VENEZUELA
As tensas relações
entre Caracas e Moscou
Nelson
Düring
Editor Chefe Defesa@Net
A visita do presidente
Hugo Chavez à Rússia, a sexta, desde
que assumiu a presidência da Venezuela, tem
inúmeros significados. Enquanto era esperado
por círculos industriais que poderia ser
assinado um pré-contrato para equipamentos
avançados como o caça Su-35, e até
uma cifra de US$ 30 bilhões, na verdade nada
aconteceu. Aliás, bem ao contrário
mostrou uma série grande de divergências
entre Caracas e Moscou.
A Rússia o recebeu de forma fria e segundo
fontes da imprensa ligadas ao governo, que não
foram apresentadas pelas grandes agências
noticiosas internacionais há efeitos ainda
dos computadores de Raul Reyes.
O governo russo tem receio que o apoio mais que
formal dado por Chavez às FARC e comprovado
pelas mensagens transcritas do computadores capturados
pelas forças colombianas no ataque à
Raul Reyes a envolva no conflito, estremeça
mais as relações com Wasghington e
prejudique a sua imagem na região..
A Rússia
deseja impor estritos controles das armas que irão
compor os novos contratos de fornecimento assim
como de alguma maneira as armas já fornecidas.
Um item para lá de incomodo pois a escolha
do fuzil AK-103 tinha como a melhor qualidade usar
a mesma munição do AK-47, o calibre
7,62mm, arma padrão da guerrilha colombiana.
Protocolos formais que impeçam o repasse
das armas a terceiros foram discutidos, porém
é inaceitável ao governo chavista.

Tensa reunião entre Putin e Chávez,
na pauta a questão de créditos, protocolos
e fornecimentos futuros de armamentos russos para
a Venezuela
Importante que a
Colômbia também é cliente de
armas russas, adquirindo helicópteros Mi-17V
e produzindo localmente o blindado BTR-80A. Os helicópteros
Mi-17V inclusive forma usados no regate de franco-colombiana
Ingrid Bettancourt.
Mais importante
em junho passado o presidente russo Dmitriy Medvedev
reuniu-se com o vice- president da Colômbia,
Francisco Santos, e discutiram a possibilidade de
novas vendas de armamentos à Colômbia,
que tem como maior adversário a Venezuela.
Há possibilidades
de que o México e Argentina adquiram equipamentos
bélicos russos e principalmente, agora que
o Brasil reabriu oficialmente o programa de aquisição
de caça F-X2, Moscou está mais cuidadosa.
Assim nos últimos
meses as relações entre Moscou e Caracas
estão mais geladas. É claro que a
origem do estremecimento é exatamente a área
de armamentos. A Venezuela é o mais importante
cliente de equipamento bélicos russos na
América Latina (a soma dos contratos já
realizados alcança mais de US$ 4 bilhões).
Moscou e Caracas discutiram novos contratos, que
poderiam adicionar mais US$ 2 bilhões. Entre
os equipamentos discutidos: 20 baterias do sistema
de defesa Thor-M1 e Thor-M2E,
três ou quarto submarinos do Projeto 636,
12 aviões de transporte militar Il-76 e Il-78
para reabastecimento aéreo. Poderia incluir
ainda mais 24 caças Sukhoi.
Entretanto, Alexander
Fomin, vice-diretor do Departamento Federal para
colaboração Técnica Militar
declarou “neste momento nenhuma assinatura
de contratos está prevista."
Outras fontes mencionam
que o contrato para os aviões Il-76 podem
ser assinados no fim de 2008.
Para o mesmo período
é prevista a assinatura do contrato de aquisição
de novos caças. A Venezuela até o
momento não definiu que modelo adquirirá.
O modelo a ser escolhido dependerá do prazo
de entrega. Poderá ser novamente o Su-30MK2V,
com entregas possivelmente já no ano seguinte,
mas se o escolhido for o novo caça Su-35,
as entregas serão após 2011.
Outro ponto de atrito
entre Moscou e Caracas é a solicitação
do governo chavista para que as novas compras sejam
financiadas com créditos a serem abertos
pelo governo russo. Negociações foram
iniciadas na visita do vice-presidente venezuelano
Ramon Carrisales, em junho de 2008. A resposta russa
é uma pergunta :"por qual razão
um país produtor de petróleo e membro
da OPEP, com o preço a U$130 o barril, necessita
de créditos para adquirir armamentos".
Na reunião
de Hugo Chávez com Vladimir Putin a temática
dos armamentos foi tratada. A Rússia procura
outros campos para investimento como a Rusal, na
criação de um complexo de alumínio.
Também a parceria entre as estatais Gazprom
e PDVSA na extração, processamento
e distribuição de gás.
O futuro
Porém a Venezuela
deverá permanecer ligada à Rússia
como maior e talvez única fornecedora de
armas.
"Qualquer que seja a conjuntura do mercado
mundial de material bélico, Hugo Chávez
seguirá comprando armamento na Rússia
e poderá gastar até cinco bilhões
de dólares na próxima década",
afirmou o especialista em entrevista para a agência
RIA Novosti.
A Venezuela comprará
da Rússia armamentos no valor de cinco bilhões
de dólares nos próximos dez anos,
afirma Ruslán Puhkov, diretor do Centro Russo
para Analise de Estratégias e Tecnologias
(CAST).
O mercado europeu de defesa, na opinião Puhkov,
está "praticamente fechado para Caracas,
primeiro, porque os equipamentos são muito
caros e segundo, porque vários componentes
são produzidos nos Estados Unidos, que tem
impedido que este material seja vendido à
Venezuela".
"É claro que as compras com pagamentos
“cash” dos equipamentos militares russos
é coisa do passado”. O analista pensa
que os futuros contratos de armas entre Caracas
e Moscou serão concluídos "com
o uso de créditos, esquemas de offset, transferência
de tecnologia e licenças de produção".
Em uma entrevista com a imprensa Chavez não
confirmou os rumores de que a Venezuela poderia
gastar até U$ 30 bilhões em armamentos
russos nos próximos 4 anos.
"Eu não sei de onde estes número
estão saindo: U$30 bilhões em 4 anos?
Os valores (dos contratos) diferem , isto é
um processo dinâmico," comentou Chávez.
|