27 de Dezembro, 2013 - 18:51 ( Brasília )

Aviação

Na decolagem - AEL se prepara para equipar caças da FAB

Empresa com sede na Capital deve fornecer equipamentos para os jatos suecos Gripen NG

Cadu Caldas


No mundo dos negócios, poucos estão tão ansiosos para a chegada do novo ano quanto os sócios da AEL Sistemas.

Com sede em Porto Alegre, a empresa - escolhida para fornecer equipamentos aos 36 caças suecos Gripen NG adquiridos pelo governo brasileiro - projeta dobrar o seu faturamento até 2015.

A expectativa é que as vendas cheguem a R$ 500 milhões, impulsionadas pela conquista do novo cliente. A escolha ainda não foi confirmada oficialmente, mas a companhia sueca Saab, responsável por montar os jatos militares, já indicou a preferência pela AEL em texto publicado em seu site. Para concretizar a parceria, falta o aval da Força Aérea Brasileira (FAB).

- É uma oportunidade para a AEL se tornar uma das maiores do setor na América Latina - avalia Elones Ribeiro, que trabalhou na empresa na década de 1980 e atualmente é diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS.

O bom momento vivido pela empresa é cenário quase impensável para quem correu risco de fechar as portas anos atrás. Depois de participar da construção do jato de ataque AMX e se consolidar no mercado de aviônicos (equipamentos eletrônicos embarcados na aviação), na década de 80, acompanhia - que na época se chamava Aeroeletrônica e era um dos braços do grupo gaúcho Aeromot - sentiu os efeitos da restrição de investimentos do governo federal em defesa.

Com o principal cliente comprando menos, muitas empresas do setor de defesa faliram ou foram obrigadas a mudar de ramo. A empresa da Aero-mot só não foi pelo mesmo caminho porque recebeu aporte de uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos para o setor de defesa do mundo, a israelense Elbit Systems.

A companhia adquiriu 75% das ações da empresa gaúcha em 2001. A medida foi necessária para que a Elbit pudesse cumprir o contrato para modernizar os caças F-5, da FAB, já que o governo brasileiro exigia que o trabalho fosse executado no Brasil.

Expectativa de acesso a tecnologias e contratações

A preferência dos suecos pela AEL serve para coroar o bom ano da companhia. Em agosto, a empresa foi escolhida para capitanear o projeto do primeiro satélite gaúcho, o MMM-1, que deve entrar em órbita no fim de 2015.0 microssatélite poderá ser usado para fins de comunicação e sensoriamento remoto, entre outras missões.

- Também é uma boa notícia para o Estado. A transferência de conhecimento na construção dos caças pode acelerar o produção do satélite. A empresa terá acesso a tecnologias que hoje não domina totalmente. Além disso, o aumento de produção significa mais contratações e retenção de bons profissionais - afirma Aluísio Nóbrega, dirigente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) e responsável pelo projeto do polo espacial do Estado.

No ar e no espaço

Antes de se tornar AEL, a empresa era a Aeroeletrônica, um dos braços do grupo gaúcho Aeromot, criado em 1967 e com sede na Avenida Sertório, próximo ao aeroporto Salgado Filho. Na década de 1980, a empresa se consolidou no mercado de instrumentos aviônicos (equipamentos eletrônicos como sistemas de comunicação e navegação) ao participar do projeto do jato de ataque AMX.

Com a retração dos investimentos do governo na área da defesa, na década de 1990, o grupo Aeromot decidiu vender, em 2001, o controle da Aeroeletrônica para a israelense Elbit Systems, uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos para o setor de defesa do mundo.

A possível escolha da AEL para ser fornecedora dos equipamentos dos caças suecos Grispen, comprados pelo governo brasileiro para a Aeronáutica, dará novo impulso nos negócios da empresa instalada em Porto Alegre, que em agosto foi escolhida para desenvolver o projeto do primeiro satélite gaúcho, o MMM-1.