24 de Janeiro, 2014 - 15:50 ( Brasília )

Aviação

Por que 2013 foi o ano para Airbus, Boeing e Embraer

Inovações tecnológicas e crescimento dos mercados emergentes são algumas das razões, segundo as próprias companhias

Julia Carvalho
julia.carvalho@abril.com.br

Em 2013, a Airbus bateu o recorde histórico de número de encomendas para o setor de fabricantes de aviões, com 1.619 pedidos. A companhia francesa ultrapassou sua maior concorrente, a Boeing, que também se deu muito bem no ano: 1355 encomendas e o melhor número de entregas da história, 648 aviões.

A brasileira Embraer, terceira colocada entre as maiores fabricantes de aviões do mundo, teve um dos melhores anos de sua história, com 345 pedidos firmes. O que aconteceu em 2013 para todo mundo ter se dado tão bem?

Exame.com conversou com especialistas e representantes das três empresas para entender o que impulsionou tanto o setor.

Em primeiro lugar estão as inovações tecnológicas. No fim de 2010, a Airbus anunciou sua nova família de aviões, a A320neo, com motor mais eficiente e menos gastos com combustível. No ano seguinte, a Boeing anunciou a chegada da linha 737 Max, também visando maior eficiência.

Em 2013, a Embraer seguiu a tendência e lançou sua nova família, a E2, uma das principais razões para seu recorde de pedidos.

“Produtos novos e melhores costumam aquecer o mercado, na medida em que criam demanda”, afirmou George Ferguson, analista sênior para aviação da Bloomberg Research.

Em segundo lugar, a procura por novos aviões foi estimulada pela expansão das companhias aéreas dos mercados emergentes.

“Enquanto o mercado como um todo cresce na faixa de 5% ao ano, nos países emergentes o ritmo chega a 18% ao ano”, diz Paulo César Silva, presidente da Embraer Aviação Comercial.

Embraer

No caso da Embraer, fatores mais específicos ajudaram a companhia a voar alto. Enquanto ela apresentava sua nova família E2, que deve economizar de 15 a 20% de combustível em relação à série E1 e permite mais lugares por avião, suas concorrentes diretas tiveram um ano difícil.

A Bombardier e a Mitsubishi, outras fabricantes focadas em aviões menores, tiveram seus novos lançamentos adiados para 2015 e 2017, respectivamente, por conta de problemas na produção. O atraso deixou a brasileira praticamente sem ter com quem brigar pelo filão de aviões com capacidade abaixo dos 120 assentos.

Esse setor, aliás, foi aquecido principalmente pelas mudanças recentes no mercado americano. Nos últimos dois anos, grandes fusões ocorreram entre empresas aéreas americanas, como a da American Airlines com a US Airways e a da Continental com a United.

“Essas fusões colocaram as companhias em uma posição muito boa para fazer novos investimentos”, diz Paulo César. “Além disso, a frota para voos nacionais de menor escala no país estava muito sucateada e precisava ser trocada. Nossos maiores clientes foram americanos”.

Airbus, Boeing e o futuro

Para a Airbus, os recordes de pedidos neste ano só reforçam suas projeções de crescimento contínuo, e 2014 deve ser ainda melhor. Neste ano, os primeiros A350 XWB entrarão em serviço. O A320neo fará seu primeiro voo e começa a ser entregue às companhias aéreas no segundo semestre.

“Esse lançamento não poderia ter vindo em uma hora melhor, porque poderá suprir as crescentes demandas por aviões de um corredor em países como o Brasil”, diz Arturo Barreira, vice-presidente de vendas da Airbus para a América Latina.

A Boeing também acredita que os resultados dos próximos anos devem ser ainda melhores. “Até agora, crescemos com as companhias aéreas, mas enfrentamos uma economia ruim. Com a economia voltando aos eixos, o crescimento será ainda maior”, diz Randy Tinseth, vice-presidente da Boeing para aviação comercial. “Até a aviação de carga deve se recuperar”, diz Tinseth.

 

A Boeing e a Airbus dividem em partes praticamente iguais o mercado de aviões de um corredor. Mas a companhia americana acredita que poderá se destacar nos aviões de grande porte.

“Nosso portfólio de aviões cobre todas as necessidades do mercado, enquanto que a nossa concorrência ainda terá de escolher em qual perfil investir. Por isso, há espaço para ultrapassarmos os 60% que já temos da fatia desse mercado nos próximos anos”, aposta o executivo.

Um ano realmente bom para as empresas ocorre quando há lucros, e os balanços das fabricantes de aviões só serão divulgados a partir da semana que vem.

Para George Fergusson, as margens não devem ser muito grandes, porque uma grande lista de pedidos significa também mais custos com produção. Mas o fato dessas empresas terem serviço garantido para no mínimo dez anos não pode ser uma má notícia.