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09 Março 2004

VLS Decide F-X ?
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Os movimentos do Ministério da Defesa,  em busca de uma associação com o governo russo para apoiar o Programa VLS ( Veículo Lançador de Satélites) tem uma moldura com as palavras do Ministro José Viegas, no discurso preparado para a Associação Comercial do Rio de Janeiro.

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Muitos são os exemplos da contribuição científica e tecnológica das Forças Armadas para o desenvolvimento do Brasil. A Marinha desenvolve, a duras penas, o programa nuclear, cujos benefícios claramente transcendem os domínios daquela Arma. O Exército, por sua vez, tem-se dedicado ao aperfeiçoamento de sua tecnologia de comunicações, e, também nesse caso, haverá uma saudável irradiação de conhecimento em proveito de outros segmentos da sociedade. Quanto ao setor aeronáutico, é nele que encontramos aquele que talvez seja o mais notável exemplo de como as Forças Armadas contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico do País.

Todos sabemos que, em meados da década de 1940, ocorreu o que parecia um sonho para uma sociedade tipicamente agrícola, ainda sem tradição industrial: criou-se, entre nós, um parque aeronáutico, com capacidade para projetar, produzir, certificar e comercializar aviões. E tudo isso, em larga medida, graças ao Centro Técnico Aeroespacial da Força Aérea brasileira. Foi nos laboratórios desse Centro que se projetou e construiu o primeiro avião Bandeirante, passo indispensável para a constituição da indústria aeronáutica altamente competitiva que hoje temos no Brasil. E o indiscutível êxito da Embraer tem-se revelado essencial para uma participação mais ativa do País no comércio internacional de bens de alto valor agregado.

Atualmente, destaca-se a energia canalizada para o desenvolvimento do nosso Veículo Lançador de Satélites.
Não podemos subestimar o projeto do VLS. Guardadas as devidas proporções, ele haverá de representar, para o nosso parque espacial, o mesmo que significou o avião Bandeirante para nossa indústria aeronáutica. O lamentável acidente de Alcântara não nos desanimou. É próprio da nossa gente perseverar - e nós perseveramos. O programa será retomado de forma ainda mais intensa do que no passado. Buscamos a cooperação internacional para o desenvolvimento do VLS brasileiro. Construiremos sobre as bases já erigidas no País. Essa é, certamente, a maior homenagem que podemos prestar aos 21 homens que perderam as suas vidas, na Base de Alcântara, enquanto se dedicavam ao desenvolvimento do Brasil."

Nessas claras palavras do Senhor Ministro, temos que os acordos comerciais de contrapartidas relacionados ao Programa F-X estão vinculados ao Programa Espacial. Como há. um só e  único participante,  do Programa F-X,  que oferece a possibilidade de estender as negociações à  participação espacial, é evidente que a entrada do Projeto VLS no atual momento endereça uma solução para o Programa F-X..

Oferecer discussões simultâneas, com dois parceiros que agem mais como  inimigos abertos. O Editor presenciou ásperas discussões entre Ucranianos e Russos, na Eurosatory 2002, quando foi discutida a possível participação da indústria Ucraniana em programas de militares russos.

A preparação de uma abrangente negociação na área espacial andando em paralelo com a discussão final do Programa F-X, indica que o Conselho de Defesa Nacional, não decida somente por um programa de re-equipamento militar, mas sim sobre todo o destino do Programa Espacial Brasileiro.

O nível de segredo até o momento leva a comunidade científica brasileira a pensar que o Projeto Espacial Brasileiro será um projeto militar. Se essa suspeita sai de dentro do Brasil será muito difícil apresentar  esse programa ao Mundo sem que uma nuvem de suspeição pair sobre o mesmo. E se suspeição houver de que algum tratado de não proliferação possa ser rompido certamente os embargos acontecerão.

Lembramos que a primeira declaração pública do recém eleito Presidente foi o de cumprir os tratados internacionais assinados pelo Brasil:

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Nosso governo respeitará e procurará fortalecer os organismos internacionais, em particular a ONU e os acordos internacionais relevantes, como o protocolo de Kioto, e o Tribunal Penal Internacional, bem como os acordos de não proliferação de armas nucleares e químicas. Estimularemos a idéia de uma globalização solidária e humanista, na qual os povos dos países pobres possam reverter essa estrutura internacional injusta e excludente." 28 Outubro 2002

O atual curto-circuito político no Planalto, pode desfocar a discussão e levar o Senhor Presidente da República Luis Inácio a uma tomada de decisão, abrangente e ampla com implicações geopolíticas, estratégicas, econômicas e militares, além da simples escolha de um parceiro espacial e/ou um caça militar.

O Editor
Defesanet 

09 Março 2004
Íntegra do Discurso do Ministro José Viegas na Associação comercial do Rio de Janeiro

Www.defesanet.com.br/alcntara/mdviegasrio

Para matéria adicionais clique nos links:

Folha de São Paulo e JB
www.defesanet.com.br/alcantara/fsp09mar04

Gazeta Mercantil
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