EE-11 Urutu em operação no Haiti

Blindados - AFV

Defesanet 06 Outubro 2005
Gazeta Mercantil 06 Outubro 2005

Brasil volta a fabricar blindados militares
Em dezembro de 2004 EADS e Imbel assinaram acordo que prevê a cooperação na área de pesquisa e desenvolvimento

Virgínia Silveira

São Paulo, 6 de Outubro de 2005 - O Brasil está retomando o desenvolvimento da tecnologia de produção de veículos militares blindados sobre rodas, produto que entre os anos de 1975 e 1989 liderou a pauta de exportações do País, com vendas de US$ 3 bilhões. A Columbus, empresa comandada por um ex-funcionário da Engesa e que atualmente trabalha no programa de revitalização da frota de blindados, foi qualificada para desenvolver o novo veículo. Atualmente, o trabalho de revitalização é coordenado pela Imbel, empresa que vem se recuperando por conta principalmente do crescimento das exportações, segundo informou o diretor comercial da empresa, Ubirajara D’Ambrosio.

Já o contrato para o novo blindado deve ser assinado com a Columbus na próxima segunda-feira, segundo o coordenador de execução do projeto no Centro Tecnológico do Exército, Dario Francisco Loriato. "Esta semana estamos fazendo o levantamento das condições técnicas da Columbus para o desenvolvimento do projeto. Se tudo estiver dentro do previsto o contrato será assinado em seguida", disse.

Além da Columbus, também participaram da concorrência a empresa High End.

O grupo europeu EADS, que vinha negociando com a Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil) uma parceria com a intenção de produzir no Brasil o veículo blindado AMV 8x8, não participou da concorrência. "No início de setembro a EADS entregou ao Comando do Exército uma carta do presidente da Pátria Vehicles propondo ajuda no desenvolvimento de uma nova família de blindados com a indústria nacional, conforme nossa idéia original sobre o tema", disse o diretor geral da EADS no Brasil, Eduardo Marson.

O assunto, segundo Marson, encontra-se em discussão no momento. Na opinião do executivo, a concorrência aberta pelo Exército visa a contratação de uma empresa de engenharia para acompanhar um possível futuro desenvolvimento de um blindado no Brasil. "O que poderá, inclusive, ser desenvolvido com parceria internacional e nacional."

A EADS detém 27% de participação no capital da Pátria Vehicles Oy, da Finlândia. O Pátria, produzido pela empresa, é um veículo modular blindado anfíbio, que suporte até 24 toneladas de peso e tem capacidade para transportar uma tripulação de 12 pessoas.

Em dezembro de 2004, a EADS e a Imbel assinaram um acordo que prevê, entre outras coisas, a cooperação na área de pesquisa e desenvolvimento, e suporte comercial para a exportação de produtos da empresa brasileira.

A idéia do Comando do Exército, segundo Dario Loriato, é desenvolver no Brasil um veículo blindado mais moderno, com tração 6x6, destinado ao transporte de tropa.

O Exército, segundo ele, tem hoje uma necessidade de aproximadamente mil veículos novos. O desenvolvimento do projeto, envolvendo a parte de engenharia e desenho dos novos blindados, está avaliado em R$ 2 milhões.

A produção nacional de veículos blindados foi encerrada no final da década de 90 com a falência da Engesa. A empresa produziu cerca de 12 mil veículos e exportou aproximadamente cinco mil unidades dos modelos Cascavel e Urutu para 22 países.

A crise na empresa, agravada pela retração no mercado mundial de material de defesa, começou com a inadimplência de clientes no Oriente Médio. A empresa também investiu muito dinheiro no desenvolvimento do tanque de combate Osório, cujas encomendas não decolaram.

Com a falência da Engesa, a justiça decidiu pela transferência de todo o acervo tecnológico da empresa para o Comando do Exército. A posse definitiva do acervo foi motivo de disputa judicial pelos antigos proprietários da Engesa por mais de 10 anos. O acervo envolve desenhos, matrizes e ferramental que eram usados na fabricação dos veículos da Engesa.

Em 2002 o Exército decidiu iniciar um programa de revitalização da frota de blindados Engesa, envolvendo os modelos Urutu e Cascavel. O trabalho está sendo coordenado pela Imbel em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo e as empresas detentoras de tecnologia de serviços, como a Universal, a Ceppe e a Columbus.

Modernização de veículos

Até o momento, segundo Dario Loriato, que também coordena o projeto de revitalização dos blindados na Imbel, já foram modernizados 200 veículos. "A produção atual gira em torno de 20 a 30 veículos por ano, mas já chegou a 79 por ano". A velocidade do programa, segundo ele, caminha de acordo com a disponibilidade dos recursos encaminhados pelo Comando do Exército.

O programa de revitalização da frota de blindados Engesa tem potencial para envolver cerca de duas mil viaturas, além das 648 que fazem parte do arsenal do Exército brasileiro. Segundo o diretor comercial da Imbel, Ubirajara D'Ambrósio, a empresa tem propostas sendo negociadas com a Bolívia, Suriname, Chipre, Angola, Namíbia e Moçambique.

Com o governo de Angola, a Imbel também negocia o desenvolvimento conjunto de 400 veículos Urutu blindados, usado no transporte de tropa.

Defesa@Net

Arsenal de Guerra de Sãoi Paulo - AGSP: Onde o Sonho Torna-se Realidade- O Renascer dos Blindados de Rodas do Exército - 2002
http://www.defesanet.com.br/rv/agsp/index.htm

Patria Apresenta o AMV 6x6 na Polônia - Setembro 2005
http://www.defesanet.com.br/afv/patria_6x6.htm

Patria Presents AMV 6X6 Vehicle In Poland
http://www.defesanet.com.br/afv/patria_6x6_e.htm

IMBEL e PATRIA / EADS Apresentam o AMV 8 x 8 - (Armoured Modular Vehicle) -Exclusivo Defesanet - Março 2004
http://www.defesanet.com.br/noticia/imbelpatria/


 

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