21 de Junho, 2011 - 10:44 ( Brasília )

Aviação

TAP ME termina reestruturação e planeja ampliar vendas à área militar


A TAP Manutenção e Engenharia (TAP ME) começou só há pouco tempo a colher os resultados de um profundo processo de reestruturação, após ter herdado dívidas e o sumiço do seu principal cliente, quando ainda era conhecida como Varig Engenharia e Manutenção (VEM), a maior empresa de manutenção da América Latina.

A TAP comprou a VEM em novembro de 2005, mas naquela época 85% do seu faturamento era gerado pela Varig, que no auge da sua crise, durante seu leilão, em julho de 2006, chegou a ficar com apenas duas aeronaves.

Além disso, a TAP ME herdou uma dívida tributária de R$ 440 milhões da VEM, que a impediu de participar de licitações da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegou a responder por 10% do seu faturamento. "Hoje todas as companhias aéreas brasileiras são nossas clientes. Temos ainda 80 empresas internacionais na carteira", afirma o presidente da TAP ME, Nestor Koch.

De acordo com ele, o faturamento da empresa ficou em US$ 110 milhões no ano passado e deverá ser de US$ 120 milhões em 2011, mas esses resultados ainda representam a metade do que a VEM chegou a faturar. A empresa tem hoje 2.230 funcionários, sendo que no auge da VEM eram 4.800 trabalhadores.

A virada na operação da TAP ME aconteceu após um investimento de cerca de US$ 300 milhões para a empresa obter a homologação de quase toda a família de aviões da fabricante europeia Airbus, exceto o A380, o maior avião em operação na aviação comercial. Isso porque a frota da Varig era padronizada com aeronaves da Boeing.

Outra medida tomada pela controladora portuguesa foi um aumento de capital, realizado no ano passado, equivalente a 20% da dívida de R$ 440 milhões herdada da VEM. Esse débito foi refinanciado por 15 anos por meio do Refis 4. Com isso, a TAP ME pode obter a Certidão Negativa de Débito (CND) para participar de licitações da FAB. Atualmente, Koch conta que a área militar responde por 4% do faturamento, mas o objetivo é alcançar 25% em três anos.

"Hoje nosso maior cliente responde por 16% do nosso faturamento. Evitamos não concentrar os resultados com apenas uma empresa para não cometer os erros que a VEM cometeu no passado", afirma Koch, que não revelou o nome da companhia.

O executivo afirma que um dos principais objetivos da TAP ME para o futuro é conquistar uma margem de lucro de 7%. Atualmente, diz ele, esse percentual está entre 0,5% e 1%. Cerca de 35% dos resultados da empresa de manutenção da TAP são gerados no Brasil. Os 65% restantes vêm do exterior.

A TAP tem 99,98% do capital da TAP ME. Os outros 0,02% estão divididos entre a Fundação Ruben Berta, antiga controladora da Varig, e o fundo de pensão Aerus. A TAP ME fará parte do processo de privatização da TAP, que deverá acontecer até o fim deste ano, após as eleições de 5 de junho em Portugal, vencidas pelo Partido Social Democrata. (AK)