Tambores
da Guerra
'Chávez usa crise com fins políticos'
Ex-ministro da Defesa
diz que dinheiro da Venezuela foi utilizado
para conseguir libertação de reféns
(ver texto similar
em espanhol)
Janaína Figueiredo
BUENOS AIRES. O presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, atuou de forma vergonhosa no conflito
com a Colômbia, cometendo delitos de traição
à pátria e priorizando seu projeto
de poder pessoal. A opinião é do
general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa
e ex-amigo de Chávez (o presidente é
padrinho de uma de suas filhas), que, em entrevista
ao GLOBO, assegurou já haver "evidências
que podem comprovar" as especulações
sobre o pagamento, por parte da Venezuela às
Farc, de milhões de dólares para
libertar reféns.
Globo
- O presidente Chávez ordenou o envio de
tropas para a fronteira com a Colômbia.
Qual a sua opinião sobre essa ação?
RAÚL BADUEL - Este
tipo de ação militar não
pode ser decidido publicamente, é necessário
atuar com cautela e discutir essas questões
em âmbitos reservados. O Código Orgânico
de Justiça Militar estabelece que ações
dessa natureza podem ser consideradas delitos
de traição à pátria.
Ficou claro que o presidente Chávez usa
esse incidente, que todos esperamos seja resolvido
pela via diplomática, com fins políticos.
Trata-se de uma estratégia política
para recuperar o apoio popular perdido. Chávez
busca relançar uma política nacionalista,
mas o problema é que o nacionalismo, bem
entendido, requer dois elementos fundamentais:
um líder carismático e com alta
popularidade, que não é o caso do
presidente venezuelano, e um adversário.
Globo
- Qual tem sido a reação da população?
BADUEL - Existe
preocupação, e por isso aproveito
para pedir calma e sensatez aos povos de Venezuela
e Colômbia. Não podemos entrar no
jogo perverso do presidente Chávez.
Globo
- O governo colombiano acusou o presidente Chávez
de ter dado US$300 milhões às Farc.
O senhor, que foi ministro da Defesa e amigo do
presidente venezuelano, ficou surpreso ao saber
desta informação?
BADUEL
- Como venezuelano,
senti estupor e vergonha. Estas são as
coisas que prejudicam o relacionamento entre povos
irmãos. Se todas as denúncias forem
confirmadas, estamos diante de um assunto muito
sério que colocaria em risco a governabilidade
de toda a região. O próprio presidente
Chávez gosta de falar sobre suas ligações
com a guerrilha colombiana, vimos como o ministro
(do Interior) Rodríguez Chacín atuou
como ligação nas negociações
para libertar reféns e teve gestos de solidariedade
e compromisso em relação às
Farc.
Globo
- Nos últimos dias circularam versões
sobre a possibilidade de que Chávez tenha
pago às Farc para conseguir a libertação
de reféns...
BADUEL - Estamos
em presença de evidências que podem
provar as especulações. Nada disso
teria sido grátis, e sim em troca de uma
expressiva quantidade de dinheiro, que saiu dos
recursos do povo venezuelano, com intenção
de reforçar o projeto político de
Chávez.
Globo
- O senhor teme um conflito bélico na região?
BADUEL - Temos
de analisar cuidadosamente essa situação.
Nosso país não tem militância
política, nosso partido se chama Venezuela,
e nossos militantes são nossos familiares
e amigos. O que pretendem não tem nada
a ver com nosso povo, que é pacífico
e não quer ser levado para extremos de
nenhum tipo. Todos, venezuelanos e colombianos,
devemos atuar com muito cuidado. Chávez
enviou tropas tentando provocar uma reação
similar por parte da Colômbia, mas isso
não aconteceu nem acontecerá. O
presidente tentou criar um inimigo e nos arrastar
para um conflito que nenhum de nós deseja.
Confio na sensatez de nossos povos.
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Quantidade
das Forças da:
Colômbia, Equador e Venezuela |