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Blindados - AFV
Defesanet 05 Outubro 2007
Exclusivo Defesa @ Net

Portugal moderniza a sua frota de
blindados com o Pandur II

Por Pedro Manuel P. Monteiro
Correspondente Defesa@Net em Portugal
http://pedromonteiro-photography.blogspot.com

Numa cerimónia a que compareceram militares dos três ramos, responsáveis políticos, industriais, diplomatas e adidos militares, a empresa portuguesa Fabrequipa, localizada no Barreiro, apresentou o primeiro blindado Pandur II produzido em Portugal. A cerimónia, realizada na semana em que o Exército recebe os seus primeiros blindados, procurou afirmar o papel da empresa no importante e competitivo domínio da indústria militar.

Um blindado “made in” Portugal

Entre a localidade de Porto Alto e o Barreiro distam cerca de meia centena de quilómetros. Contudo, existem outras distâncias, mais simbólicas. Entre Porto Alto, onde foram produzidas mais de 400 blindados Chaimite, e o Barreiro distam cerca de quatro décadas de história. Neste período, a Chaimite, o mais importante e reconhecido produto da indústria militar portuguesa, operou em vários países (Peru, Líbia, Líbano e Filipinas) e cenários operacionais (desde a exigente Guerra Colonial até às recentes missões de paz na invernosa região dos Balcãs).

Tal legado foi, desde cedo, reconhecido pelos responsáveis da Fabrequipa. A recuperação de uma indústria militar nacional poderá, pois, ocorrer por meio de um dos mais importantes programas de modernização material das Forças Armadas nacionais. De facto, à Chaimite (nota 1) sucede uma outra viatura produzida em Portugal: a sofisticada Pandur II.

Este processo teve início com o anúncio, em finais de 2004, do vencedor de um concurso aquisição de viaturas blindadas sobre rodas (8x8) para o Exército português e Corpo de Fuzileiros da Armada. A austríaca Steyr-Daimler-Puch com o seu Pandur II foi escolhida pelas autoridades de Lisboa, em detrimento da suíça Mowag com a Piranha III e da finlandesa Patria com o AMV (notas 2 e 3). A proposta da Steyr era, aliás, a única a contemplar a produção, em Portugal, de parte dos 260 veículos encomendados – 240 dos quais destinados ao Exército.

Consequentemente, a Steyr procurou um local-partner que pudesse assegurar a produção de 218 blindados e, mais tarde, fornecer o apoio logístico e a actualização necessários à plena operatividade da frota portuguesa. A empresa escolhida foi a Fabrequipa, uma empresa especializada na produção semi-reboques. Como nota um dos sócios-gerentes, Francisco Pita, foram também feitos contactos com vista a assegurar que uma significativa percentagem de componentes portugueses nos blindados Pandur II. De acordo com o responsável, espera-se que, concluídos os contactos, se venha a “incorporar 65% de componentes vindos da indústria portuguesa” na versão básica de transporte de pessoal, percentagem essa que pode mesmo “chegar aos 75%”. Mais: a transferência de tecnologia é total. Para tal, uma equipa de engenheiros portugueses teve um período de formação de dois meses na fábrica de Viena, explicou Vítor Franco, da Fabrequipa.

A produção dos primeiros blindados teve início em Janeiro de 2007. Antes, os técnicos portugueses haviam acompanhado a produção, nas instalações da Steyr, na região de Viena, dos primeiros blindados para Portugal. Segundo Vítor Franco, da Fabrequipa, este processo envolveu, por um lado, uma componente de formação teórica e, por outro, uma componente prática. Os técnicos da Fabrequipa contam, de resto, com a assistência permanente de quatro especialistas austríacos.

Segundo Vítor Franco, “cerca de 100 trabalhadores estão directamente envolvidos na produção dos blindados”. Com a produção em pleno, cerca de 6 a 8 viaturas deverão ser produzidas mensalmente, com 120 trabalhadores adstritos ao processo. O restante quadro continua responsável pela montagem semi-reboques – que, aliás, tem mantido o ritmo inicial graças à parceria com outras empresas.

As primeiras entregas ocorreram, em simultâneo com a apresentação oficial do Pandur II. No final de Setembro, sete viaturas foram entregues ao Exército após terem sido submetidas, como explicou Vítor Franco, a um First Article Test (FAT) que envolveu, por exemplo, testes de tiro (Alcochete), condução em estrada e fora de estrada (Alcochete e região do Barreiro) ou o embarque num avião de transporte C-130H da Força Aérea (Montijo).

Novos projectos na área militar

A Fabrequipa pretende constituir, até ao final do presente ano, uma carteira de produtos para o mercado militar. O objectivo, diz Francisco Pita, é assegurar “uma autonomia na aquisição de material militar pelas Forças Armadas”. Mais especificamente, “a empresa deverá poder oferecer, às Forças Armadas e clientes externos, um conjunto amplo de viaturas militares de rodas, blindadas e não blindadas, até às 25 toneladas”. Desde viaturas com tracção 4x4 a 8x8, passando, ainda, por semi-reboques para transporte de carros de combate, exemplificou.

Em declarações posteriores, Francisco Pita deixou em aberto que, no âmbito da parceria com a norte-americana General Dynamics, a Fabrequipa poderá assegurar a manutenção dos novos carros de combate Leopard II A6 do Exército (nota 4) e trabalhos nos blindados M113. Possível, mas menos provável face ao conjunto de aquisições previstas, é a produção, no Barreiro, da viatura blindada de combate de infantaria sobre lagartas Ulan.

