ABGE  - Associação Brasileira de Guerra Eletrônica

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Defesanet. 2º Dezembro 2003

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DESENVOLVIMENTOS DE GUERRA ELETRÔNICA NO BRASIL
OS PROJETOS DE GUERRA ELETRÔNICA NA
MARINHA DO BRASIL
Parte II



O FOGUETE DE CHAFF NACIONAL E O LANÇADOR SLDM


No ano de 1982 a MB adquiriu o sistema lançador de chaff SHIELDS II para equipar as Corvetas Classe "Inhaúma". Porém, os foguetes de chaff para tais lançadores nunca foram encomendados. A equipe do Grupo de Armas do IPqM, a partir de uma pesquisa na área e com as especificações do SHIELDS  desenvolveram um foguete nacional, pronto em 1986, capaz de ser lançado pelo SHIELDS II. Essa obra memorável de engenharia produziu sua primeira nuvem de chaff observada em 1989 no campo de provas da Marambaia no Rio de Janeiro. Muitos outros testes foram conduzidos posteriormente, incluindo alguns na Barreira do Inferno e na raia da Marinha inglesa em Pendine. Esses testes produziram dados valiosos que permitiram a equipe do IPqM refinar o foguete e incrementar os mecanismos de ejeção do chaff. Recentes comparações com foguetes similares estrangeiros, ainda oferecidos no mercado, mostraram que o desempenho do foguete nacional nada fica a dever.

Em meados da década de 90, a MB realizou o processo inverso e projetou um lançador de chaff adequado para o foguete nacional. O primeiro desses lançadores, denominado SLDM, foi instalado na Fragata Liberal em 2001, sendo bem sucedido nos testes de mar. O bom desempenho do SLDM contribuiu para a decisão da MB de coloca-lo em todas as demais Fragatas da Classe.

Adveio, então, a necessidade de avaliar o desempenho desses sistemas. Entretanto, é óbvio que testes reais acarretam riscos inaceitáveis. Contudo, a DSAM vislumbrou que o teste poderia ser feito empregando-se uma aeronave que simulasse a incidência de um míssil sobre um meio de superfície dotado de defesa por chaff. Tal empreendimento representa a tentativa de agregar em um único meio, parâmetros de velocidade, dimensões e tempo de reação semelhantes aos encontrados numa interação real. A operação se viabilizou quando veio a notícia dos trabalhos, conduzidos pela FAB, num radar experimental SCP-01 do AMX, cujas características são similares a um radar da cabeça de guiagem de um míssil superfície-superfície.

Desenvolvimento do  Lançador SLDM

A esquerda o ensaio no campo de provas da Marambaia de um foguete nacional projetado no IPqM.  Abaixo o SLDM na Fragata Liberal e um ensaio do SLDM lançando um foguete de fabricação nacional

Testes do Chaff com o A-1

Radar SCP-01, a passagem da aeronave AMX em cumprimento ao perfil de vôo e o lançamento real do foguete despistador . A operação foi uma bem sucedida parceria entre os Comandos da Marinha e da Aeronáutica


O cenário dos testes foi idealizado de forma a saber se o radar da aeronave, ao aproximar-se de um navio, seria, ou não, despistado. O vínculo da DSAM com o DEPED, Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento, órgão da FAB de direção setorial que coordena e supervisiona as atividades de pesquisa espacial do Comando da Aeronáutica, se estabeleceu através do seu Sub-Departamento de Desenvolvimento e Programas. A parceria foi efetivada com base no interesse mútuo de ambas instituições em testar seus equipamentos e sistemas. Enquanto a Marinha pretendia testar seus despistadores, a intenção da FAB era avaliar o radar SCP-01. O processo de planejamento da comissão teve ampla participação das duas Forças sob a coordenação do CF(EN) Silvio Fernando Bernardes Pinto (DSAM) e do Maj(Eng) Julio Hideo Shidara (GAC-Radar).

Os testes foram executados na área entre Rio de Janeiro e São Sebastião, numa comissão realizada em outubro de 2001. Nos dois primeiros dias, foram executados testes de medição de seção reta radar (SRR) de nuvens de chaff e de navios. Os procedimentos de avaliação da eficácia das nuvens de chaff foram realizados no terceiro dia. Nele, foram cumpridas todas as etapas previstas, a despeito da complexidade de coordenação e do sincronismo exigidos num teste envolvendo uma aeronave com velocidade elevada, e do tempo restrito na área do exercício. Ao término da comissão foram obtidos os seguintes benefícios: a) a validação do método para emprego em simulações que envolvam mísseis superfície-superfície; b) subsídios para futuros aperfeiçoamentos dos foguetes de chaff; e c) o fortalecimento da mentalidade de Guerra Eletrônica em operações conjuntas. Além disso, o evento mostrou que o aproveitamento de comissões operativas já programadas pode contribuir significativamente para a condução de experimentos tecnológicos, sem onerar o propósito do planejamento original.

Além disso, existem planos da MB adquirir equipamentos para equipar um raia de medição de Seção Reta Radar (SRR). Em paralelo a MB esta procurando desenvolver um "Software" de cálculo da SRR de alvos complexos e um outro para poder estimar as táticas de lançamento.

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