COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

10 de Maio, 2013 - 10:54 ( Brasília )

BR-VE - Maduro recebe apoio de Dilma contra 'ingerência externa' na Venezuela

Presidente venezuelano encerra no Brasil a sua primeira viagem internacional, depois de passar pelo Uruguai e Argentina

Eleito por uma estreita margem de diferença em relação ao segundo colocado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, alegou nesta quinta-feira que o sistema eleitoral venezuelano é “quase perfeito” e que sua gestão não distinguirá partidários favoráveis de oposicionistas. Da presidente Dilma Rousseff, o mandatário recebeu endosso: a brasileira criticou “ingerência externa” na região. A afirmação foi um sinal aos Estados Unidos, que defendem a recontagem dos votos.

“O sistema eleitoral venezuelano é quase perfeito. Nosso país é profundamente democrático. Tem sistema moderno, avançado e automatizado”, afirmou Maduro em declaração à imprensa, em Brasília. Na Venezuela, são usadas urnas eletrônicas similares às brasileiras.

“Hoje estamos construindo um governo para todos. Os que votaram em nós e os que não votaram”, acrescentou o mandatário.

“Nossos países estão mostrando essa vocação para criar um futuro comum, que una toda a nossa região, que constitua para um mundo multipolar e multilateral. Sem espíritos de confrontação, sem pretensão hegemônica e sem ingerência externa”, afirmou Dilma.

Em visita ao Brasil por um giro entre países membros do Mercosul, Maduro disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “um pai” para os latino-americanos de esquerda e o colocou no mesmo hall de Hugo Chávez como um dos gigantes que iniciaram um processo democrático de esquerda na região. Maduro e Lula tiveram um encontro sigiloso no início da tarde desta quinta-feira.

O mandatário falou do crescimento da relação bilateral nos últimos anos. “O Brasil para nós era futebol, samba e caipirinha. Estávamos de costas, completamente. Não conhecíamos, olhávamos com reservas”, disse Maduro.

Além de assuntos multilaterais, Dilma e Maduro abordaram em mais de duas horas de encontro temas no campo da relação entre os dois países giraram em torno da cooperação nas áreas de integração produtiva, segurança alimentar, políticas públicas, saúde e desenvolvimento social e tecnológico.

Paraguai

No giro por países do Mercosul, o presidente venezuelano falou sobre a importância do fortalecimento do bloco e o apontou como um caminho econômico para a região no futuro. O retorno do Paraguai, no entanto, não foi abordado em público e o assunto ficou restrito às conversas reservadas entre o mandatário e a presidente Dilma Rousseff.

“Conversamos sobre a necessidade de fortalecer o Mercosul, o grande espaço econômico da América do futuro, que é o Mercosul”, limitou-se a dizer Maduro em declaração à imprensa, após duas horas de reunião. Auxiliares da presidente, no entanto,dizem que o retorno paraguaio ao bloco foi um provável tema num encontro a portas fechadas.

Em junho do ano passado, o Paraguai foi suspenso do bloco após um impeachment relâmpago que destituiu o então presidente Fernando Lugo do poder. A expectativa é que o país retorne ao bloco no segundo semestre, após a posse do presidente eleito Horacio Cartes.

Não está definido ainda se pode haver convocação de uma reunião extraordinária de chefes de Estado logo depois de agosto – quanto Cartes toma posse – ou se o retorno do Paraguai fica para o encontro ordinário do Mercosul, que acontece em dezembro, na Venezuela.