COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

08 de Janeiro, 2013 - 09:05 ( Brasília )

Equador envia navios para combater narcotráfico no litoral


Jacobo Quinteros


A Marinha do Equador destacou quatro navios em uma ação de combate ao narcotráfico na costa do Pacífico, perto da fronteira com a Colômbia.

As quatro corvetas, juntamente com um navio lançador de mísseis, estão baseadas na província de Esmeraldas, no noroeste do país. A Marinha disse que essa mobilização no final de agosto faz parte de um programa para “apoiar a constante luta contra atividades ilícitas e fortalecer os portos equatorianos”. A ação também coincide com um salto no transporte de cocaína e de outras drogas ilegais através das fronteiras do Equador.

Ações anteriores realizadas por militares e policiais do Equador contra o tráfico de drogas foram ineficazes, devido às mudanças da dinâmica do crime organizado. Essa é a opinião de Adriana Henao, funcionária da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD), da Organização dos Estados Americanos.

“Se o Estado encontra uma maneira de combater os narcotraficantes, eles simplesmente descobrem outra forma de evitar a lei e a polícia”, declarou, assinalando que em 2012, as autoridades equatorianas apreenderam o dobro de drogas em relação aos três anos anteriores. Mas o desafio é muito difícil, diz o almirante Raúl Jaramillo, porta-voz da Marinha equatoriana.

“O Equador possui um território marítimo total de cerca de um milhão de quilômetros quadrados”, afirmou ao Diálogo, ressaltando que a posse sobre as Ilhas Galápagos significa um território extra a patrulhar. “O Equador não possui recursos suficientes para monitorar uma área tão grande. Seria uma tarefa difícil até mesmo para a Marinha americana, com todo o seu poderio, então como pode o Equador lidar com isso?”

Papel do Equador como zona de trânsito de drogas aumenta

O Equador, que faz fronteira com a Colômbia, historicamente é usado pelos cartéis de cocaína colombianos como ponto de transporte para o corredor do Pacífico.

Entretanto, enquanto a guerra de três décadas da Colômbia contra as FARC e os cartéis começa a render bons resultados, o Equador deixou “de ser uma mera rota do tráfico para também se tornar um produtor de drogas e fornecer locais para armazenamento de armas e drogas ilegais”, diz Bertha Garciá, diretora do Observatório de Segurança, Defesa e Democracia, um instituto de pesquisas da Universidad Central, em Quito.

Relatórios de inteligência da província litorânea de El Oro sugerem que os traficantes de drogas geralmente são bem equipados, utilizando lanchas que podem atingir até 140 km por hora, assim como submarinos para esconder as drogas.

Jaime Carrera, analista do Observatório da Política Fiscal localizado em Quito, acha que a presença dos EE.UU. no passado em Manta ajudou na guerra contra as drogas.

“A base em Manta contava com aviões do Sistema de Detecção Aérea Longínqua (AWACS) adequadamente equipados para monitorar estes incidentes específicos”, conta. Porém, desde que o governo do presidente Rafael Correa decidiu não renovar a cessão daquela base, o narcotráfico se multiplicou.

Plano inclui novos submarinos, VANTs e monitoramento por satélite

O envio de quatro navios patrulha é a primeira ação naval desde que o governo de Correa divulgou seu Plano Estratégico e Institucional Moran Valverde, no final de julho. Entre outras coisas, o plano visa modernizar os submarinos do Equador, comprar mais Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) e equipar a Guarda Costeira com sofisticados sistemas de monitoramento por geosatélite.

“É uma prioridade nacional controlar nossa soberania marítima. É por isso que estamos trabalhando para equipar adequadamente nossas forças navais para lidar com as ameaças do século XXI”, disse Correa recentemente.

Em 2009, autoridades descobriram o primeiro submarino com drogas no litoral da província de El Oro. O jornal local El Comercio divulgou que a embarcação, embora possuísse a capacidade para transportar quatro toneladas de drogas, não era sofisticada e parecia uma canoa submersível.

No ano seguinte, forças militares descobriram outro veículo submersível de fibra de vidro nas águas da Amazônia, carregando drogas que rumavam para o México. E, em março de 2012, forças navais interceptaram uma traineira escondida em uma rede de manguezais. O barco estava transportando armas de uso militar, explosivos e equipamento de comunicação.

O posicionamento estratégico de uma força naval do Equador foi complementado em setembro com a chegada de quatro helicópteros, dezenas de veículos e 500 homens das brigadas das Forças Especiais. Contudo, Jesús Narvaez, governador da província de Los Ríos no sudoeste do país, recentemente disse ao La Hora que os juízes deveriam impor sentenças mais severas para traficantes de drogas condenados.

Para fortalecer suas ações de repressão às drogas, o Equador adquiriu sistemas de radar da China e 18 aviões Super Tucanos de ataque leve fabricados pela brasileira Embraer. Porém, os sistemas de radar ainda não estão operacionais e somente nove Super Tucanos estão disponíveis para operações de combate, e um caiu durante um treinamento.

Em 13 de dezembro, María Fernanda Espinosa assumiu o cargo de ministra da Defesa do Equador. Em seu discurso de posse, a poeta e ex-ministra do Patrimônio Nacional disse que “o narcotráfico conspira contra a soberania do Estado, obrigando as Forças Armadas a redobrar seus esforços para combatê-lo”. María Fernanda conta com uma série de acordos, incluindo uma compra no valor de US$ 75 milhões (R$ 153 milhões) em armamento e tecnologia russos.