COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

12 de Novembro, 2019 - 11:20 ( Brasília )

Rússia chama crise na Bolívia de 'golpe' e manda recado ao Brasil


Após a renúncia do presidente boliviano Evo Morales sob pressão das Forças Armadas, o governo da Rússia afirmou que o acontecimento tem o “padrão de um golpe de estado orquestrado". Apesar de se dirigir a todos os membros da comunidade internacional, o comunicado recomendando uma “abordagem responsável” da crise foi interpretado nos meios diplomáticos como um recado ao Brasil, aos EUA e à Organização dos Estados Americanos. A informação é do jornalista Jamil Chade.

Imediatamente após a queda de Morales, autoridades brasileiras anunciaram não se tratar de um golpe. Nas redes sociais, o chanceler Ernesto Araújo já anunciou que o Brasil "apoiará transição democrática e constitucional" na Bolívia. Afirmou, ainda, que "a narrativa do golpe só serve para incitar a violência".

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia sugeriu que Evo Morales tentou promover o diálogo, mas a tentativa foi rejeitada:

"Causa profunda preocupação que a vontade do governo de buscar soluções construtivas, com base no diálogo, foi rejeitada por eventos que tem um padrão de um golpe de estado orquestrado. Estamos preocupados com a dramática evolução da situação na Bolívia, onde a onda de violência desencadeada pela oposição não permitiu que o mandato presidencial de Evo Morales fosse cumprido.”

Em seguida, Moscou se dirige às forças políticas bolivianas e internacionais, e alerta:

"Apelamos a todas as forças políticas bolivianas para que sejam sensatas e responsáveis, para que encontrem uma solução constitucional para a situação no interesse da paz, da tranquilidade, da restauração da governabilidade das instituições do Estado, da garantia dos direitos de todos os cidadãos e do desenvolvimento social e econômico do país, ao qual estamos ligados por uma relação de amizade. Esperamos que esta abordagem responsável seja demonstrada por todos os membros da comunidade internacional, pelos vizinhos latino-americanos da Bolívia, pelos países extra-regionais influentes e pelas organizações internacionais.”

O comunicado foi emitido na manhã desta segunda-feira (11) às vésperas da cúpula dos Brics, que acontece em Brasília nos dias 13 e 14 de novembro. O governo de Vladimir Putin, que tem interesses econômicos na Bolívia, tem se mostrado preocupado com as tentativas de aproximação de Bolsonaro com Donald Trump.

Evo Morales já recebeu o título de doutor Honoris Causa de uma universidade russa em meados do ano, e agora foi convidado para ser apresentador do Russia Today em Espanhol, um canal estatal do governo russo que tem o objetivo de promover os interesses de Putin no exterior.

Morales aceita asilo político e parte para México em avião militar, diz chanceler¹

Um avião militar decolou da Bolívia na noite de segunda-feira rumo ao México com Evo Morales a bordo, disse o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, após o líder indígena renunciar à Presidência sob pressões militares.

“Sua vida e sua integridade estão a salvo”, tuitou o chanceler mexicano junto a uma foto de Morales com a bandeira do México em mãos.

Exército da Bolívia reforça segurança nas ruas¹

Evo Morales partiu na noite de segunda-feira a bordo de um avião militar rumo ao México para se asilar, ao final de um dia em que as Forças Armadas saíram às ruas de cidades da Bolívia para fazer frente ao que qualificaram como “grupos de vândalos”, em meio à situação política convulsionada do país.

A partida de Morales foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard. “Sua vida e integridade estão a salvo”, afirmou o chanceler em sua conta de Twitter, na qual publicou uma foto de Morales com a bandeira do México nas mãos.

Na tentativa de restabelecer a ordem antes de uma sessão da Assembleia Legislativa convocada para esta terça-feira, os militares se uniram à polícia no momento em que as cidades bolivianas atravessam momentos de grande tensão com mobilizações de grupos a favor e contra o ex-presidente, além de incêndios e saques.

“O comando militar determinou que as Forças Armadas executem operações conjuntas com a Polícia Boliviana para evitar sangue e luto à família boliviana... contra os atos de grupos de vândalos que causam terror na população”, disse o comandante das Forças Armadas, Williams Kaliman.

A ação militar também respaldaria a realização de uma sessão especial dos parlamentares em La Paz para tratar da renúncia de Morales, ocorrida no domingo, após a divulgação de um informe da Organização dos Estados Americanos (OEA) que mostrou irregularidades nas eleições do mês passado.

A reunião da Assembleia foi convocada pela opositora Jeanine Áñez, segunda vice-presidenta do Senado, na condição de presidente em exercício da Assembleia Legislativa da Bolívia. Junto com Morales renunciaram seu vice e as outras principais autoridades parlamentares, criando um vazio de poder.

As redes sociais mostraram imagens de veículos militares leves circulando por uma rua de noite. Mais cedo, milhares de partidários de Morales se mobilizaram no centro de La Paz enquanto grupos rivais montavam barricadas, aumentando os temores de um recrudescimento da violência.

Morales, que se declarou vítima de um golpe de Estado perpetrado por militares e seus opositores de direita, havia dito em sua conta de Twitter que sairia da Bolívia rumo ao México em um avião oficial daquele país, que lhe ofereceu asilo político por temer por sua integridade física.

Uma autoridade dos Estados Unidos disse que o governo de Donald Trump não tem objeções à oferta do México de dar asilo a Morales, já que sua ausência poderia ajudar a estabilizar a Bolívia.


¹Com Agência Reuters

 

 

 

 



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