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Adicionalmente, a Marinha adquiriu o Navio Aeródromo São Paulo, o antigo "Foch" da Marinha Francesa, para garantir a superioridade aérea nos cenários navais. Espera-se para breve o pleno domínio das operações táticas com aeronaves A4 obtidas junto ao Kuwait. Contudo, esses aviões também precisarão ser revitalizados. Espera-se que grande parte desse projeto seja destinado a indústria nacional. Existem também planos de se adquirir aeronaves de alarme antecipado (AEW- Airborne Early Warning) e modernizar ou adquirir helicópteros. É intenção instalar nessas aeronaves o Terminal Tático Inteligente (TTI), desenvolvido no Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), e a suite de guerra eletrônica nacional. Por outro lado, os submarinos da Classe "Tupi" também deverão ser submetidos a um processo de modernização, quando os seus sistemas de Armas serão substituídos por sistemas nacionais bem mais modernos.
Em todos esses casos, a Guerra Eletrônica é crucial por ser um fator multiplicador de força, especialmente considerando-se que a atual escassez de recursos poderá se agravar nos próximos anos.
O PIONEIRO CME ET/XLQ-1
Por volta de 1982, a MB reuniu um time de especialistas em GE para iniciar a construção de um CME autenticamente nacional. O primeiro exercício foi tentar colocar em plenas condições o antigo sistema CME ULQ-6 do CT Mariz e Barros, um antigo "Destroyer" americano da II GM da Classe "Gearing". O encarregado desse grupo foi o então capitão-tenente Eutiquio Calazans (atualmente capitão-de-mar-e-guerra da reserva), um especialista em microondas e entusiasta em Guerra Eletrônica. O autor tem orgulho de ter sido um de seus ajudantes nesse grupo.
Nessa época, a MB investiu na formação de pessoal para compor a sua equipe. Diversos profissionais foram enviados ou recrutados nas Universidades nacionais (PUC/RJ e USP em particular) e alguns dos seus oficiais mais experientes foram enviados para cursos de mestrado no exterior. Foram realizadas diversas visitas a fábricas e centros de pesquisa além de participações em simpósios e conferências de áreas afins.
Foram inseridos no antigo ULQ-6 novos módulos substituindo outros cujo reparo era impossível. Entre eles, um amplificador para a transmissão de sinais, uma memória de rádio-freqüência, ainda analógica, do tipo FML (Frequency Memory Loop) e uma nova IHM (Interface Homem-Máquina). O protótipo, chamado de ET/XLQ-1, foi instalado a bordo e operou com sucesso por muitos anos. Seus resultados positivos possibilitaram o prosseguimento dos trabalhos. Infelizmente, muito pouco resta do ET/XLQ-1. Meses depois, a equipe de GE se transferiu para o IPqM onde ainda permanece.
O CME ET/SLQ-1 (CME-1)
O passo seguinte foi projetar um CME novo, o que foi incentivado pela construção das Corvetas Classe "Inhaúma" no AMRJ e no estaleiro VEROLME. Nessa época, a equipe de GE era capitaneada pelo, então, Capitão-de-Fragata. Olavo Andrade, atualmente Vice-Almirante e Diretor do IPqM. Após cerca de cinco anos de trabalho intenso, em 1992, o CME ET/SLQ-1, ou somente por CME-1, estava pronto. Ele esta atualmente instalado em todas as Corvetas da Classe Inhaúma e em algumas das Fragatas Classe "Niterói" modernizadas. Até hoje, o CME-1 tem demonstrado uma operação consistente e os problemas, já esperados num primeiro projeto nacional, foram progressivamente abordados pela equipe do IPqM e solucionados caso a caso. Além disso, o CME-1 possui uma capacidade de bloqueio muito superior a do modelo importado que lhe serviu de inspiração.
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