14 de Junho, 2011 - 09:18 ( Brasília )

Aviação

Cinzas voltam e 30 por cento dos voos internacionais são cancelados

O Puyehue afetou novamente o tráfego aéreo mundial. A nuvem de cinzas encobriu parte do Rio Grande do Sul, provocou o cancelamento de um terço dos voos partindo do Brasil para o exterior e pode até adiar a final da Libertadores, entre Santos e Peñarol.

Renata Tranches

O caos voltou

Nuvem do vulcão Puyehue encobre áreas no Sul e prejudica um terço dos voos internacionais no Brasil. Cinzas causa transtornos também na Oceania

A nuvem de cinzas expelida pelo vulcão chileno Puyehue voltou ontem a encobrir parte do Rio Grande do Sul e provocou o cancelamento de quase um terço dos voos internacionais partindo do Brasil. Transtornos com o tráfego aéreo afetaram pelo menos seis países, e as autoridades argentinas devem declarar emergência agropecuária na Patagônia. Os aeroportos de Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai) não deveriam ser reabertos na noite de ontem, como estava previsto. A fuligem chegou à Oceania e causou a suspensão de voos na Austrália e na Nova Zelândia.

As empresas aéreas Gol e TAM cancelaram todos os voos com destino a Buenos Aires e Montevidéu. A Gol suspendeu também as viagens para Rosário, na Argentina. A Aerolíneas Argentinas e a companhia uruguaia Pluna anunciaram a paralisação das operações envolvendo esses aeroportos. Com isso, segundo boletim divulgado no site da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infreaero), até às 19h de ontem tinham sido cancelados 45 dos 147 voos internacionais programados (31% do total).

Passageiros de Brasília com destino às cidades afetadas no Cone Sul não chegaram a embarcar para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde fariam a conexão com o voo internacional. As companhias Gol e TAM informaram que estão providenciando acomodação para as pessoas em trânsito e a recolocação em outros voos. A Agência Nacional de Aviação Civil (anac) divulgou nota na qual recomenda a quem tenha partidas ou chegadas em aeroportos da Região Sul a consultar a companhia aérea antes de sair de casa. "A mesma orientação deve ser seguida pelos passageiros com destino a Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai."

Na semana passada, a nuvem de cinzas invadiu o espaço aéreo brasileiro e causou transtornos, mas depois seguiu para o Oceano Atlântico. Ontem de manhã, mais uma vez o Rio Grande do Sul ficou parcialmente encoberto. Segundo o site da empresa de meteorologia MetSul, mantido por meteorologistas gaúchos, a nuvem estava sobre metade do estado. A Força Aérea Brasileira (FAB), citando o Volcanic Ash Advisory Centres, da Argentina, afirmou que ela estava restrita ao extremo sul: "A nuvem não deve avançar sobre o espaço aéreo brasileiro, mantidas as atuais condições atmosféricas".

Emergência
Na Argentina, as autoridades se preparavam para declarar emergência agropecuária na Patagônia, gravemente afetada pelas cinzas desde o início da erupção, no dia 4. A região fica próxima ao ponto no Chile onde está o complexo vulcânico Puyehue. Segundo o jornal argentino Clarín, que citou o secretário executivo de Emergências e Desastre Agropecuário, Haroldo Lebed, o impacto das cinzas produz um "efeito tremendo para a alimentação nas fazendas". Cidades como San Carlos de Bariloche e Villa La Angostura estão cobertas pelas cinzas. Os dois municípios turísticos estavam praticamente vazios por conta do fechamento dos aeroportos.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que está na Argentina como parte de uma viagem à América do Sul, comemorou o aniversário de 67 anos tomando café da manhã com alfajores em um posto de gasolina. Por conta da paralisação dos voos, ele teve de fazer uma viagem de 700km em ônibus de linha. Ban chegava da Colômbia e o voo, com destino a Buenos Aires, foi desviado para Córdoba. "Perdoe-nos, senhor secretário. Por causa das cinzas, teve de tomar o café da manhã em Rosário", disse a presidente Cristina Kirchner.

Na Oceania, os maiores transtornos ocorreram no fim de semana. Ontem de manhã, as companhias australianas Qantas e Jetstar começaram a normalizar os voos suspensos. A região está a 9,4 mil km do Puyehue.

Colaborou Jessica Germano

Visita encurtada
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, foi obrigada a abreviar a visita que fazia ontem à África por causa de outra nuvem de cinzas vulcânicas que se deslocava em direção à Etiópia. Hillary esteve na capital etíope, Adis Abeba, onde discursou na sede da União Africana (UA) para pedir aos governos do continente que pressionem o regime da Líbia por um cessar-fogo.

O tráfego aéreo no Chifre da África foi prejudicado pela erupção do vulcão Dubbi, na Eritreia, que lançou colunas de fumaça à altitude de 13 mil a 15 mil metros. "A erupção ocorrida no domingo é importante", afirmou o especialista Jean Nicolau, da Meteo-France, em Toulouse (sul da França), onde também se localiza um dos centros internacionais de vigilância de cinzas vulcânicas. "Não estamos em uma situação crítica como a que ocorreu com o vulcão islandês Grimsvötn, pois o tráfego é muito menos importante na África Oriental."

Serviço
TAM
Os clientes devem ligar para a Central de Atendimento antes de se dirigirem ao aeroporto. Os números são:

Brasil - 4002-5700 (capitais) e 0800-570-5700 (demais localidades)
Argentina - 0 810 333 3333
Chile - 56 2 6767 900
Paraguai - 595 21 659 5000
Uruguai - 000 4019 0223

GOL
A companhia está contatando os clientes que tiveram a programação alterada via telefone, SMS e e-mail. Os passageiros podem ajudar telefonar para a Central de Relacionamento nos números:

Brasil - 0300 115 2121
Argentina - 0810 266 3232
Uruguai - 5098 2403 8007