BRASÍLIA
- Uma entrevista dada quinta-feira em Brasília
pelo diretor da Dassault no Brasil, Jean-Marc Merialdo,
para desmentir as concorrentes, acirrou a guerra comercial
pela venda dos 36 caças à Força
Aérea Brasileira (FAB) – o maior negócio
da aviação brasileira, estimado em cerca
de R$ 4,5 bilhões – na reta final da
disputa, que deve ser encerrada no fim de novembro.
Merialdo classificou de “inverdades” as
informações divulgadas pelas concorrentes,
atribuindo ao caça francês Rafale um
valor estimado em 40% a mais do que os preços
oferecidos pelos caças Gripen NG, da sueca
Saab, e o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing.
– As informações não têm
fundamento. Não posso abrir mão de meu
compromisso de confidencialidade, mas, certamente,
a diferença de preços entre o Rafale
e o F18, que são aeronaves de classe comparável,
não é de 40% – disse o executivo.
Merialdo invocou o compromisso assumido pelo presidente
da França, Nicolas Sarkozy, com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva nos festejos do 7
de Setembro, em Brasília, para sustentar que
os preços são parecidos com o que é
oferecido às Forças Armadas francesas.
Lembrou que o governo brasileiro tem todas as condições
de checar os detalhes antes de uma decisão.
Cada caça Rafale custa ao governo francês
algo em torno de 50 milhões de euros, mas a
concorrência se encarregou de afirmar que o
Brasil pagaria 40% a mais do que a oferta das outras
duas concorrentes. Merialdo negou, mas preferiu não
entrar em detalhes alegando a “confidencialidade”
que, segundo ele, não foi respeitada pela Saab
e pela Boeing. Ele procurou ressaltar as outras vantagens
oferecidas pelo consórcio Rafale.
– A produção das peças
e a montagem do Rafale no Brasil poderia chegar a
50%. No entanto, a capacidade para entrar no sistema
do avião seria total. Caso o Rafale seja escolhido,
os seis primeiros aviões serão fabricados
na França e os 30 restantes, no Brasil –
garantiu.
Embora envolvidas ainda num rigoroso segredo militar,
a FAB já recebeu as três propostas, mas
avalia os valores junto com outras vantagens, como
a transferência de tecnologia e as compensações
comerciais. O resultado deve ser anunciado no próximo
dia 30.
O diretor da Dassault afirmou que o Rafale é
de uma classe diferente do F-18 da Boieng, mas comparáveis
em preços.
– A diferença de preço entre eles
não é de 40% – insistiu.
Em seguida, criticou o outro concorrente.
– Não é correto comparar valores
de caças de classes diferentes. O Gripen é
um monomotor Mirage 2000, de classe diferente do Rafale,
seu sucessor. O Rafale é bimotor que traz mais
segurança e capacidade operacional superior.
A depender da missão, são necessários
dois Mirage 2000 para executar a missão de
um Rafale – disse.