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Defesanet - 07 Julho 2004

DISCURSO DO SENHOR MINISTRO DA DEFESA, JOSÉ VIEGAS FILHO,
NO
I WORKSHOP EM ENSINO CIENTÍFICO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E CONCEPTUAL NA ÁREA DE DEFESA E XXI ENCONTRO DE
GUERRA ELETRÔNICA DAS FORÇAS ARMADAS
Salvador 28 Junho 2004

Senhoras e Senhores, meus caros amigos,
Foi com grande satisfação que acolhi o convite para aqui comparecer e dar início ao I Workshop em Ensino Científico e Inovação Tecnológica e Conceptual na Área de Defesa, assim como ao XXI Encontro de Guerra Eletrônica das Forças Armadas.

Congratulo-me com o Comando da Aeronáutica e em especial com o Comando Geral do Ar pela iniciativa da integração dos eventos, cujos objetivos finais têm sido por mim incentivados desde que assumi o Ministério da Defesa.

A aplicação de tecnologia em sistemas de armas sempre se mostrou um fator diferenciador de forças. No caso da aplicação de conhecimento científico de ponta, a Guerra Eletrônica é, talvez, a área que apresenta maior demanda, seja na implantação de recursos de segurança em sistemas de comunicações, seja no aumento da capacidade de detecção e de autoproteção de vetores aéreos e de superfície.

Nestas condições, os equipamentos de Guerra Eletrônica são extremamente dependentes de alta tecnologia, nem sempre disponível e, na maioria das vezes, negada por quem a detém.

Torna-se necessária, portanto, a independência na geração do conhecimento relativo ao desenvolvimento de sistemas de ponta. Por isto, é inegável a necessidade de investimento na formação de recursos humanos para aplicação em pesquisa e desenvolvimento, razão porque iniciativas como esta são muito bem-vindas e contribuem para o desenvolvimento da temática no Ministério da Defesa.

Sabemos que o atual patamar orçamentário dificulta a manutenção operacional de nossas Forças, em particular no que diz respeito às áreas e equipamentos de elevada tecnologia.

Nessas condições, a manutenção de um adequado nível de conhecimento científico não pode ser relegada a um segundo plano, posto que permitirá, no momento oportuno, a recuperação do "gap" material. Não podemos deixar de trabalhar para gerar conhecimento, sob pena de ficarmos condenados à mera reprodução tecnológica. A dependência pode afetar diretamente a capacidade de defesa do país.

O mundo encontra-se em acelerado processo de transformação. E cenário com essa característica faz ressaltar, mais do que nunca, a importância de políticas bem definidas, com estratégias consistentes de longo prazo.

É exatamente a Política de Defesa que estabelece como uma de suas diretrizes: "buscar um nível de pesquisa científica, de desenvolvimento tecnológico e de capacidade de produção, de modo a minimizar a dependência externa do País quanto aos recursos de natureza estratégica de interesse para a sua defesa". Esse requerido nível somente poderá ser alcançado com esforços simultâneos de organizações militares, institutos de pesquisa e indústria.

O nível estratégico deve ser aqui considerado. A Guerra Eletrônica, inicialmente empregada com cunho tático, rapidamente tornou-se ferramenta de elevado valor estratégico, inserindo-se nos sistemas de Comando e Controle, o que inclui meios de comunicações e de detecção. É o correto emprego do espectro eletromagnético que permite a obtenção da adequada consciência situacional, em todos os níveis de decisão.

Considero relevante, também, ressaltar alguns pressupostos constantes da Política de Guerra Eletrônica de Defesa, aprovada por mim este ano, e eu cito:
- as atividades de Guerra Eletrônica nas Forças Armadas são orientadas para atender às necessidades da defesa nacional;
- a capacitação tecnológica é buscada de maneira harmônica com a Política de Defesa para a área de Ciência e Tecnologia; e
- a eficácia das ações direcionadas à implementação da Guerra Eletrônica nas Forças Armadas depende diretamente do grau de conscientização alcançado junto às organizações e pessoa acerca do valor da informação que detêm ou processam.

