| Operación
Jaque
Militares
encarnaram personagens em resgate de reféns
Os militares que
participaram do resgate da franco-colombiana Ingrid
Betancourt e de mais 14 reféns das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc) se apresentaram aos guerrilheiros como estrangeiros
e jornalistas.
Entre eles, havia
uma mulher que se fez passar por enfermeira, revelou
hoje o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel
Santos, ao apresentar o vídeo da operação.
As imagens da cinematográfica
"Operação Xeque", gravadas
por um integrante da missão, mostram os seqüestrados
antes de entrar no helicóptero branco que
os tirou de um campo aberto cercado por dezenas
de guerrilheiros fortemente armados.
Um dos militares,
fingindo ser italiano e estar à frente de
uma "missão internacional", consegue
convencer o "comandante César",
chefe rebelde encarregado da guarda dos reféns,
a entregar sua arma, já que, devido ao caráter
humanitário da operação, ele
não poderia embarcar no aparelho carregando-a.
Como tinha feito
minutos antes o guerrilheiro conhecido como "Gafas",
"César" aceitou a condição
que lhe foi imposta e entrou no helicóptero,
que alçou vôo tranquilamente, tendo
como destino um suposto acampamento no qual os seqüestrados
ficariam sob a guarda do atual chefe das Farc, "Alfonso
Cano".
"Fizemos eles
acreditarem em uma comissão internacional",
disse Santos, que se referiu aos membros da inteligência
do exército que participaram do resgate como
"verdadeiros atores".
Os integrantes da
"Operação Xeque", que receberam
até orientação de psicólogos,
foram "selecionados", "preparados"
e "treinados para que cada um desempenhasse
seu papel", disseram os generais Freddy Padilla
de León, comandante das forças armadas,
e Mario Montoya, chefe do exército.
O vídeo mostra
como os membros da elite do exército, que
treinaram durante três semanas para a missão
e tiveram aulas de interpretação,
convenceram até os reféns, que não
queriam entrar no helicóptero.
Na gravação,
um integrante da missão que fingiu ser um
cinegrafista de uma emissora de TV se aproxima dos
seqüestrados e, diante do desespero de alguns
deles, que queriam enviar mensagens para seus familiares,
responde insistentemente que não está
autorizado a transmitir seus testemunhos ao vivo.
"Tenho somente
uma coisa a dizer: estive acorrentado durante 10
anos. Sou o subtenente (Raimundo) Malagón,
do glorioso exército nacional da Colômbia.
Seqüestrado", grita com raiva um dos reféns.
O conceito
da Operación Jaque. As primeiras atividades
começaram em Fevereiro 2008.
Antes de subirem
no helicóptero, os rebeldes "César"
e "Gafas" aparecem rindo, enquanto os
supostos membros da "missão humanitária"
tentam convencer os seqüestrados a terem as
mãos amarradas antes da decolagem.
Betancourt e outros
reféns resistem, até que Keith Stansell,
um dos três americanos resgatados, aceita
e o resto o imita. Minutos depois que o aparelho
levantou vôo, sob o olhar incrédulo
dos 15 reféns, o suposto italiano, um "australiano",
o "jornalista" e o "cinegrafista",
assim como outras pessoas da suposta "missão
humanitária internacional", rendem "César"
e "Gafas".
Assim que os rebeldes
são dominados e têm as mãos
amarradas, o verdadeiro comandante da operação
grita que os supostos estrangeiros, assim como o
"jornalista" e o "câmera",
são, na verdade, membros do exército
nacional.
Ao falar com os
reféns, o oficial diz: "Vocês
agora estão livres!". O vídeo
mostra os gritos e a euforia dos ex-reféns,
que se abraçam e expressam sua alegria com
lágrimas e pulos, o que obrigou os pilotos
a pedir calma.
Santos e os chefes
militares destacaram que, apesar de suas tropas
terem recebido assistência dos EUA e de Israel,
a "Operação Xeque" foi "100%
colombiana".

Helicóptero Mi-17 preparado para
a "Missão Humanitária"
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