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DEFESA@NET 06 Março 2008
Atualizado 11:30 Horas - 07 Março 08
DEFESA@NET

Tambores da Guerra
Operación Fénix
Anatomia de um Ataque

Nelson Düring

Em maio de 1999 acontecia o roll-out de dois novos produtos da área militar da Embraer. A estrela maior era o avião de Alerta Antecipada e Controle (AW&C) batizado pela FAB de R-99A a ser operado pelo 2º/6º Grupo de Aviação, Esquadrão Guardião.

O segundo roll-out do dia, uma versão modernizada do conhecido treinador EMB-312 Tucano. Na verdade era não só um novo avião mas um novo conceito operacional, que foi formulado na EMBRAER, para operações em ações de contra-insurgência. Ou em outro jargão militar ações militares de baixa intensidade (LIC).

Em 7 de Dezembro de 2006 foram entregues os primeiros 5 aviões EMB314 Super Tucano à FAC.
Na matéria há vários links para os fatos relevantes sobre a aquisição dos Super Tucanos pela FAC

Foto: Embraer - Unidade Gavião Peixoto

Do roll-out, 1999, e a promessa de aquisição de 99 aviões pela FAB (76 + 23), até a entrega do primeiro em 2003, e o pleno uso pela FAB, uma longa história de percalços afetou o programa, o fluxo descontínuo de recursos quase inviabilizou o projeto e prejudicou em muito os negócios internacionais. Os principais clientes queriam ver o avião em operação.

Padrão Operacional

O ataque aéreo ao acampamento das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC),namadrugada de 1° de Março, que resultou na morte do número 2 das FARC, Raúl Reyes, é o fato mais conhecido da performance do Super Tucano, na Fuerza Aérea Colombiana (FAC).

É correto afirmar que a FAC apostou mais no Super Tucano que a própria FAB, que na administração do Brigadeiro Bueno não conseguiu gerenciar o programa de forma coerente. Desde a primeira licitação até a aquisição (2005) e a entrega dos primeiros cinco (2006) a FAC sempre indicou que o seu preferido era brasileiro Super Tucano.

A entrada dos Super Tucano em operação tirou a vantagem da noite para as forças terroristas. Com uma operação extremamente silenciosa, os aviônicos compatíveis com emprego de óculos de visão noturna (NVG) pela tripulação (piloto e co-piloto). Uma versão do Super Tucano tem um sistema termográfico FLIR, porém não há informação de que a Colômbia tenha adquirido esta versão.

FUDRA - "Cualquier misión, en cualquier lugar, a cualquier hora, de la mejor manera, listos para vencer”

Fuerza de Despliegue Rápido, FUDRA

A FUDRA foi criada em 1999, pelo Presidente Pastrana e tornaram-se operacionais em 2001, com o Presidente Uribe. Descrição do MinDef da Colômbia:

"Su misión es la de realizar operaciones ofensivas de combate contrainsurgente, en forma muy rápida en cualquier lugar del territorio colombiano donde se presente una acción de la guerrilla o de cualquier otro grupo armado ilegal en contra del pueblo colombiano o de sus fuerzas del orden.

La Fuerza de Despliegue Rápido es una unidad entrenada y preparada para actuar en las selvas o los llanos, en el páramo o en el desierto, tal como lo reza su lema “Cualquier misión, en cualquier lugar, a cualquier hora, de la mejor manera, listos para vencer”."

A visão clássica, memória das operações do período do Vietnã, de um céu povoado barulhentos e lentos helicópteros é passado. Os colombianos alteraram para vôos de Super Tucanos, silenciosos e mortíferos. Caberá aos helicópteros o jogo pesado após ter sido conquistada a surpresa tática frente ao inimigo. A potência de motor turboélice (1600 SHP), com uma hélice de 5 pás, garante a reserva de potência para qualquer eventualidade além de tanques adicionais de combustível permitirem vôos de patrulha de longa duração.

Assim o perfil operacional tem sido de ataques liderados por Super Tucanos, que disparam munições inteligentes contra alvos terrestres. Aqui há duas opções, pois os alvos podem ser designados (iluminados) desde uma plataforma aérea, ou por equipes de Forças Especiais (FE) infiltradas no terreno, que colocam iluminadores para que os sensores das bombas procurem de forma autônoma os seus alvos.

Este padrão operacional também é testado pela FAB e o Exército Brasileiro. Na Operação Charrua 2007 foram executadas missões com FEs designando no terreno alvos para munições inteligentes lançadas desde aviões da FAB.

A Tecnologia

O documento do Ministério de Defesa de Colômbia relatando o ataque é muito claro e não foi entendido pelos analistas de primeira hora.

“Con las coordenadas, la Fuerza Aérea Colombiana procedió a atacar el campamento desde el lado colombiano, teniendo siempre en cuenta la orden de no violar el espacio aéreo ecuatoriano.”

Clara indicação de uso de munições de tecnologias avançadas. O representante da Colômbia na OEA, diplomata Camilo Ospina afirmou: “As bombas foram disparadas da Colômbia, a uma distância aproximada entre 3 a 5 milhas (4,5 a 7,5 km) da fronteira”

O acampamento de Raúl Reyes estava localizado 1,8 – 2 km dentro do Equador. Portanto dependendo das condições táticas e operacionais as armas podem ter sido disparadas de uma distância de até 10-12 km.