É interessante observar que " a Política de Guerra Eletrônica aplica-se a todos os componentes da expressão militar do Poder Nacional, bem como às entidades que venham a participar de atividades de Guerra Eletrônica", o que certamente inclui, além dos respectivos Centros de cada Força, instituições de ensino e pesquisa, bem como empresas desenvolvedoras de tecnologia relacionadas à Guerra Eletrônica.

Para atender seus pressupostos básicos, há, entre outros, importantes objetivos para a Política de Guerra Eletrônica de Defesa, que devem ser relembrados, de forma a podermos direcionar com mais eficácia nossos esforços. São eles:
- a interoperabilidade das atividades de Guerra Eletrônica desenvolvidas pelas Forças Armadas;
- a capacitação de recursos humanos necessários à condução das atividades de Guerra Eletrônica;
- a implementação da mentalidade de Guerra Eletrônica desde o início da formação militar, em todos os níveis, nas Forças Armadas; e
- redução do grau de dependência externa em relação a sistemas, equipamentos, dispositivos e serviços vinculados à Guerra eletrônica, de interesse dos componentes da expressão militar do Poder Nacional.

Neste fórum, composto de representantes de todas as áreas citadas, temos o ambiente ideal para tratarmos dos assuntos de importância vital ao atendimento da Política estabelecida. É aqui que poderemos estabelecer movimentos essenciais para a padronização de procedimentos e equipamentos; sistematização dos processos de busca, coleta, registro, armazenamento e difusão de conhecimentos; estabelecimento de canais de comunicação comuns; definição de normas técnicas e requisitos operacionais; incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de sistemas; bem como para o estímulo às empresas, universidades, indústrias e órgãos de pesquisa nacionais para que participem do processo.

Dos profissionais de Guerra Eletrônica das Forças Armadas, aqui reunidos, o Ministério da Defesa aguarda as contribuições, em forma de sugestões, que poderão surgir deste encontro, na busca do aperfeiçoamento de tão importante segmento da Defesa Nacional.

Sabemos que os problemas a serem suplantados são imensos. Este é um trabalho que envolve a todos e a cada um de nós. Devemos fazer um esforço pertinaz e sistemático para identificar os problemas e as suas soluções. Devemos ter o propósito de reagir com rapidez às situações desfavoráveis, propondo soluções adequadas e aceitáveis.

Meus caros amigos,
A despeito de todas as dificuldades, vivemos, nos assuntos afetos à Defesa, uma era de transformações. É necessário mobilizar os diversos segmentos de nossas Forças Armadas em torno do projeto de desenvolvimento e de integração que estamos engajados em implementar.

Neste sentido, instituições da estatura dos Institutos de pesquisa e dos Centros de Guerra Eletrônica das três Forças têm um claro papel a desempenhar.

Fruto deste trabalho integrado temos hoje Políticas de Guerra Eletrônica e de Sensoriamento Remoto de Defesa com diretrizes claras e objetivas.

É preciso seguir batalhando, com os olhos postos no futuro, por uma nação positivamente capaz de estabelecer a suficiente capacidade de defesa de nossa soberania e de nossas riquezas. Essa tarefa requer, certamente, a valorização do trabalho de geração de conhecimento cientifico e tecnológico, que temos o dever de promover em conjunto. E requer também a motivação, o empenho e a dedicação de todos os patriotas, militares e civis, interessados na construção de um Brasil mais forte, mais próspero e mais justo.

Estou convencido que este evento muito contribuirá para a integração de posturas, doutrina e conhecimentos ligados à inovação tecnológica e em particular à Guerra Eletrônica.
Bom trabalho!
Muito obrigado a todos.

Defesanet

Para o texto na íntegra da Política de Guerra Eletrônica de Defesa acesse:
http://www.defesanet.com.br/abge/mindefge/

I WORKSHOP EM ENSINO CIENTÍFICO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E CONCEPTUAL NA ÁREA DE DEFESA E XXI ENCONTRO DE  GUERRA ELETRÔNICA DAS FORÇAS ARMADAS Salvador 28 Junho 2004
Fotos-- Cecomsaer