COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

11 de Fevereiro, 2016 - 16:50 ( Brasília )

Plano Colômbia comemora 15 anos

Ação conjunta bem-sucedida favoreceu segurança e economia

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Santiago Wills
 

Os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniram-se na Casa Branca em 4 de fevereiro para celebrar o 15° aniversário do Plano Colômbia, uma multibilionária iniciativa conjunta de segurança e desenvolvimento que melhorou a segurança pública no país sul-americano. O Plano Colômbia é um elemento essencial da luta do país contra o crime organizado, o narcotráfico internacional e a violência dos movimentos guerrilheiros Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e Exército de Libertação Nacional (ELN).

O presidente Santos elogiou os resultados obtidos pelas Forças Armadas da Colômbia e a melhoria na segurança pública do país, que, por sua vez, impulsionou o desenvolvimento econômico. Santos também destacou a parceria com os Estados Unidos. “Em nome dos milhões de colombianos que estão aprendendo a viver sem medo, obrigado”, disse Santos em coletiva de imprensa, ao lado do presidente norte-americano. “Mas, acima de tudo, em nome das novas gerações em todo o nosso território; desses meninos e meninas que hoje podem ver o futuro com mais confiança.”

Em seu discurso, o presidente Obama elogiou a Colômbia e a ação conjunta. “O Plano Colômbia é um tributo à população da Colômbia e aos seus esforços para superar tantos desafios”, disse. “E, após 15 anos de sacrifício e determinação, um ponto de virada foi alcançado. A maré mudou.” Obama também anunciou um novo pacote de ajuda de US$ 450 milhões para os esforços pós-conflito da Colômbia.

As origens do Plano Colômbia

O Plano Colômbia começou como uma proposta de desenvolvimento elaborada pelo ex-presidente Andrés Pastrana em 1998. O projeto foi aprimorado, o que exigiu uma parceria com os Estados Unidos, e apresentado no início de 2000 como um plano de US$ 7,5 bilhões para encerrar o conflito civil na Colômbia, combater o narcotráfico, revigorar a economia e fortalecer as instituições democráticas do país. O governo de Pastrana investiu US$ 4 bilhões e pediu auxílio dos países aliados para os custos restantes.

O governo dos EUA, na época liderado pelo presidente Bill Clinton, respondeu positivamente à proposta colombiana. Em junho de 2000, o Congresso norte-americano aprovou a destinação de cerca de US$ 1,6 bilhão nos dois anos seguintes para expandir as operações antidrogas, melhorar o trabalho de inteligência por meio de novas tecnologias e parcerias, reforçar o treinamento da Polícia Nacional da Colômbia, apoiar os programas governamentais através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e incentivar programas econômicos alternativos.

Desde 2000, o Congresso dos EUA ampliou os recursos aprovados para o Plano Colômbia com o apoio bipartidário, a pedido do presidente Clinton e de seus sucessores, George W. Bush e Barack Obama. Esses recursos transformaram o Exército do país sul-americano e contribuíram para uma grande virada na segurança, que teve repercussões sociais e econômicas positivas, de acordo com as autoridades colombianas e norte-americanas.

Apoio às Forças Armadas da Colômbia

A iniciativa garantiu recursos para as Forças Armadas da Colômbia que ajudaram a instituição a se impor frente às FARC, ao ELN, às organizações de narcotráfico e aos grupos criminosos emergentes conhecidos como BACRIMs. “Foi uma verdadeira revolução”, disse o General da reserva Freddy Padilla de León, comandante do Exército Nacional de 2006 a 2009, ao jornal colombiano El Tiempo . Graças ao Plano Colômbia, as Forças Armadas foram capazes de “ver e ouvir os grupos ilegais para operar com acerto 24 horas, todos os dias”, afirmou.

Como parte do Plano Colômbia, o Exército colombiano adquiriu cerca de 20 helicópteros Black Hawk e 33 UH-1N – alguns foram doados, mas a Colômbia comprou a maioria–, sete aviões de vigilância, quatro aeronaves de transporte C-27 e duas Grand Caravan, além de oito barcos de patrulha Midnight Express, que ofereceram novas capacidades na luta contra os grupos guerrilheiros, narcotraficantes e BACRIMs. Os helicópteros, aliados ao trabalho de inteligência e aos novos equipamentos tecnológicos, como dispositivos de visão noturna, possibilitaram operações agressivas contra as organizações criminosas, incluindo missões que levaram à morte de importantes líderes das FARC, como Alfonso Cano, Jorge Briceño, conhecido como “Mono Jojoy”, e Raúl Reyes.

