nuvem de estilhaços.

- Esses mísseis têm um funcionamento mais próximo do de uma espingarda do que de um rifle, colocando o máximo possível de grandes fragmentos no ar - afirmou o analista.

Usadas contra um avião civil, que não possui defesas antimísseis, as capacidades destrutivas do míssil SA-11 traria "resultados devastadores", diz Foster. Sua opinião é compartilhada por Justin Bronk, analista do Royal United Services Institute, e Douglas Barrie, do International Institute for Strategic Studies, que analisaram fotografias do jornal "Financial Times".

- O tamanho das perfurações encontradas no avião é consistente com o que se esperaria da explosão de um míssil SA-11. No entanto, é difícil analisar o padrão total da explosão com um pedaço tão pequeno da fuselagem - afirmou Bronk.

Bronk e Barrie concordam que mais testes são necessários para determinar exatamente o que aconteceu, incluindo testes químicos de resíduos explosivos. Os dois analistas, e um veterano da Força Aérea britânica entrevistado pelo "Financial Times", concordam que um grande buraco encontrado em meio aos fragmentos pode ter sido causado de dentro para fora, graças à rápida despressurização da aeronave após a explosão do míssil.

O SA-11 é um míssil grande e de longo alcance, capaz de atingir enormes altitudes em velocidade supersônica, e equipado com 20 quilos de explosivos. Após se aproximar do alvo, o sensor de proximidade detona a ogiva, liberando estilhaços pouco maiores que uma moeda. Criado por engenheiros soviéticos para combater aeronaves militares ocidentais, o SA-11 foi elaborado de maneira que, mesmo que o míssil não acerte seu alvo, e consiga escapar dos efeitos diretos de sua explosão, poucos estilhaços da nuvem possam danificar o motor ou parte dos sistemas hidráulico e de combustível da aeronave.