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O Brasil faz parte
dos países latino-americanos que alimentam
uma nova corrida armamentista na região,
afirma nesta terça-feira uma reportagem do
jornal argentino Clarín.
O diário
de Buenos Aires dedica dois textos à analise
do que chama de "indícios de uma incipiente
corrida armamentista na América Latina",
incluindo a duplicação do gasto militar
brasileiro.
Por trás
do aumento das despesas com armas está um
desejo dos militares brasileiros de recuperar um
"atraso militar" em relação
aos países vizinhos, afirma a correspondente
do jornal no Brasil.
"O plano é
aumentar o potencial militar brasileiro de 'dissuasão'
e, ao mesmo tempo, vincular o rearmamento ao desenvolvimento
da indústria nacional", afirma a repórter.
"Isto explica
que o novo orçamento militar seja o mais
generoso entre os já enviados (ao Congresso)
durante os cinco anos de Presidência de Lula."
Citado na matéria,
o ministro da Defesa, Nelson Jobim, diz que o Brasil
não tem planos "expansionistas".
O Clarín nota ainda que o rearmamento do
país encontra apoio consensual entre partidários
de todo o espectro político, da direita à
esquerda.
Em uma análise
regional, o diário argentino contextualiza
a elevação do gasto militar brasileiro.
Diz que o país está ao lado de Venezuela,
Colômbia e Chile como um dos países
que alimentam a corrida armamentista na região.
Um estudo de 2005
citado pelo jornal diz que o Chile liderou a corrida
naquele ano, gastando US$ 2,78 bilhões em
despesas militares, seguido pela Venezuela (US$
2,2 bilhões) e o Brasil (US$ 1,34 bilhão).
"A Venezuela,
que comprou desde aviões de combate até
submarinos - invocando o risco de uma intervenção
militar dos Estados Unidos - é o caso mais
citado, mas não o único nem o menor",
escreve o analista do Clarín.
"A sobrevivência
de antigos conflitos não-resolvidos na região
faz pensar que o país poderia resistir à
tentação de se rearmar se um ou mais
vizinhos o fizer."
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