03 de Agosto, 2014 - 13:51 ( Brasília )

Armas

EXACTO - US Army desenvolve Bala que persegue o alvo

Foram necessários seis anos e US$ 25 milhões para que o Exército americano tornasse realidade algo que antes só existia em filmes: uma bala que persegue seu alvo.

 

Texto da BBC Brasil e US Darpa


O protótipo acaba de ser testado com sucesso pela Agência de Projetos de Pesquisa em Defesa Avançada (DARPA, na sigla em inglês), braço militar americano responsável por desenvolver as armas do futuro.

O vídeo da agência mostra o disparo de um rifle de calibre .50 em que o atirador mira não no alvo, mas em outro ponto próximo. Mesmo assim, a bala ajusta seu curso.

 A nova munição é parte do projeto Artilharia de Extrema Precisão, que tem como objetivo "melhorar a eficácia de francoatiradores e a segurança das tropas, ao permitir que os tiros sejam disparados de uma distância maior", segundo a página do projeto.

"Cada disparo que não atinge o seu objetivo põe em risco a segurança das tropas, porque alerta para a sua presença e, potencialmente, expõe sua posição."

'Santo graal' da balística

O princípio por trás da tecnologia é relativamente simples. A bala recebe sinais enquanto ainda está no ar para que altere seu curso.

"A ideia de balas teleguiadas sempre foi considerada o santo graal da tecnologia de projéteis. Mas só recentemente ficaram disponíveis os microssensores que a tornam possível", diz Christopher Shepherd, professor de Ciência Forense da Universidade de Kent e especialista em balística.

"É uma tecnologia pioneira, apesar de já ser pesquisada há anos."

A tecnologia de sistemas teleguiados já havia sido aplicada a armamentos maiores, como mísseis, mas o sucesso não tinha sido ainda possível com munições menores.

"As armas de menor calibre oferecem um espaço limitado para estes tipos de mecanismos. A mudança de massa, e da distribuição de massa, em um projétil pode alterar significativamente o seu rendimento", afirma James Shackel, especialista em balística do Instituto Forense Cranfield.

No caso específico da bala inteligente, a Darpa mantém em segredo como funciona o sistema de direcionamento. Mas os especialistas têm algumas pistas.

"Anéis em torno da bala podem se contrair e expandir para alterar a distribuição de massa e o fluxo de ar na superfície da bala, o que pode fazer com que ela mude de posição", teoriza Shackel.

Mesmo assim, essa mudança de direção tem limites. E as balas de um rifle de calibre .50 são algumas das maiores dentre as munições menores.

"Provavelmente só será possível mudar a direção da bala em disparos mais distantes, devido à velocidade com que a bala se move", destaca Shepherd.

"O pequeno tamanho da bala também limita a capacidade de frear sua queda de forma significativa para facilitar uma mudança maior de direção."

Guerra moderna

A deficiência do projeto está em que a tecnologia não pode ser aplicada a todos os tipos de conflitos atuais.

"A guerra moderna não é travada em campos de batalha como ocorria antes", afirma Shepherd.

De acordo com o especialista, as disputas de hoje ocorrem de duas formas. As primeiras são lutas urbanas, em contato próximo com o adversário. Nelas, este sistema seria inútil, dado o curto alcance das balas usadas.

O segundo tipo são aquelas travadas a longas distâncias, com atiradores em condições adversas, como a que opôs o Exército americano a militantes talebãs no Afeganistão, com campos montanhosos, pouca visibilidade e onde os alvos não estão na linha de visão.

"É um desafio para os atiradores usar a tecnologia atual em condições desfavoráveis, com vento forte e poeira", afirma a página oficial da Darpa.

"O novo sistema ajudará a disparar tiros a uma distância maior e atingir um alvo que talvez não esteja na linha de visão, mesmo que isso só ocorra em alguns poucos casos."

Texto do US DARPA

EXtreme ACcuracy Tasked Ordnance (EXACTO)

For military snipers, acquiring moving targets in unfavorable conditions, such as high winds and dusty terrain commonly found in Afghanistan, is extremely challenging with current technology. It is critical that snipers be able to engage targets faster, and with better accuracy, since any shot that doesn’t hit a target also risks the safety of troops by indicating their presence and potentially exposing their location.

For military snipers, acquiring moving targets in unfavorable conditions, such as high winds and dusty terrain commonly found in Afghanistan, is extremely challenging with current technology. It is critical that snipers be able to engage targets faster, and with better accuracy, since any shot that doesn’t hit a target also risks the safety of troops by indicating their presence and potentially exposing their location.

The Extreme Accuracy Tasked Ordnance (EXACTO) system seeks to improve sniper effectiveness and enhance troop safety by allowing greater shooter standoff range and reduction in target engagement timelines. The objective of the EXACTO program is to revolutionize rifle accuracy and range by developing the first ever guided small-caliber bullet. The EXACTO 50- caliber round and optical sighting technology expects to greatly extend the day and nighttime range over current state-of-the-art sniper systems. The system combines a maneuverable bullet and a real-time guidance system to track and deliver the projectile to the target, allowing the bullet to change path during flight to compensate for any unexpected factors that may drive it off course.

Technology development in Phase II included the design, integration and demonstration of aero-actuation controls, power sources, optical guidance systems, and sensors. The program’s next phase includes a system-level live-fire test and technology refinement to enhance and improve performance.


Matéria relacionada

Militares americanos desenvolvem bala que "persegue" alvo  BBC  - DefesaNet  2012 Link