24 de Maio, 2013 - 10:38 ( Brasília )

Aviação

Comandante revela causas de queda de caça AMX

Aeronave caiu na Barragem de Machadinho.

Rádio Catarinense

A Central de Jornalismo da Rádio Catarinense de Joaçaba (SC), teve acesso nesta quarta-feira (22), à informações preliminares que revelam as causas do acidente envolvendo um caça da Força Aérea Brasileira no lago da Usina de Machadinho, divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O acidente aconteceu no dia 07 de dezembro do ano passado resultando na morte do piloto.

Falha humana ou técnica? O que teria causado o acidente que resultou na queda do caça AMX no lago da Usina Hidrelétrica de Machadinho? A aeronave, pilotada pelo capitão André Ricardo Halmenschlager, 33 anos, caiu no final do ano passado após colisão com cabos de transmissão de energia. Por se tratar de um assunto militar as informações estavam sendo mantidas de forma sigilosa pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) por se tratar de segurança nacional.

Depois de muitas ligações e contatos por e-mail, a Rádio Catarinense conseguiu romper a barreira, buscando respostas para as perguntas que envolvem o acidente. De forma exclusiva, o comandante da Base Aérea de Santa Maria (RS), Coronel Davi Almeida Alcoforado, antecipou resultados da investigação, revelando detalhes que mostram o que teria acontecido naquela manhã fatídica de dezembro, envolvendo um dos pilotos mais experientes da base.

O relatório da investigação, que será encaminhado ao CENIPA, apontou, que ao contrário do que se imaginava inicialmente, e das inúmeras especulações em razão de relato de testemunhas, o caça AMX, não apresentou problemas mecânicos nos motores ou comandos. “Todos os comandos estavam normais, o que foi analisado neste caso é a questão do sensor que era ultrapassado e que exigiu que o piloto voasse numa altitude baixa para conseguir captar as imagens em alta resolução”.

Piloto foi surpreendido

A investigação constatou que a linha de transmissão, no trajeto do caça, não constava na carta aeronáutica que fazia parte do plano de voo. Na posição que ela fica as imagens de alta resolução dos satélites não conseguem identificá-la. Ou seja, para o piloto a linha não existia naquele local. Capitão André, que estava numa missão de reconhecimento da região e captando imagens, foi surpreendido.

A conclusão se chegou após testes realizados com helicópteros que mostraram que era praticamente impossível identificar a linha pelo campo de visão do piloto. “A linha era balizada, tinha as bolas sinalizadoras, mas fizemos várias corridas com helicóptero, tentando aproximar o chamado eixo-de-vizada, e naquele dia havia, de acordo com a posição do sol, um baixo contrataste, que prejudicou o piloto” disse o Coronel Comandante da Base Aérea de Santa Maria (BASM).

Barulhos estranhos

Questionado sobre relatos de testemunhas que afirmaram que o caça sobrevoava a região em baixa altitude, com barulhos estranhos e com sinais de fumaça saindo das turbinas, o Coronel DAVI disse que em caso de acidentes é normal estes comentários. Ele reafirmou que a investigação não encontrou problemas técnicos na aeronave.

Baixa altitude

O voo em baixa altitude tinha um objetivo. Fotografar a região, sendo que um dos pontos era a balsa, por isso a justificativa do caça ter passado muito próximo da embarcação, o que na época chegou a ser sugerido que o mesmo estava com problemas mecânicos

Piloto ejetou

Outra conclusão, que fará parte do relatório, que será encaminhado ao CENIPA em Brasília, órgão que investiga acidentes aéreos em todo Brasil, é que o piloto tentou se salvar. Conforme apurado pela Rádio Catarinense, no local do acidente, o capitão André acionou o alavanca de ejeção. Em razão da baixa altitude e das condições, pós colisão, ele acabou sendo arremessado contra as árvores.

Novo sensor

Para evitar problemas futuros, da mesma natureza, os Caças AMX da Base Aérea de Santa Maria, terão os sensores de captação de imagens substituídos. Coronel Davi de Almeida Alcoforado informou que providências já estão sendo tomadas para aquisição dos novos componentes. Com a nova tecnologia, os pilotos não precisarão mais realizar voos rasantes ou em baixa altitude para fazer o trabalho de mapeamento.