COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

04 de Outubro, 2016 - 15:20 ( Brasília )

Venezuela qualifica de agressão ultimato de Brasil e Argentina


A Venezuela denunciou nesta segunda-feira como agressão o ultimato de Brasil e Argentina para que Caracas cumpra suas obrigações com o Mercosul para permanecer no bloco.

"Venezuela, no exercício legítimo da presidência temporária do Mercosul, rejeita às ameaças e agressões proferidas pelo presidente da República Argentina, Mauricio Macri, e pelo presidente de fato da República Federativa do Brasil, Michel Temer, que persistem em sua ação de implodir e destruir o Mercosul", destaca nota da chancelaria em Caracas.

O documento acusa Brasil, Argentina e Paraguai de atentar contra "a estabilidade do bloco de integração econômica, comercial e social".

Temer e Macri se reuniram nesta segunda-feira, em Buenos Aires, onde concordaram em reafirmar a advertência feita a Caracas para que "cumpra os requisitos" de integração plena ao bloco regional.

Temer garante que o objetivo não é tirar a Venezuela do Mercosul. Macri ressaltou que eles estão preocupados com a "violação aos direitos humanos" e com a não aceitação do referendo revogatório ao presidente Nicolás Maduro pedido pela oposição.

Em setembro, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assumiram de maneira conjunta a presidência rotativa do Mercosul, que correspondia à Venezuela por ordem alfabética, e advertiram que o país poderia ser suspenso do Bloco.

Brasil e Argentina reiteram que Venezuela deve cumprir regras do Mercosul¹

O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira que os quatro membros fundadores do Mercosul têm a mesma posição quanto à necessidade de que a Venezuela cumpra as regras do bloco para que se integre a ele de forma definitiva.

"Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai têm a mesma posição formal de que Venezuela a deve cumprir os requisitos necessários para a integração definitiva ao Mercosul", declarou Temer em entrevista coletiva depois de se reunir em Buenos Aires com o presidente argentino, Mauricio Macri.

A Venezuela deveria assumir a presidência rotatória do bloco por um semestre, conforme definido por ordem alfabética - em julho, após o fim do mandato do Uruguai. Desde então, o país reivindica o direito de exercê-la, apesar de ter sido vetada por Argentina, Brasil e Paraguai por ainda não ter adotado a legislação interna do Mercosul e também porque entre alguns de seus membros existe preocupação com casos de violações aos direitos humanos e políticos que seu governo é acusado de cometer.

Após ressaltar que a relação entre os Estados é institucional, Temer afirmou que "é claro que desde o lado brasileiro" têm alguma "preocupação já expressada" pela preservação dos direitos políticos e humanos na Venezuela.

No entanto, transmitiu sua "convicção e esperança" de que os requisitos serão cumpridos e que a Venezuela "poderá se integrar definitivamente ao Mercosul".

"É a posição uniforme dos quatro países integrantes (fundadores) do Mercosul", declarou.

No dia 13 de setembro, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil definiram que a Venezuela, aceita como membro pleno em 2012, não poderá exercer a presidência pois ainda não ratificou todos os acordos do bloco.

Inclusive, conforme decidiram Argentina, Brasil e Paraguai, com a abstenção do Uruguai, que desse modo permitiu o consenso, se até 1º de dezembro a Venezuela não regularizar a situação, será suspensa do bloco por tempo indeterminado.

"Demos um prazo o qual, se não cumprirem, perderão sua condição de membros ativos do Mercosul", acrescentou o presidente da Argentina.

¹com agência EFE