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América Latina - Latin America
Defesanet 22 Julho 2008
Terra 22 Julho 2008


Cresce o gasto militar dos países sul-americanos


Oscar Raúl Cardoso
De Buenos Aires

Defesa@Net - os dados deste artigo estão no estudo do Centro de Estudos Nueva Mayoria da Argentina - Uma prévia com vários gráfico está disponível Anticipo del Balance Militar 2008 Nueva Mayoria - Recomendado pdf - 450 kb


Virou praticamente um costume. Nos últimos anos, aconteceram, nesta mesma época, anúncios sobre a iminência de uma corrida armamentista na América Latina, prática alarmista iniciada pelo presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias, durante uma conferência em 2006. E 2008 não podia ser exceção.

A região, no entanto, é a que menos gasta dinheiro público para fins de defesa, no planeta. Mas, ainda assim, é sensato desconsiderar todos os alarmes? Esta é uma dúvida que assola os especialistas, admitam ou não.

Vejamos a dualidade. Em seu informe para o corrente ano, o Sipri (sigla que identifica o Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo) afirma que "o volume de transferências internacionais de armas para a América do Sul foi, no período 2003-2007, 47% superior ao registrado no período a 1998-2002".

Os pesquisadores encontraram também "alguma evidência de comportamento competitivo" entre países como Brasil, Colômbia e Venezuela pela "natureza e o momento das Comoras", mas concluíram que "é improvável que a América do Sul esteja no meio de uma corrida armamentista tal e como se a define classicamente". Compram-se mais armas na região, mas não há corrida armamentista.

O Sipri é uma das vozes mais respeitadas quanto ao assunto, mas outras igualmente consideradas dão matizes diferentes. O Serviço de Investigação do Congresso dos Estados Unidos, por exemplo, chamou a atenção em um recente estudo para os US$ 4,4 bilhões que a Venezuela investiu em armamento entre 2003 e 2006, segundo os cálculos da organização.

Com Hugo Chávez a Venezuela se converteu no país que, crêem os observadores, pode dar a medida desse fantasma do armamentismo na América Latina. Daí o motivo para o alarde feito a partir do recente anúncio de que Chávez passará pela Rússia ainda em julho, a fim de analisar a possibilidade de novas encomendas de material de defesa às indústrias russas.

Se no ano passado foram os fuzis Kalashnikov e os submarinos das classes Kilo e Amir - com seis mil milhas de autonomia - que levaram Chávez até Moscou, desta vez são os sistemas digitais de defesa aérea e de inteligência.

Mas não é a Venezuela - nestes tempos sempre sob a lupa - o único agente que aumentou seu gasto com defesa. O Brasil investirá este ano aproximadamente 55% (pouco menos de US$ 28 bilhões) do total do gasto em defesa pelos países sul-americanos (que atinge US$ 50 bilhões), soma que não tem precedentes nos 10 últimos anos. A Argentina será, com exceção do Uruguai, a nação que em 2008 terá um menor aumento em seu orçamento de defesa.

Mas uma coisa é considerar montantes e porcentagens como se os tivéssemos isolados em uma proveta de laboratório e outra é revisá-los à luz das velhas e novas tensões que acontecem na cena internacional e que podem envolver a América Latina.

Um exemplo claro de fatores imponderáveis é a incursão este ano de tropas colombianas no território equatoriano e a crise militar que ameaçou acontecer entre Colômbia, Equador e Venezuela. Ainda que a tensão tenha se dissolvido, em grande parte pela intervenção das diplomacias latino-americanas, vários "casus belli" mantêm sua vigência entre os três países.

Por exemplo, dois pesquisadores - Carlos Malamud e Carlota García Encina - do Real Instituto El Cano alertaram em maio passado sobre as conseqüências de um possível desmembramento da Bolívia, um evento que, afirmaram em um estudo, "ameaçaria a segurança da Argentina e Brasil" e também poderia afetar o Chile e o Peru.

Um dos perigos que enumeram é o das ondas migratórias para escapar da suposta guerra civil. Neste trabalho citam manobras do Exército brasileiro cujo objetivo era "resguardar" a população do sul do país dessas ondas.

Outros fatores que os especialistas consideram como parte do problema são os aumentos nos preços dos petróleo e das commodities, que estão alterando as economias e a tranqüilidade social de muitos países. A América do Sul é pelo seu potencial produtivo dessas commodities (petróleo na Venezuela e Equador, carnes e grãos na Argentina e Uruguai) candidata a ficar no vértice de qualquer conflito que venha a surgir em função dos recursos básicos, inclusive confrontos que possam ter um viés militar.

Defesa @ Net

Planejamento militar de Chávez é de longo prazo - Estadão - Novembro 2007
http://www.defesanet.com.br/0%20nov07/002_al_mil.htm

Orçamento da Defesa pode subir para R$ 10 bi - Valor - Março 2007
http://www.defesanet.com.br/zz/md_budget_07_a.htm

País corre risco de perder liderança militar na região - Valor - Março 2007
http://www.defesanet.com.br/zz/md_budget_07_b.htm


Russos Obtêm Maiores Ganhos no renascimento Mercado de Defesa Latino-Americano - Dezembro 2006
http://www.defesanet.com.br/zz/al_fi_arms.htm

   
   
   
 

 

 

 

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