DEFESA@NET analisou inúmeras fontes colombianas e também o vídeo liberado pelo MinDef da Colômbia, pode ser acessado pelo leitor mais abaixo.

As seqüência do ataque Operación Fénix. As fontes colombianas não são claras quanto a horários e emprego das forças.

O Ataque

A monitoração das comunicações das FARC com o Governo Venezuelano nas operações de troca de reféns propiciou uma informação valiosa a provável localização da Base de Raúl Reyes.

O ponto definitivo veio com uma ligação do próprio Hugo Chávez a Reyes através de um telefone satelial (operados por empresas como INMARSAT, Globalstar ou Iridium). Estes sistemas são usados por forças armadas, inclusive FEs de vários países, para uma comunicação quando fora de suas áreas base. É de difícil rastreamento, porém sabendo a provável localização e em uma área limpa de emissões eletrônicas foi relativamente fácil plotar a posição do telefone. Aqui Hugo Chávez foi providencial, pois fez uma ligação para Reyes, para comentar a entrega dos réfens ocorrida no dia 27 de Fevereiro. Talvez, não contendo sua prolixidade, falou o tempo suficiente para que o telefone pudesse ser localizado.

Com base nisso, FEs do grupo Fuerza de Despliegue Rápido – FUDRA, tomaram posição perto da base, fizeram o reconhecimento e a iluminaram para os Super Tucanos. Isso é de fundamental importância, pois as regras de engajamento, adotadas pelo Governo da Colômbia, limitam e proibem qualquer operação que ponha em risco civis e não envolvidos no conflito. Ainda mais sendo a ação em terreno do Equador, isto era de primordial importância. Se civis equatorianos e patrimônio equatorianos fossem atingidos a posição da Colômbia frente à opinião pública mundial e os órgãos diplomáticos ficaria insustentável.

Aviões Super Tucano, do Comando Aéreo de Combate No. 2, disparam desde a região da fronteira, a mais de 5 km dentro da Colômbia.

Não foram usadas munições cluster e sim bombas convencionais de 250 kg, Mk-82, adaptadas com kits de guia de procedência israelense.

O lançamento das bombas tinha mais o efeito de atordoar e distrair a segurança de Raúl Reyes. Segundo fontes colombianas as bombas foram lançadas cerca de 00:15 às 00:30 Horas. Imediatamente após as explosões um grupo de 10 FEs penetrou no acampamento abatendo em combate aproximado os membros das FARC.

Um grupo maior da FUDRA foi mobilizado e às 04:00 penetrou no Equador em helicópteros Blackhawk e Mi-171. Pela manhã mais o reforço da Polícia Nacional e técnicos forenses para recuperar os corpos e o bem mais precioso do ataque, os computadores do 2º homem das FARC, na prática, com a doença de Marulanda, vinha exercendo de fato a liderança, visto os documento divulgados pela Colômbia.

Membros da Fuerza de Despliegue Rápido, Fudra, e infantes da Marinha avançaram por terra para consolidar a posição e realizar operações de busca.


Vídeo mais completo sobre a Operación Fénix

O EMB-314 Super Tucano


Em linhas gerais descendente do EMB-312 Tucano a plataforma foi reforçada para resistir a cargas de +7G/-3.5G. A estrutura da aeronave é protegida contra a corrosão e o canopi, de abertura única, possui um pára-brisa capaz de resistir a um choque contra pássaro a 270 kts (+500km/h). O ambiente da carlinga da aeronave foi aumentado para acomodar, com maior conforto, pilotos de ambos os sexos, e instrumentação originalmente projetada de acordo com os padrões eletrônicos.

O Super Tucano incorpora características, como, por exemplo, um sistema de controle ambiental projetado para maximizar o conforto da tripulação e um Sistema Embarcado de Geração de Oxigênio (OBOGS). Para uma eventualidade, o Super Tucano está equipado com Assentos Ejetáveis Martin-Baker MK-10lCX que incorporam um dispositivo de ejeção seqüencial de três modos.

Um motor turboélice Pratt & Whitney PT6A-68/3 de 1,600 SHP que incorpora FADEC (Full Authority Digital Engine Control) [Controle Digital de Motor com Autoridade Total] e EICAS (Engine Indication and Crew Alerting System) [Sistema de Indicação de Motor e Alerta da Tripulação] impulsiona a aeronave.

o Armammento básico são duas metralhadoras .50, uma em cada asa. Pode carregar até 8 bombas de 125kg, 5 de 250 kg e dois mísseis ar-ar ou duar armas guiadas ar-terra.

Nota Defesa@Net

Comunicado del Ministerio de Defensa de Colombia - 03 Março 2008
http://www.defesanet.com.br/al1/ven_co_2.htm

Operação Cratera - http://www.defesanet.com.br/fab/cratera.htm

Operação Charrua 2007 - http://www.defesanet.com.br/eb1/charrua_4.htm

   
   
   
 

 

 

 

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