Para já, a prioridade é a escolha de um parceiro para a produção de veículos ligeiros blindados com tracção 4x4. Francisco Pita explica que o objectivo é o fornecimento destes veículos à Brigada de Reacção Rápida do Exército. Até ao momento, a Fabrequipa foi já contactada por três empresas - destas, uma será escolhida.

A continuidade da produção militar para lá da entrega dos Pandur II às Forças Armadas, em 2010, poderá passar pela opção de compra de mais viaturas. De facto, existem planos para a aquisição de 33 VBR para o Exército, dotadas de uma peça de 105mm. Um protótipo já foi testado na Áustria, com uma torre da belga CMI. Uma outra torre – a do blindado italiano Centauro – será testada na plataforma. Conforme explicou Vítor Franco, os testes a realizar na Áustria e em Portugal visam “avaliar o comportamento da torre e, igualmente, do conjunto do veículo e torre”. Isto é, até que ponto este blindado, previsto para a Brigada de Intervenção, cumprirá os requisitos dos militares portugueses.

Por outro lado, a actividade da Fabrequipa poderá alargar-se com a criação de uma unidade de protecção balística - em cooperação com a Steyr. Esta poderá produzir blindagem para os blindados e viaturas tácticas não blindadas da Fabrequipa, Forças Armadas e clientes estrangeiros.

A manutenção de uma indústria militar portuguesa depende, necessariamente, da penetração em mercados externos, conforme reconhece Francisco Pita. Deste modo, a Fabrequipa pretende exportar para outros mercados, nomeadamente países com os quais Portugal mantém relações de grande proximidade como Angola, Marrocos, entre outros.


Um blindado moderno e polivalente

As VBR Pandur II terão tracção às oito rodas, ar condicionado e protecção contra elementos NBQR. Entre os equipamentos da versão base encontram-se um sistema GPS, visão nocturna para o condutor, sistemas de aviso de aproximação de mísseis e um sistema de supressão de fogos nos compartimentos da tripulação e do motor.

No capítulo da protecção, a sua blindagem protege os tripulantes contra o impacto de munições de até 12,7mm (NATO STANAG 4569 Level 3) e minas (NATO STANAG 4569 Level 2ª). No plano da mobilidade, a quase totalidade das versões pode ser transportada pelos aviões C-130H da Força Aérea e o futuro Navio Polivalente Logístico da Armada poderá transportar um elevado número de VBR.

No total, Portugal receberá 16 versões diferentes, sendo 11 destinadas ao Exército e cinco, com capacidade anfíbia, para a Marinha.

Ao serviço do Exército e Corpo de Fuzileiros

No Exército, os Pandur II irão equipar a Brigada de Intervenção, a força média do Exército com comando na cidade de Coimbra. Em declarações à imprensa, o Major-General Campos Gil, director coordenador do Estado Maior do Exército, afirmou que estes blindados irão fornecer uma “maior capacidade de protecção e mobilidade no terreno”. Por outro lado, afirmou a expectativa do ramo militar em relação aos testes com o protótipo armado com uma peça de 105mm, realçando que este “tipo de viaturas são necessárias e há interesse em que seja a mesma plataforma das restantes”.

Já na Armada, as Pandur II proporcionarão maior autonomia e flexibilidade na transição do mar para terra da componente anfíbia e constituirão um importante elemento de apoio em operações do tipo NEO (Non-Combatant Evacuation Operation). As 20 viaturas previstas integrarão o futuro Pelotão de Viaturas Blindadas Anfíbias.

Na segunda-feira, dia 1 de Outubro, o Ministro da Defesa, Professor Severiano Teixeira, cancelou a entrega ao Exército dos novos blindados Pandur por "não estarem cumpridos os requisitos técnicos" estipulados no contrato, disse à Agência Lusa fonte governamental. De acordo com o Ministério da Defesa, os problemas técnicos foram detectados nos novos blindados produzidos na fábrica da Steyer, na Áustria, e não no blindado produzido na Fabrequipa, no Barreiro.

Três dos novos sete blindados Pandur 8X8 que foram entregues ao Exército pela empresa austríaca Steyr apresentavam deficiências, razão pela qual o ministro da Defesa cancelou a cerimónia de entrega oficial.

Os problemas estavam associados a pouca confiabilidade dos sistemas digitais dos veículos.

Pedro Monteiro


Referências
(1) Blindado Chaimite 4x4, http://www.defesa.ufjf.br/fts/Chaimite.pdf
(2) Nuevos blindados portugueses, Fuerzas Militares del Mundo nº30
(3) Portugal adquire novas Viaturas Blindadas de Rodas (VBR), http://www.defesanet.com.br/tecno/portugalvbr/
(4) Portugal acerta compra de 37 tanques Leopard para o Exército à Holanda, http://jn.sapo.pt/2007/09/26/ultima/portugal_acerta_compra_37_tanques_le.html

Defesa @ Net

ELBIT SYSTEMS Vence Contrato de US$32 Milhões para Fornecer UNMANNED TURRET SYSTEMS, Sistema de Controle de Tiro e Equipamentos Adicionais para o Exército Português http://www.defesanet.com.br/afv/steyr_30_elbit.htm

   
   
   
   
 

 

 

   
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  O Pandur II produzido
em Portugal
   
 
   
   
 
  Instalações da
Fabrequipa
   
 
  O Bravia Chaimite que será substituido pelo
Pandur II
   
   
   
   
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