COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

21 de Julho, 2015 - 15:20 ( Brasília )

Depto do Tesouro dos EUA inclui grupo maoísta Sendero Luminoso na lista dos principais narcotraficantes


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Víctor Falconí Miñano


O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (United States Department of the Treasury) designou o Sendero Luminoso como um “importante narcotraficante estrangeiro” conforme a lei de designação de chefes de narcotráfico estrangeiros (a Lei Kingpin), que congela os bens da organização e de seus líderes.

O Departamento também designou como narcotraficantes os líderes do Sendero Luminoso Victor Quispe Palomino, conhecido como “Camarada José”; seu irmão, Jorge Quispe Palomino, conhecido como “Raúl”; e Florindo Eleuterio Flores Hala, conhecido como “Camarada Artemio”. Os bens deles foram congelados. Tropas peruanas capturaram Camarada Artemio em fevereiro de 2012. Em junho de 2013, um tribunal do Peru sentenciou Artemio, o último dos membros originais do Sendero Luminoso, à prisão perpétua após condená-lo por terrorismo, trafico de drogas e lavagem de dinheiro.

Durante o seu julgamento, que durou seis meses, Camarada Artemio negou as acusações de terrorismo e se autoproclamou “revolucionário”.

“Ficou provado que ele [Artemio] ordenou a execução de inúmeros civis, policiais e soldados”, disse a juíza Clotilde Cavero ao condená-lo.

O Camarada José e Raúl continuam foragidos.

Debilitar o Sendero Luminoso

A ação do Departamento de Estado contra Camarada Artemio, Camarada José e Raúl representa um duro golpe contra o Sendero Luminoso, uma organização violenta que começou a cometer atos terroristas e agora está envolvida com o narcotráfico.

“Desde sua criação, o Sendero Luminoso passou de um grupo terrorista a uma organização narcoterrorista responsável pelo tráfico de cocaína em toda a América do Sul”, disse John Smith, diretor interino do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento de Estado (OFAC). “Nossa ação hoje apoia os esforços do governo do Peru para combater ativamente o grupo, e continuaremos atingindo o Sendero Luminoso e suas atividades narcoterroristas.”

Militantes formaram o Sendero Luminoso no final dos anos 1970; o grupo iniciou sua insurgência armada em 1980, empreendendo um confronto com o governo que deixou em torno de 70.000 pessoas mortas em cerca de 20 anos. Em 1992, a polícia peruana impôs um duro golpe contra o Sendero Luminoso ao capturar o seu então líder, Abimael Guzmán Reynoso. No final dos anos 1990, as Forças Armadas e a polícia do Peru haviam reduzido a ameaça do Sendero Luminoso prendendo ou matando vários de seus principais líderes e restabelecendo a segurança em regiões que antes sofriam com a violência do grupo terrorista.

Sendero Luminoso produz e trafica cocaína

Enquanto os militares e policiais avançam na luta contra o Sendero Luminoso, as forças de segurança do governo devem ficar atentas no confronto com o grupo terrorista, que continua ativo na região do Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM), no sul do Peru.

“[O Sendero Luminoso sofreu uma] evolução do terrorismo ao narcotráfico, especialmente no VRAEM, onde os rebeldes estão ativos. É comum que os grupos tentem sobreviver através do narcotráfico”, diz Alain Zegarra, diretor da revista Intelligentsia . Desde por volta de 2005, a organização mudou o foco para a produção e o tráfico de cocaína; os membros do Sendero Luminoso “taxam” a produção, o processamento e o transporte da droga. O grupo então transporta a cocaína e presta segurança a narcotraficantes na região centro-sul do Peru.

Em 2013, o Departamento do Tesouro elogiou o governo do presidente Ollanta Humala pelo “firme compromisso de combater a produção e o tráfico de drogas”. No mesmo ano, o Peru ultrapassou a Colômbia como maior produtor mundial de coca, o ingrediente usado para fabricar cocaína, de acordo com o Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (UNODC).