COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

02 de Maio, 2013 - 09:45 ( Brasília )

Bolívia expulsa agência dos EUA por frase de John Kerry

EUA lamentam expulsão de agência americana da Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem a expulsão da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês), em protesto contra uma declaração do secretário de Estado John Kerry de que a América Latina é o "quintal" dos Estados Unidos.

- Hoje vamos nacionalizar apenas a dignidade do povo boliviano - disse Morales durante evento pelo Dia do Trabalhador em La Paz, em referência às nacionalizações de empresas em anos anteriores e sempre anunciadas no feriado.

Em 2008, o governo boliviano expulsou do país a DEA, agência antidrogas americana. Após o anúncio de Morales ontem, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Patrick Ventrell, disse que a Bolívia não está interessada em uma relação de "respeito mútuo, diálogo e cooperação".

Kerry fez o comentário que motivou a expulsão da Usaid no último dia 18, durante audiência no Congresso. "É nosso quintal, nossa vizinhança", disse o secretário ao criticar os cortes na ajuda americana aos países da América Latina, respondendo a um senador que perguntou sobre a influência dos EUA na região.

 

EUA

Os Estados Unidos lamentaram "profundamente" nesta quarta-feira a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de expulsar do país à Agência americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). O país também advertiu que seu maior efeito será sobre o povo boliviano que se beneficiava de seus programas.

"Os Estados Unidos lamentam profundamente a decisão boliviana de expulsar a Usaid, e rejeitamos as acusações (de intervenção) feitas pelo governo boliviano", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell, em entrevista coletiva. Ele assegurou que os programas da Usaid "ajudavam a melhorar as vidas de bolivianos comuns", por isso "os mais feridos pela decisão serão os bolivianos".

Assegurou que esses programas, implementados desde 1964 e centrados em sua maioria nas áreas de educação, meio ambiente e saúde, "foram coordenados em sua totalidade com o governo boliviano em conformidade com seu plano nacional" de desenvolvimento. Ventrell não descartou que os Estados Unidos possam tomar alguma medida em reação à expulsão da agência, ao dizer que o governo de Barack Obama "se reserva" essa possibilidade.

O porta-voz reagiu, além disso, à irritação causada no governo boliviano pela declaração de algumas semanas do secretário de Estado americano, John Kerry, em que se referiu à América Latina como o "quintal" de Washington. "Não deveriam (sentir-se ofendidos), porque essa não é a intenção. A única intenção era simplesmente implicar que são vizinhos e amigos", ressaltou Ventrell.

Morales justificou a decisão de expulsar a Usaid, o que vinha ameaçando fazer há anos, por sua suposta "intromissão política" e "conspiração" contra o "processo" que desenvolve seu governo, e a acusou de "manipular politicamente e economicamente".

A medida aumenta a tensão nas relações entre Estados Unidos e Bolívia, debilitadas desde que Morales expulsou em 2008 à Agência Antidrogas Americana (DEA) e ao então embaixador de Washington em La Paz, Philip Goldberg, a quem acusou de conspirar contra seu governo.

O governo boliviano disse várias vezes que as ONGs supostamente financiadas pela Usaid são "espiãs" dos EUA e as acusou de tentar frear vários projetos e de exploração de recursos naturais na Bolívia, usando para isso os povos indígenas, o que os Estados Unidos sempre negaram.