COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Inteligência

01 de Fevereiro, 2005 - 12:00 ( Brasília )

Os Militares Latino-Americanos Vistos por Hugo Chávez



Os Militares Latino-Americanos
Vistos por Hugo Chávez

 

Kaiser Konrad - DefesaNet

Porto Alegre - Não há duvidas que a grande estrela do V Fórum Social Mundial foi o presidente da República Bolivariana da Venezuela. Com um discurso de extrema-esquerda e sem poupar duras críticas à política e ao governo dos Estados Unidos, Hugo Chávez cativou, como era de se esperar, a maioria dos participantes do evento, além de trazer ele próprio uma assistência particular.. Após visitar um assentamento "modelo" do MST em Tapes(RS), na manhã de domingo, o prolixo Chávez, falou para quase duzentos jornalistas de todo o mundo, numa tumultuada coletiva, que começou com quase uma hora e meia de atraso. Respondendo somente cinco perguntas livres, que foram sorteadas entre os órgãos de imprensa credenciados, ele chegou a ser ovacionado por alguns dos presentes, muitos deles, por sinal, não eram jornalistas.

Defesanet publica na íntegra a resposta do presidente venezuelano, quando indagado sobre
qual deve ser o papel desempenhado pelos militares da América Latina hoje.

Hugo Chávez: Eu sou militar e alguns de meus companheiros também são. O papel dos militares na América Latina já foi definido por Simon Bolívar, líder, libertador e militar, há quase duzentos anos. Em sua última proclamação, Bolívar disse: " Os militares devem empunhar suas espadas para defender as garantias sociais".

A última coisa que um militar deve fazer é servir ao imperialismo e às oligarquias dominantes e arremeter contra seu próprio povo
, como já aconteceu em inúmeras ocasiões em nosso continente. Bolívar, numa ocasião, disse que "maldito seja o soldado que se lance contra seu povo".

Nesse momento, quando a força imperialista arremete contra nosso povo e do mundo, os militares da América Latina devem se preparar e empunhar suas espadas na defesa de suas nações, mas nunca subordinar-se ao imperialismo americano e os interesses das oligarquias.

Em fim, o papel de nossos militares hoje, deve ser de libertadores. Mas os militares devem estar subordinados ao máximo poder político que tem um uma nação: a vontade popular. Assim como acontece na Venezuela,
os militares latino-americanos não devem tão somente se preocupar com a defesa da nação e de seus limites territoriais, mas também se incorporar ao povo e construir a nação, numa intensa integração comunitária e política, no desenvolvimento de projetos sociais, técnicos, científicos e universitários, como pude ver hoje em Tapes, onde encontrei no acampamento do MST o General Gonzáles, do Exército Venezuelano, que estava trabalhando pela Universidade Bolivariana da Venezuela, onde é estudante.

Dessa forma, está em marcha uma das linhas mestras da Revolução Bolivariana, a união cívico-militar. Agora está sendo colocada em prática a nova estratégia de defesa nacional da Venezuela:


1º O fortalecimento do aparato militar do país;
2° Fortalecer a união cívico-militar;
3° Incrementar a participação popular na defesa nacional, ou seja, a população capacitando-se e treinando-se para a defesa do país
.

Os militares devem empunhar suas espadas para defender as garantias sociais e a soberania popular"

Após a entrevista coletiva, Hugo Chávez discursou por  quase duas horas para os participantes do V Forum Social Mundial. Lotou o ginásio Gigantinho e os o arredores do mesmo, onde sua palestra foi transmitido através de um telão. Também  via Radiobras, TV  Brasil, foi distribuído via satélite para toda a América Latina.


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