03 de Julho, 2013 - 12:22 ( Brasília )

Aviação

VANTs filmam manifestações e eventos esportivos no Brasil

O Brasil já tem centenas de drones em atividade e muitos são usados para filmagens aéreas de eventos esportivos, shows e outros eventos

Mauricio Grego

Os veículos aéreos não tripulados (VANT*), ou drones(como são chamados pela impressa nos EUA*), vêm se firmando como uma alternativa interessante às caras filmagens com helicóptero. O serviço de filmagem com drones é oferecido por diversas empresas brasileiras, que atendem a produtoras de vídeo, agências de publicidade e canais de TV.

Os drones (ou Vants, sigla de veículos aéreos não tripulados) usados para filmagem são geralmente helicópteros radiocontrolados com múltiplos rotores. Eles carregam uma câmera, que pode ficar fixa na aeronave ou montada numa cabeça móvel, também radiocontrolada.

Neste último caso, o sistema é operado por duas pessoas: uma pilota a aeronave e outra controla a câmera. Cada operador usa um controle do tipo empregado em aeromodelismo. O que comanda a câmera tem uma tela acoplada para que as imagens captadas sejam vistas pelo operador.

Em geral, o drone não voa muito alto e não fica mais de 10 minutos no ar sem voltar à base para troca da bateria. Além disso, na maioria das situações, ele não pode se afastar muito do piloto, que precisa manter contato visual para comandá-lo. Mas há exceções a essa regra.

“Em algumas situações, faço a decolagem observando o drone. Quando ele chega a uma altura segura, passo a pilotar com base na imagem captada pela câmera. Isso permite que o drone vá mais longe, já que não é preciso manter contato visual”, diz Luís Neto, dono da empresa GoCam, de São Paulo.

Em junho, Neto fez diversas tomadas das manifestações na capital paulista para o jornal Folha de S.Paulo. Diferentemente dos helicópteros, os drones podem operar em lugares apertados, e até dentro de prédios. Eles não exigem heliporto e podem ser rapidamente transportados para qualquer lugar.

E, claro, são mais baratos. Um dia de filmagem com drone, incluindo o equipamento e a equipe para operá-lo, custa desde 3 mil reais. É o preço aproximado de uma única hora de voo de helicóptero.

Mas o valor pode variar em função do equipamento utilizado e das condições em que é feita a filmagem. As opções vão de um drone levinho, que carrega uma pequena câmera GoPro, a um modelo robusto, capaz de transportar até uma filmadora de cinema com resolução Ultra HD.

“Temos um modelo bem leve que usamos para filmar sobre multidões. Em três anos no mercado, nunca tivemos um acidente. Mesmo assim, por precaução, evitamos sobrevoar pessoas com equipamentos mais pesados”, diz Luís Neto.

Polêmica

Sobrevoar pessoas, aliás, é assunto polêmico nessa área. A operação dos drones ainda não é regulamentada no Brasil. Então, os procedimentos de segurança ficam por conta do bom senso de cada um.

“Já recusamos muitos trabalhos que exigiriam sobrevoar pessoas, carros e lugares públicos. Em nossos filmes, quando há gente abaixo, são atores contratados pela produção. Só filmamos em ruas se o local for interditado ao público”, diz Eric Bergeri, fundador da Idrone.tv, outra empresa especializada, também de São Paulo.

Bergeri está nesse mercado há pouco mais de três anos, e diz que nunca teve um acidente. “Mas pode acontecer, seja por erro de pilotagem ou por falha no equipamento. Por isso, seguimos as normas de segurança do aeromodelismo”, diz.

Bergeri monta seus próprios drones. O modelo usado nas filmagens tem seis rotores e carrega uma câmera do tipo DSLR, como uma Canon 5D. A câmera fica montada numa cabeça móvel radiocontrolada. Para construir um deles, gasta cerca de 15 mil reais em peças. 

“Também podemos usar um drone maior, com oito rotores. Ele é capaz de carregar uma filmadora Epic, de cinema. Mas, como quase não há demanda para ele no Brasil, esse drone fica na França. Podemos trazê-lo se alguém solicitar”, diz Bergeri.

Um levantamento feito em março pelo portal G1 apurou que havia cerca de 200 drones em uso no Brasil. Mas o número é provavelmente maior. Basta fazer uma busca em sites como o MercadoLivre para encontrar dezenas de anúncios de peças e alguns de drones completos.

Além dos modelos importados que chegam ao país, há outros produzidos por uma dúzia de fabricantes nacionais. Algumas dessas empresas se especializam em aviões robôs, enquanto outras produzem helicópteros.

Mercado em alta

Em quatro anos, o mercado mundial de drones para uso civil deve atingir 400 bilhões de dólares, aponta um estudo encomendado pelo governo britânico e por fabricantes do Reino Unido.

Novos usos para essas aeronaves aparecem continuamente. Entre eles estão busca e salvamento; inspeção de linhas de transmissão de energia e oleodutos; e até aplicação de agrotóxicos em plantações.

Tanto Bergeri como Luís Neto defendem que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabeleça normas para a operação de drones no país. “Devem exigir uma licença do piloto, como no caso da aviação civil, além de estabelecer normas para montagem e manutenção dos drones”, diz Neto.

“Conforme os equipamentos ficam mais baratos, mais gente tende a entrar nesse mercado. Isso aumenta os riscos de acidente”, completa ele. Bergeri lembra que já houve acidentes no aeromodelismo. A regulamentação poderia reduzir as chances de eles virem a acontecer também nas operações comerciais. 

Operações com drones já foram regulamentadas em cerca de 30 países. Nos Estados Unidos, a Administração Federal de Aviação (FAA) tem prazo até 2015 para produzir um regulamento. Já a Agência Europeia de Segurança Aeronáutica (EASA) deve publicar suas normas até 2018.

Além da segurança, há preocupações com a privacidade. Afinal, cada drone carrega pelo menos uma câmera e pode espionar as pessoas do alto. No Brasil, a Anac vem estudando o assunto. No final de maio, a agência emitiu sua primeira autorização formal para operação de um drone civil.

A aeronave autorizada é o Nauru 500, avião de 15 quilos fabricado pela empresa XMobots, de São José dos Campos (SP). Esse drone já foi usado durante mais de um ano para inspecionar a construção da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. Agora, pode fazer esse tipo de trabalho com aprovação da Anac.