Sob o Plano Colômbia, as Forças Armadas também receberam extensivo treinamento. De 2000 a 2014, as Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos treinaram com mais de 93.000 soldados colombianos e agentes da Polícia Nacional. Esse treinamento ajudou a profissionalizar o Exército, de acordo com ex-chefe da instituição e General da reserva Harold Bedoya Pizarro.

Combatendo os traficantes de drogas

O Plano Colômbia ajudou as Forças Armadas e a polícia a combater o narcotráfico internacional. Novas tecnologias de radar ajudaram a aumentar substancialmente as interdições de drogas que saem do país por via marítima ou aérea. Em 15 anos, as forças de segurança colombianas apreenderam 2.381 toneladas de cocaína – o equivalente à produção potencial da substância no país durante cinco anos –, de acordo com o governo colombiano. No mesmo período, o número de hectares ocupados com plantações de coca caiu de um máximo de 170.000 em 2001 para cerca de 112.000 em 2014.

Para ajudar os pequenos agricultores a migrar do cultivo ilegal de coca para produtos alternativos, como café, arroz e cacau, o Plano Colômbia incluiu o financiamento de planos de substituição de culturas em áreas críticas. A economia relacionada às drogas no país recuou de US$ 7,5 bilhões em 2008 para US$ 4,5 bilhões em 2013, de acordo com um estudo de Daniel Mejía, economista colombiano que coordena o Centro de Estudos sobre Segurança e Drogas da Universidade dos Andes.

Os recursos do Plano Colômbia foram especialmente importantes em regiões distantes na Colômbia, afirma Paul Angelo, pesquisador de Assuntos Internacionais do Conselho sobre Relações Exteriores e ex-pesquisador da Rhodes que morou no país durante vários anos. Enquanto esteve na Colômbia, Angelo, que fez várias viagens como um agente de ligação entre a Embaixada dos Estados Unidos e as Forças Armadas colombianas, viu em primeira mão os efeitos do Plano Colômbia.

“Um dos benefícios que vi com frequência foi uma base extremamente bem estabelecida em uma parte do país onde não havia mais nada, onde os colombianos nunca tiveram uma presença permanente”, diz Angelo. “Isso inspirou confiança na população local. Eles então podiam confiar no governo para protegê-los. Isso sinalizou às pessoas nessas áreas que o governo estava lá para ficar.”

Uma importante parceria

A iniciativa reforçou os laços cooperativos entre as Forças Armadas da Colômbia e o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM). Em 14 de janeiro, o secretário de Defesa dos EUA, Ashton B. Carter, falou sobre a parceria durante a cerimônia em que o Almirante de Esquadra da Marinha norte-americana Kurt W. Tidd recebeu o comando do SOUTHCOM do Almirante de Esquadra do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA John F. Kelly.

“A Colômbia, em particular, oferece grandes perspectivas graças aos sacrifícios do povo colombiano”, disse o secretário de Defesa Carter. “[O país] agora está no caminho de uma paz histórica. E, assim como fizeram durante seus períodos mais difíceis, as pessoas do SOUTHCOM continuarão dando apoio aos nossos amigos colombianos enquanto eles buscam dias de prosperidade ainda maior.”

O Almirante de Esquadra do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Joseph F. Dunford, presidente do Estado-Maior Conjunto, também falou da importância da parceria durante a cerimônia. “O tema constante em tudo o que o Comando Sul faz é a parceria – é o envolvimento do SOUTHCOM em todos os programas humanitários e de assistência civil, na construção de instituições de defesa e em iniciativas de direitos humanos que ajudem os países parceiros a fortalecer a governança e o desenvolvimento, a profissionalizar suas Forças Armadas e as forças de segurança e a aumentar sua atual capacidade de resposta a crises”, disse o Alte Esq Dunford.

“Estou comprometido a intensificar os fortes e vibrantes laços de amizade que temos com esta importante região e a trabalhar de perto com os países parceiros – que, como a Colômbia, têm o nosso maior respeito e confiança – para apoiar a segurança e a estabilidade nas Américas”, afirmou o Alte Esq Tidd, em seu encontro com o presidente Santos na Colômbia, em janeiro.