| Crisis
en el CONOSUR
Argentinos invadem Uruguai
em protesto contra fábrica
Pelo menos seis embarcações privadas
argentinas com manifestantes a bordo entraram hoje
em águas territoriais do Uruguai para protestar
contra a construção de uma fábrica
de celulose na fronteira entre os dois países.
Um porta-voz da Presidência do Uruguai confirmou
a entrada dos manifestantes no país, que
foi inclusive presenciada por um enviado da agência
em Nueva Palmira, a 250 km de Montevidéu.
A fonte oficial disse que preferiu não responder
às provocações e não
reprimir a entrada ilegal em águas jurisdicionais
uruguaias.
O governo uruguaio
não deverá apresentar nenhuma exigência
nem se manifestará publicamente sobre a "invasão".
As lanchas argentinas passaram pela barreira de
embarcações posta pela Marinha uruguaia
no momento em que o helicóptero em que estava
o presidente do país, Tabaré Vázquez
- que iria inaugurar obras de ampliação
- aterrissava no porto de Nueva Palmira.
Dessa fábrica
devem partir as exportações da celulose
produzida pela fábrica da empresa finlandesa
Botnia que está sendo construída perto
de Fray Bentos, motivo do pior conflito diplomático
entre Argentina e Uruguai em décadas.
Aos gritos de "piratas"
e "cagões", que puderam ser ouvidos
perfeitamente da margem, integrantes da Assembléia
Ambientalista da cidade argentina de Gualeguaychú
protestaram contra a construção da
fábrica, para a qual a Botnia reservou US$
1,2 bilhão, o maior investimento individual
da história do país.
As lanchas tinham
partido hoje do porto de Villa Paranacito, na margem
argentina do rio Uruguai, e se reuniram exatamente
nas águas fronteiriças entre os dois
países. No entanto, quando Vázquez
chegou ao local, cerca de seis embarcações
passaram a barreira uruguaia e chegaram a ficar
a cerca de 50 m da margem, como o enviado pôde
comprovar.
O helicóptero
que trouxe Vázquez de Montevidéu sobrevoou
as embarcações antes de aterrissar.
Enquanto isso, cerca de 20 uruguaios, também
contrários à construção
da fábrica de celulose, se concentraram no
porto com cartazes protestando contra a Botnia,
a espanhola Ence, que planeja construir outra unidade
em uma área próxima, e a empresa Isusa,
fabricante de adubos.
Com cartazes, vestidos
de preto e máscaras de caveiras, os manifestantes
afirmaram que a instalação das empresas
na bacia do rio Uruguai prejudicará o meio
ambiente.
Alheio aos protestos,
o presidente do Uruguai inaugurou o píer
do terminal Ontur, da qual a Botnia detém
40% da propriedade. Vásquez se reuniu com
a diretoria da empresa em particular antes de comandar
a cerimônia de inauguração.
Participaram ainda
do ato os ministros uruguaios da Indústria,
Energia e Mineração, Jorge Lepra;
Transporte e Obras Públicas, Víctor
Rossi, e de Trabalho e Seguridade Social, Eduardo
Bonomi e o intendente (prefeito) de Colônia
do Sacramento, Walter Zimmer.
Temendo incidentes,
um rebocador, três lanchas e seis embarcações
rápidas da Marinha uruguaia patrulhavam as
águas do rio Uruguai durante a inauguração
das obras do porto. Como disse o porta-voz do governo,
esses barcos não intervieram para impedir
a entrada das embarcações argentinas
nas águas territoriais do país.
Assim que o helicóptero
de Vázquez deixou o cais, as lanchas voltaram
à margem argentina. As autoridades argentinas
e moradores da província argentina de Entre
Ríos se opõem à construção
da fábrica de celulose porque acreditam que
ela causará danos ao meio ambiente, possibilidade
negada pelos uruguaios e pela Botnia.
O conflito entre
os dois Governos levou a denúncias mútuas
na Corte Internacional de Justiça (CIJ),
de Haia onde representantes de ambos os países
voltarão a se reunir no dia 12. A pedido
de Argentina e Uruguai, a Espanha vem realizando
um trabalho de mediação do diálogo.
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