COBERTURA ESPECIAL - America Latina

07 de Setembro, 2012 - 10:51 ( Brasília )

FARC - Discorda de governo e vai pedir cessar-fogo imediato

Guerrilha admite deixar as armas após 50 anos de conflito


Havana e bogotá Após meio século de conflito, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) admitiram ontem deixar as armas no âmbito das negociações de paz com o governo do país. Mas defenderam que o cessar-fogo seja um dos primeiros pontos de discussão. O presidente Juan Manuel Santos já se disse contrário a tréguas antes do acordo final. Trata-se da primeira grande divergência pública da primeira tentativa de diálogo em uma década.

- Vamos pedir o cessar-fogo bilateral assim que sentarmos à mesa. É um dos primeiros pontos - disse Mauricio Jaramillo, "o médico", porta-voz da guerrilha em Havana, um dos palcos das negociações.

Na terça-feira, o presidente afirmara que manteria as ações contra a guerrilha durante as conversas. Na tentativa de diálogo anterior, o então presidente Andrés Pastrana (1998-2002) entregou às Farc uma área desmilitarizada equivalente ao estado do Rio de Janeiro. O acordo fracassou.

- Se fui claro em algo, é que as operações militares não seriam cessadas e assim será enquanto não houver avanços reais no diálogo - reiterou ontem o presidente.

Ao mesmo tempo em que negocia, Santos tem atacado duramente a guerrilha, matando líderes históricos como Alfonso Cano e Mono Jojoy. Anteontem, quando apresentou seus negociadores, o governo também informou ter eliminado José Molina, o "Danilo Garcia" - homem de confiança do atual líder das Farc, Rodrigo Londoño, o "Timochenko".

PRESO INDICADO PARA DIÁLOGO

Para Socorro Ramírez, professora da Universidade Nacional da Colômbia, a morte de comandantes tem enfraquecido a guerrilha, o que é positivo para a negociação.
Um segundo ponto de atrito é a tentativa das Farc de nomear como negociador Juvenal Pineda, o "Simón Trinidad". O guerrilheiro está preso nos EUA, condenado a 60 anos de prisão pelo sequestro de três americanos, mas estará na mesa de diálogo "doa a quem doer", disse Ricardo Telléz, o "Rodrigo Granda". Santos disse que o assunto "não depende da Colômbia".

Serão representantes das Farc, além de Jaramillo, Bertulfo Álvarez ("José Santrich") e Luciano Marín Arango ("Iván Márquez"). Márquez participou de negociações anteriores e foi deputado da União Patriótica - partido da guerrilha dizimado pela extrema-direita nos anos 1980. O presidente do Congresso, Roy Barreras, elogiou a escolha de Álvarez.
O primeiro encontro entre governo e rebeldes ocorrerá na primeira quinzena de outubro na capital da Noruega.